Segunda-feira, 19 de Junho de 2006

Máquina do tempo...

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Eugénia MC – PAZ  (Som Livre – 2002)


São vinte anos de obra gravada, uma dúzia de registros originais, mais uma boa meia dúzia de álbuns ao vivo e compilações...Este, é claro, um dos ângulos possíveis para abordar a obra de Eugénia Melo e Castro. Porque são tantas as conquistas, tantas as histórias, tantas as aventuras artísticas (cinema, teatro, televisão...) em que Eugénia se envolveu que não há como não ficar impressionado.


Mas há outras abordagens possíveis, mais íntimas até. Perceber a alma que carrega a voz de tantos discos que são já clássicos portugueses, entender a razão por trás das palavras, o coração que palpita naqueles poemas. Essa é outra abordagem possível. E perante PAZ, o seu mais recente lançamento, parece-nos mesmo a mais apropriada. Até porque este álbum marca uma nova fase da vida de uma também nova EUGÉNIA MC. Uma fase de afirmação pessoal, um pouco mais distante do passado, mas mais próxima de si mesma...


“Este é um disco de total exposição. As letras são todas minhas, as músicas foram compostas por mim a meias com Eduardo Queiroz. Mas eu nunca tinha tido coragem de mostrar nada composto por mim, antes. O Eduardo deu-me a confiança que eu necessitava...” Eugénia refere-se ao produtor Eduardo Queiroz, com quem trabalhou em PAZ entre Março a Agosto deste ano. Músico de imagens, especialista em bandas sonoras, Eduardo está habituado em transformar emoções e sentimentos em música. Talvez por isso sua parceria com Eugénia tenha resultado de uma forma tão perfeita. Ela explica:”Nesta fase da minha vida encontrar Eduardo Queiroz foi a travessia de mais alguns limites meus, eu sabia o que queria mas não sabia como fazer, ele é muito rigoroso, talentoso, sabe o que quer, deu-me e tirou-me o tempo no tempo certo.”


Eugénia trabalhou com Eduardo na composição dos temas entre Março e Maio últimos. As melodias que existiam dentro da cabeça de Eugénia e de Eduardo foram surgindo sobre as bases musicais de Eduardo, arranjadas e misturadas por eles em simultâneo... Ao escutar-se PAZ percebe-se que houve um toque de magia neste trabalho. Entre Julho e Agosto, o álbum foi então gravado em São Paulo, com músicos brasileiros de primeira linha e uma Eugénia MC de espírito novo, até na forma de escrever seu comprido nome...


“Tenho muito orgulho em dizer que consegui me libertar de mim mesma para fazer este disco. Não houve angústias nem dramas, foi uma coisa natural para mim. Eu estava a passar por uma fase de grande desalento e compor foi um exercício de tranquilização da minha alma” explica Eugénia, como quem diz “missão cumprida”. E a verdade é que em cada novo disco sempre traduziu uma missão íntima: de auto-conhecimento no cruzamento de oceanos e de almas gémeas.


Em PAZ a missão é outra. Eugénia afirma sua alma, mas também revela sua música. Ela diz que se foi “construindo por dentro”. E este álbum mostra que chegou a bom porto. “É um disco sobre o pensamento”, diz de PAZ. “É feito com poemas sobre mim, pensamentos para mim. Não falam da vida em geral, falam da vida em momentos. São apenas pensamentos, uma espécie de acervo interno que fui guardando secretamente, ao longo de anos e anos, especialmente para este momento, que está planejado há muitos anos. A maioria destes poemas, que agora se transformaram em letras de canções, foram escritos a olhar para uma aguarela que a artista Fernanda Fragateiro fez para mim, anos atrás, e que tem um simbolismo muito forte para mim, pessoal e artístico. Resolvi usar para capa esta aguarela que foi testemunha de tantas horas de escrita e solidão. Identifico-me completamente com ela, tem o lado da alma que eu quero mostrar. Dessa aguarela nasceu a ideia da contracapa, da minha outra alma, real de uma outra forma, parecida com as permanentes dualidades cantadas ao longo do disco inteiro”. Quem abrir o disco pode depois optar por qual capa decide, se pela aguarela, se pela fotografia, primorosamente trabalhada graficamente por Luís Magone.


São, ao todo, 13 canções, duas já anteriormente gravadas, uma por ela e outra por Pilar, sua co-autora em 1990, outras com poemas antigos (com data até de 1982, ano em que editou Terra de Mel, a sua estreia em disco), outros menos antigos, e um trio deles (Zona Invisível, Mundos e Imagem) escritos para este disco. E até nesse pormenor sente-se que PAZ, é resultado de um processo interior complexo e que relata uma viagem íntima. As letras estão, de uma forma ou de outra, interligadas e “há um sentido em todo o disco”, como avisa Eugénia. 


Eugénia já cantou ao lado de grandes nomes, nacionais e estrangeiros (e para tal constatar basta consultar a página parcerias no site www.eugeniameloecastro.com ), mas este álbum é tão pessoal que sua voz plana solitária sobre os arranjos de Eduardo Queiroz. A excepção é Paris 88 onde sua filha Ana Mariana tem uma participação especial. Mas até aí pode-se entender essa participação como uma própria extensão...


O novo álbum abre com Paz e encerra com Imagem. Pelo meio ficam 13 canções, 11 novas, feitas sem rede sobre o precipício da alma. Mas Eugénia não se detém. Por que o tempo urge: “O tempo para mim é uma coisa preciosa. Não gosto de perder tempo com coisas que não me interessa. Só leio, penso, escrevo, olho para o ar e ouço música. E, claro, já vou pensando no próximo disco, nos espectáculos que darei deste PAZ, dos planos secretos que tenho pra mim e para este disco.”


Eugénia é assim: uma mulher de incertezas, disciplinada, franca, transparente. Como as canções que agora nos oferece em PAZ e que nos mostra a cor dos seus pensamentos.


Haja PAZ!

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 14:37
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