Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

"Que saudades..."

Eugénia Melo e Castro fala ao Notícias da Covilhã da "sua" Covilhã
 
Nasceu na Covilhã. Saiu de cá com 14 anos, para estudar em Lisboa. Recorda uma infância feliz na Cidade Neve, as vindimas, a neve, as quermesses, o chá e o Sumol de ananás no Café Montalto. Eugénia Melo e Castro regressa à sua terra natal para um concerto no Teatro Cine, e deixa ao NC um livro de recordações da sua meninice na cidade. À qual costuma vir, apesar de já cá não ter casa.
 
Notícias da Covilhã- Nasceu em 1958 na Covilhã, e por quantos anos por cá se manteve?
Eugénia Melo e Castro- Vivi na Covilhã até aos 14 anos, e continuei a ir passar férias até aos 22 anos.
 
Porque deixou a cidade?
Porque fui estudar para uma escola de artes plásticas, em Lisboa. Depois, os meus avós, com quem vivia na Covilhã, morreram. Enfim, coisas de família.
 
Que recordações tem da Covilhã dessa altura?
As melhores recordações de sempre. Uma vida muito boa, uma infância mais que feliz, muito ar livre, muita liberdade, vindimas, lagares de vinho, romarias, quermesses, neve, braseiras, chá, muito chá, bolos, torradas. Sumol de ananás no Montalto e gargantas de freira. As festas, amigas, o colégio, e a minha casa… que era a casa mais maravilhosa do mundo, o jardim, o cheiro…
 
Ainda mantém algum tipo de relação com amigos ou familiares na Covilhã?
Alguns amigos e recordações são eternas…mas vejo muito pouco as pessoas. Cada um seguiu o seu caminho…
 
Há quanto tempo não vem à cidade?
Há um ano estive aí uns dias. Eu tenho o hábito de ir passear por aí, subir à Serra, ficar a vadiar por aí, mas fora de fins-de-semana e de feriados e férias. Vou no meio da semana e fico ao sabor do vento
 
Porquê incluir a Covilhã neste rol de concertos que vai dar pelo País?
Eu tento sempre ir à Covilhã cantar. O Teatro Cine foi o primeiro palco que eu pisei, com seis anos. Primeiro, numa peça de teatro organizada pelo Colégio, depois para dar um ramo de flores à Amália Rodrigues.
 
Que conhecimento tem da cidade em termos culturais. Acha que a Covilhã tem boas referências musicais?
A Covilhã sempre teve grandes referências musicais e culturais. A Covilhã era uma espécie de laboratório de artistas, escritores, compositores. Hoje em dia sei que com a presença da Universidade da Beira Interior, a cidade cresceu e com esse crescimento aumentou claramente a necessidade de eventos culturais.
 
E a cidade, como é que vê hoje, mais desenvolvida e muito diferente de então?
É realmente outra cidade. No meu tempo era mais pacata, naturalmente…
 
Diz que divide a sua vida entre o Brasil e Portugal. Ainda tem casa na Covilhã, e família cá?
Tenho família, mas casa já não tenho…nem as quintas, nada de nada… e que saudades, Deus meu!
 
Este seu novo disco é baseado em letras de bandas e músicos célebres em Portugal. Porquê esta opção?
Porque eu sempre quis gravar estas músicas, que eu vi serem lançadas em tempo real. De artistas meus amigos e contemporâneos. Não é um disco de memórias. É um disco de músicas que quando iam sendo lançadas, eu dizia- “Esta ainda vou gravar um dia…”
 
Que diferenças surgem em relação aos temas originais?
Eu tentei fazer a minha leitura sem quase nenhuma influência musical dos arranjos dos originais. Tentei transformá-las em músicas minhas.
 
Para quando um disco de originais?
Fiz o “Paz” em 2003, totalmente de originais, e tenho pronto um disco novo, também só de originais. Só falta gravar…talvez para o ano que vem.
 
O que espera do concerto que dará no Teatro-Cine? Muita afluência e até rever gente que por cá ficou? Acha que será acarinhada de forma especial pelos covilhanenses?
Sim, sem dúvida. Vai ser também um reencontro de amigos. Acho que vai ser emocionante!
 
Neste 25 anos de carreira, o que acha que faz falta ainda ao seu trajecto musical?
Falta, falta…talvez cantar blues, jazz, um disco em inglês, francês e italiano, um velho sonho sempre adiado. Mas eu só vou sentindo a falta do que ainda quero fazer… e do que me vou lembrando que ainda não fiz…
 
Será possível, no futuro, haver um disco de Eugénia Melo e Castro com temas próprios da região da Serra da Estrela e em concreto, da Covilhã?
 
Músicas e temas da Beira Baixa? Populares? Eu já tentei fazer uma pesquisa sobre essas músicas. O meu avô Ernesto era um músico muito ligado a essas recolhas. Eu acho a ideia muito boa e interessante. Eu própria lembro-me de muitas músicas. Aliás, eu gravei agora a Romaria dos Jáfumega com a memória das festas e músicas populares de raiz que sempre ouvi aí. Vou pensar nisso seriamente. Gostei da ideia...
 
Por João Alves
Publicado por Eugénia Melo e Castro às 02:38
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