Terça-feira, 19 de Junho de 2007

O Portugal pop que Eugénia ouviu nascer

Pegou em dez canções portuguesas suas contemporâneas, de Tozé Brito a Abrunhosa, passando por Né Ladeiras ou pelas Doce, e fez "PoPortugal", disco que chega às lojas na segunda-feira e pode ser ouvido amanhã, ao vivo, no CCB.
Nuno Pacheco, Jornal Público 15 de Junho de 2007.
 
Tinha vinte discos, agora tem vinte e um. No 25º aniversário da sua estreia discográfica, com "Terra de Mel" (lançado a 6 de Janeiro de 1982), Eugénia Melo e Castro lança um novo disco com reportório integralmente português, contemporâneo da sua vida. Canções que ela ouviu no momento em que foram lançadas e que lhe ficaram na memória. E que também integram a sua colecção de discos de vinil, onde aliás tudo começou. O disco, "PoPortugal", chega segunda-feira às lojas, mas antes Eugénia apresentará, dia 16, no CCB (onde já não canta desde 1993) algumas canções em antecipação. O espectáculo tem um nome comprido (Des Cons Tru Ções 2007 - Ao Vivo, 25 Anos de Terra de Mel), mas promete uma diversidade compatível com a carreira que celebra.
 
A ideia nasceu há dois anos. Por razões pessoais, Eugénia teve que ficar sete a oito meses em Portugal, mais do que o costume (geralmente, passa cá três meses e três no Brasil). Como tinha feito cópias em vinil do disco "Des Construção", de 2004, lembrou-se de ir ouvir os velhos LP que tinha em casa. "Comprei um giradiscos moderno, aprendi a lavar os discos com sabão e dei comigo a escolher: agora quero ouvir estes cinco, depois aqueles… E comecei a lembrar-me da Gabriela Schaaf. Ou da `Romaria' dos Jáfumega, que até reporta à banda do Chico Buarque: `toca a banda no coreto'.
E o disco começou a tomar forma: "Foi uma grande diversão para mim, ir buscar músicas que vi nascer. `O Amor É Cego e Vê', que fiz em 1990 só com canções portuguesas, tinha músicas que não eram parte do meu histórico, algumas de 1910 ou 1920. Mas estas são todas músicas do meu tempo, como a do Tozé Brito no Festival da Canção [de 1972, tinha ela 14 anos] e que nunca foi gravada em CD. Sempre fiz um paralelo entre essa música, `Se quiseres ouvir cantar', que eu adorava, e o 'You've got a friend' do James Taylor. Tinham o mesmo tipo de comunicação." No total, escolheu dez. "Não tive nenhuma dificuldade nem nenhuma angústia." Mas algumas escaparam- lhe: "Tive imensa pena de não conseguir escolher uma música daquele disco maravilhoso do Jorge Palma, `Com Uma Viagem Na Palma da Mão' [1975], mas não o encontrei."
 
E o que escolheu Eugénia? Seguindo o alinhamento, Tozé Brito, GNR, Heróis do Mar, Clã e Sérgio Godinho, Jáfumega, Gabriela Schaaf, Doce, Pedro Abrunhosa, Né Ladeiras, Pilar Homem de Melo. "São músicas de que gostei na época em que saíram. Sempre me identifiquei com elas e sempre pensei que gostava de as cantar." É também "uma viagem ao vinil": "E é o disco com menos filosofia que já fiz, é um disco de puro divertimento. Não tem uma mensagem nem um contexto nem é um projecto com conceito. É um disco que quis fazer como se fosse um LP, só dez músicas, cinco de um lado e cinco do outro, à antiga." A gravação, que decorreu no Brasil, em São Paulo, entre Abril e Maio de 2007, teve muita interferência dela própria. Voltou a trabalhar com o produtor e arranjador Eduardo Queiroz e com os músicos que, tal como ele, participam nos seus discos e espectáculos desde 2002 (os mesmos que a acompanham agora ao vivo em Portugal) e seguiu um processo idêntico ao que usara em "Des Construção". "Comecei por fazer o que já tinha feito com as músicas do Chico Buarque: despi-las. Ou seja, pegar na melodia e tocá-la ao piano. E gravar a voz só com a melodia e a letra. Ajudou muito o Eduardo não conhecer nada deste reportório, nenhuma canção."
 
Houve umas que custaram mais a transformar, como "Sonho azul" ("porque tinha aquela coisa meio cabaret"), mas outras acabaram por dar lugar a soluções felizes. "A versão de `Se eu fosse um dia o teu olhar' foi inspirada numa música do Robin Thicke, 'Lost without you', um hip-hop soul simples, marcado pela guitarra. Mas aquela que eu gosto mais é `Eu sou' [das Doce], que ouço e ouço. Foi a única canção cantada pela Laura Diogo, feita para ela meio dizer, meio cantar. Acho que o arranjo foi feliz, o Eduardo percebeu o que eu queria da música e teve um rasgo luminoso."
 
25 anos em DVD
No Brasil e em Portugal o disco suscitará reacções diferentes, diz. "Para o Brasil, são dez músicas inéditas. Até o título, 'PoPortugal', que fiz por causa da brincadeira gráfica com o P, suscitou interesse: que é isso de pop Portugal? Aqui as pessoas vão aproximar-se afectivamente das músicas. Esta porque estavam a namorar na praia, aquela porque tinham ido fazer uma viagem e era a música que tocava. No encarte do disco, virão os autores das músicas originais, quem as cantou e quando. E no meu site vou ter um link para as pessoas poderem ouvir os originais e, se quiserem, fazer a comparação."
Ao vivo, o disco começa a ser desvendado amanhã, no grande auditório do Centro Cultural de Belém, às 2 1h. Mas apenas com quatro canções, já que o espectáculo se centra na carreira da cantora: "Asas", "O sopro do coração", "Eu sou" ("que vou pôr junto com `Olhos nos olhos', de Chico Buarque, com o mesmo ambiente) e "Romaria". "Vou cantar duas do `Terra de Mel', coisas importantes dos 25 anos, algumas do `Des Construção' e duas ou três que serão surpresa e não estão em disco nenhum".
 
Depois do CCB, o espectáculo rodará por outros palcos portugueses: Dia 21 no Teatro Micaelense de Ponta Delgada, 23 na Covilhã, 28 em Coimbra, 30 no Porto (Casa da Música), 4 de Julho em Faro e 5 Julho no Montijo. Vai ser gravado um DVD e, no Brasil, será editada um caixa com cinco ou seis CD dela remasterizados, incluindo o novo.
 
Com 49 anos acabados de fazer (a 6 de Junho), Eugénia quer reatar com este disco, que chega às lojas segunda-feira, uma ligação afectiva a Portugal que não acompanhou a normalidade da sua carreira no Brasil (onde o disco só será editado em Agosto). De resto, registam-se no seu trabalho de há cinco anos para cá traços comuns e estáveis, em termos musicais: "Há uma continuidade de trabalho, uma busca de um som. Desde o `Paz' para cá estou a encontrar uma coisa mais minha, um som que tem mais a ver comigo.
 
Eugénia Melo e Castro
PoPortugal, Universal
Pela segunda vez numa carreira de 25 anos e 21discos, Eugénia Melo e Castro aborda num só disco reportório integralmente português. Mas se Amor é Cego e Vê" (1990) se virava para o passado ("Olhos castanhos", "Foi Deus", etc.), este "PoPortugal" percorre décadas que lhe são contemporâneas e das quais escolheu temas que, por uma razão ou outra, lhe agradaram: anos 70 (Tozé Brito, Gabriela Schaaf), 80 (Heróis do Mar, Jáfumega, Doce, Né Ladeiras), 90 (Pedro Abrunhosa), 2000 (GNR, Pilar Homem de Melo). O resultado, apesar da diferente valia dos nomes citados, segue a linha segura do trabalho com o produtor Eduardo Queiroz, já presente nos dois discos anteriores, "Paz" (2003) e "Des Construção" (2005), onde a voz de Eugénia já mostrava estar num dos seus melhores períodos: linhas pop de inegável bom gosto, vocais contidos e trabalhados, recriação criativa e não estática dos originais. O resultado, apesar da bem conseguida homogeneidade sonora, oscila com o reportório escolhido, mas há muito mais altos que baixos. "Se quiseres ouvir cantar", "Asas (eléctricas)" em balanço sambista, "Romaria", "Põe os teus braços à volta de mim", "Eu sou" (nunca as Doce terão soado assim) ou "Se eu fosse um dia o teu olhar" são alguns bons exemplos.
Publicado por Eugénia Melo e Castro às 01:47
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