Sábado, 8 de Abril de 2006

AUXÍLIO LUXUOSO

O primeiro disco do Luiz Melodia, “Perola Negra”, lançado em 1973, foi um acontecimento. Raras vezes um compositor e cantor apresentou um disco de estréia tão consistente. Ali tinha de tudo: chorinho, rock, samba-canção, canções que pareciam ter feitas por um veterano. O crítico e pesquisador musical Tarik de Souza disse à época que o Luiz Melodia seria uma espécie de mescla de Caetano Veloso, Jorge Ben e Roberto Carlos. Provavelmente por ter sacadas típicas do Caetano, o nonsense do Jorge Ben e algum romantismo, quem sabe um parentesco musical remoto com o “Rei” Roberto.

Com certeza, o Tarik acertou na mosca com relação ao nonsense das letras do “Negro Gato”, apelido que o Melodia herdou quando gravou o sucesso de Roberto Carlos no seu quarto disco, o “Nós”, de 1980. Letras malucas, para dizer o mínimo, mas que tinham achados como “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio” (em “Estácio, Holly Estácio”, bairro carioca onde o Luiz nasceu), “tente usar a roupa que estou usando, tente esquecer em que ano estamos” (em “Pérola Negra”), “curo esse rasgo ou ignoro qualquer ser, sigo enganado ou enganando meu viver, pois quando estou amando é parecido com sofrer” (em “Dores de Amores”), entre outras.

Uma das frases mais famosas do Melodia foi “eu entendo a juventude transviada, e o auxílio luxuoso de um pandeiro” (em “Juventude Transviada”), que pode querer dizer rigorosamente nada, mas por outro lado, um pandeiro bem tocado é realmente um luxo, e saibam todos os não-músicos como eu, que não é fácil domar o instrumento. “Auxílio Luxuoso” passou também a ser um mote para um grande acompanhamento musical, para um algo a mais que um músico acrescentava em uma gravação, aquele toque especial que nos faz recordar de uma música não só pelo seu intérprete principal.

Bom, demorei alguns incontáveis segundos pra chegar aonde eu queria. A Eugénia, todo mundo sabe, já foi acompanhada pela fina flor dos músicos brasileiros, uma verdadeira “nata”, uma “seleção” com tantas opções que não há igual, mais opções até que o Carlos Alberto Parreira tem ao seu dispor no nosso fabuloso “scratch” (fabuloso pelo menos por enquanto, pois favoritismo nem sempre ganha jogo...) para a Copa do Mundo. Um dia ainda vou escalar essa seleção brasileira de músicos que abrilhantaram as gravações da Eugénia, mas vocês verão que o espaço vai ser pouco para tanta “fera”.

Mas quero também ressaltar aqui uns verdadeiros “auxílios luxuosos” de músicos portugueses que estão presentes nos discos da Eugénia. As presenças especiais e de muita sensibilidade de Julio Pereira e Jaime Queimado nas violas e violões do “Recomeço”, o violino do fantástico Carlos Zíngaro em “Longe” (do disco “Coração Imprevisto”) e em “Modinha” (do disco “Lisboa dentro de mim”), as contribuições de Pedro Caldeira Cabral na guitarra portuguesa em várias canções, principalmente no fado “Os Argonautas” (do disco “Coração Imprevisto”), o piano maravilhoso de Mário Laginha em “Ulisses” e um “Um homem que canta e vê” (do disco “Lisboa dentro de mim”), entre outras tantas.

Integração musical é isso aí, meus caros leitores, coisa que a Eugénia sempre soube fazer com dedicação, talento, generosidade e sensibilidade.
Publicado por Eugénia Melo e Castro às 19:42
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