Sábado, 21 de Janeiro de 2006

Homem não chora (I)

Aproveitando a "deixa" proporcionada pelos meus amigos aqui do blog, entre elas a do texto "De fazer correr as lágrimas...", devo dizer do alto dos meus 50 e poucos carnavais, que homem chora sim, e que, acima de tudo, deve chorar. Faz bem, desanuvia a alma, nos humaniza. E para os que gostam profundamente de música, chorar de emoção é como respirar, como beber água quando se tem sede, é ansiar por um prato de comida quando se tem fome. Nada mais natural.

A música nos desperta, nos enche de compaixão, nos conforta, nos prepara para novas ilusões, nos enche de sonhos, nos faz reviver a memória daquilo que fomos e daquilo que poderíamos ter sido. A música nos encoraja, nos faz compreender os sortilégios das paixões, dos amores esquecidos, dos amores imprevistos, nos serve de amparo para o desamor, para as despedidas. A música nos fragiliza. A música nos engrandece.

Homens choram. Mulheres choram. Não é à toa que vivemos neste "vale de lágrimas", como se diz nas orações.

As canções da Eugénia sempre me emocionaram, as que ela fez e as que ela "desconstruiu" à sua maneira, sempre criativa, sempre autoral. Esta semana, com a atenção despertada pelo belo texto publicado por rayoflight, ouvi mais uma vez o eterno álbum "Coração Imprevisto", lindíssimo, sensível, inspirado, com uma simbiose perfeita da voz da Eugénia com o piano barroco do Wagner Tiso. As poucas participações são todas especiais: Carlos Zíngaro e seu violino especialíssimo em "Longe", Zeca Assumpção e Caetano Veloso na faixa título "Coração Imprevisto" (parceria dele com a Eugénia), Pedro Caldeira Cabral em "Argonautas" (o belo fado de Caetano).

 

Ouvi o disco dirigindo na estrada, ao entardecer. Se vocês o ouvirem, entenderão este meu texto.

Tenho uma amiga muito querida que mora aqui em São Paulo, extremamente sensível e muito emotiva. Por umas dessas artimanhas do destino, cessaram-lhe as lágrimas. Não chora mais. Não consegue. Nem nos filmes mais tristes. Nem nas novelas mexicanas. Nem nos comerciais natalinos. Vou sugerir a ela uma receita infalível: que escute o "Coração Imprevisto" dirigindo calmamente em uma estrada, ao final de uma tarde de verão, na hora imprecisa do "angelus". As lágrimas escorrerão pelo seu belo rosto. Tiro e queda. E seu coração abrirá novamente...

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 02:53
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