Terça-feira, 17 de Junho de 2008

RELEASE CD "PAZ" - LANÇAMENTO NO BRASIL

“PAZ” – EUGÉNIA MELO E CASTRO  / EUGÉNIA MC

A gravadora Atração / Brazilmusica está lançando no Brasil o disco “Paz”, de Eugénia MC. Embora gravado por Eugénia Melo e Castro em São Paulo, nos meses de julho e agosto de 2002, nunca foi oficialmente lançado por aqui. À época, Eugénia apresentou o trabalho em vários shows no Brasil e alguns importadores trouxeram o álbum para a venda nas lojas. Em 2007, a Universal Music relançou o disco em Portugal e agora, finalmente, ele chega ao Brasil.

E por que esse lançamento é importante? Um disco de Eugénia Melo e Castro nunca será somente mais um disco. Todo trabalho da Eugénia é conceitual. Ela é uma das raríssimas artistas do cenário musical mundial que trabalha conceitos, temáticas, que procura caminhos para alargar o âmbito da música popular. Quem conhece a sua carreira e os seus discos, sabe que não há nenhum espaço para concessões, para a gratuidade das expectativas comerciais, para comodismos. “Paz” é, portanto, um disco novo, na exata dimensão do termo, e atemporal, como se espera de uma obra de arte.

Eugénia propõe um jogo de espelhos em “Paz”. A partir do sufixo “MC” em seu nome, a cantora e compositora flerta com algumas características da música eletrônica, mas estas, no entanto, são conceitualmente pistas falsas. Eugénia MC é uma personagem de Eugénia Melo e Castro, mas é, paradoxalmente, uma mistura de todas as verdadeiras Eugenias, a menina sonhadora, a adolescente inquieta e rebelde, a mulher madura que encontrou as chaves do intrincado mundo da música, e provavelmente, a Eugénia futura, aquela que continuará a desconcertar expectativas.

“Paz” é, com certeza, o disco menos brasileiro e o disco menos português de Eugénia. É um disco estrangeiro, um disco da música do mundo de uma cidadã do mundo. Não é “world music”, pois esse conceito só serve para aliviar o trabalho de quem cataloga e arruma estantes. É um disco de permanente indagação, de questionamentos e de uma despudorada e indefesa dúvida. Com exceção de “Dentro”, música de Pilar Homem de Mello, e “Velho Mar”, de Yório Gonçalves, todas as músicas são da própria Eugénia e do produtor musical Eduardo Queiroz. Todas as letras são da Eugénia, e muitas delas são poemas da adolescência, densos, profundos e inquietantes. Talvez este seja o seu trabalho mais autoral no que se refere à concepção e elaboração das músicas e dos arranjos. Mas Eugénia será sempre autoral. As letras de “Paz”, essas sim, são pistas verdadeiras de sua alma, de seu espírito inconformado, de sua visão do mundo, das pessoas, dos sentimentos.

“Paz” é um disco para iniciados, para aqueles que buscam na música as respostas para um mundo novo, um mundo cada vez mais distante da paz, um mundo que parece não ter mais solução.

“Agora que está tudo certo, o céu e o inferno em paz, eu sou uma menina, igual a um rapaz”, canta Eugénia na belíssima “Paz”. Um bom jogo, senhoras e senhores.


Eloy Dias Varandas – 16/03/08

Publicado por popogirl às 23:26
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