Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2022

CARTOGRAFIA MUSICAL MUTANTE de EUGÉNIA MELO E CASTRO - 40 ANOS de TERRA DE MEL - por TARIK DE SOUZA

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Multiartista inquieta e inventiva, a portuguesa Eugénia Melo e Castro tem projetado sua voz, composições e performances muito além das fronteiras de seu país. A começar pelo eixo monumental de sua obra, que abarca duas nações de laços históricos, idioma comum, apartadas por um oceano: Portugal e Brasil. Filha dos escritores Maria Alberta Menéres e Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro - nas artes, E. M de Melo e Castro (Poeta pioneiro do Concretismo em Portugal) ela nasceu em Covilhã, Serra da Estrela, e trilhou um caminho peculiar até decidir-se pela música como principal meio de expressão artística.
 
Após aprender piano, canto e artes gráficas em Lisboa, estudou cinema e fotografia na London Film School (chegou a fotografar profissionalmente, em Lisboa, o prêmio Nobel de literatura colombiano Gabriel Garcia Marques).
 
Em 1977, criou e atuou no grupo de teatro Ânima, que abordava poesia experimental concreta, sonora e visual encenada. No mesmo ano, e no seguinte, integrou outro grupo teatral, A Barraca, onde trabalhou, entre outros, com o diretor brasileiro Augusto Boal (do Teatro do Oprimido), Mário Viegas, Maria do Céu Guerra e Julio Pereira.
 
Ainda em 1978, estreou como atriz de cinema, no primeiro filme de Joaquim Leitão, “Pra frentex”, e em “Três corvos negros”, ao lado de Luís Lucas, produzido para a RTP (Rádio e Televisão de Portugal), na série Contos Tradicionais Portugueses.
 
Até 1985, compôs, interpretou e produziu musicalmente oito bandas sonoras de filmes de animação da série “Ouriço cacheiro” para a RTP, no âmbito do intercâmbio de filmes de animação para a UER (União Européia de Radiotelevisão).
 
Também na RTP,  em 1980, apresentou uma série de 24 programas semanais de TV, “Quadrados e quadradinhos”, em que aliou as funções de produtora musical, cantora e compositora, acompanhada pelos, a convite dela, iniciantes do grupo Trovante.
 
Mas o batismo de fogo de sua voz límpida, translúcida e cortante, além da caligrafia autoral multifária, ocorreu em 1981. Neste ano, ela cruzou o Atlântico e foi ao Brasil convidar o pianista e maestro Wagner Tiso, o pilar instrumental do movimento musical mineiro Clube da Esquina, para assinar direção e arranjos de seu disco de estréia, “TERRA DE MEL”. “Escolhi o Wagner porque ele era o mestre e maestro do som que eu ouvia nos discos do Milton Nascimento. Fui descobrindo o arranjador por trás das músicas e isso para mim era fundamental. O ambiente sonoro, os arranjos, os instrumentos escolhidos, o bom gosto e a ousadia. Eu ouvia os discos sempre acompanhada das leituras das fichas técnicas, conhecia os músicos como se fossem meus amigos”. Mas, porque essa opção inicial, por pavimentar uma ponte direta com a cultura brasileira? Ela responde:
- Desde 1976, eu estava ligada e participava da cena musical e cultural que se fazia em Portugal, fui aprendendo com os compositores novos. Mas, eu sonhava um dia poder cantar, gravar e compor com os músicos que eu ouvia, que me chegavam do Brasil. Para mim era tudo natural, música e poesia e a língua portuguesa era um elo super importante, cantada de uma forma melódica e super bem encaixada nas melodias, métricas e sons perfeitos. Isso era algo encantatório, a língua portuguesa fluía mais docemente. O motivo era fazer algo com música e com a vida, ser isso, cantora, compositora, viver intensamente essa idéia”.
 
1982 -  É lançado o primeiro disco. Eugénia não perdeu tempo. “TERRA DE MEL, considerado neste ano, o melhor disco editado em Portugal,  e ela a melhor cantora portuguesa, entre oito faixas, trazia seis de sua própria lavra. Gravado e misturado no Angel Studio, de Lisboa, entre os meses de julho e outubro, ele surpreende pela predominância de parcerias suas com o compositor gaúcho Kleiton Ramil. “Ele apareceu na minha casa levado pela minha mãe, que o viu aflito e sozinho na rua, na porta da RTP. E caiu numa espécie de caldeirão artístico do que se vivia e fazia em Lisboa. A minha casa era um pólo de artistas, atores, músicos escritores, pintores, onde ele ficou cerca de um mês. Deixou-me umas quatro ou cinco músicas gravadas em violão, em K7, e fui fazendo as letras”. No disco, entraram da etérea “Diferença horária” (“pensas no tempo/ que vai levar/ primeiro o corpo/ depois o estar”) à em “Em milímetros” e “É assim”. Também entra no disco o clássico nativista “Vira virou”, composto apenas por Kleiton. “Ele a fez na minha cozinha, em casa”. No Brasil, Kleiton teria uma bem sucedida carreira em dupla com o irmão Kledir, autor da música reflexiva e faixa título Terra de Mel (“Dás-me os olhos para ver/ o que está na minha mão/ ela está entre o que eu sei/ e antes do ainda não) com letra de Eugénia, pincelada pelo acordeon de Wagner. Kledir participa também do disco ao violão Ovation e percussões. De Kleiton sozinho, também, é o “Beco do Tiso”, instrumental que homenageia o maestro do disco, e traz Eugénia em vocalise. “Resolvi abrir o disco com essa música para deixar bem claro que eu não seguiria os caminhos lógicos das carreiras das cantoras padrão. Não recorri conscientemente a nenhuma influência, os vocais vieram naturalmente com a própria música”. O carioca Yório Gonçalves, que tinha trabalhado com o afamado compositor português Zeca Afonso (do hino político “Grandola, Vila Morena”) é o parceiro de Eugénia em duas outras músicas do disco, “Cais” e “Começo de mar”. “Ele é um músico sensacional, brilhante, até hoje tenho músicas dele para colocar letras. Agora vive na Alemanha”. E adiciona:
“A repercussão do disco em Portugal foi fantástica, era um som novo, meio mix de Portugal e Brasil, eu tinha 22 anos, tudo muito no começo, e com a autenticidade do que se faz com uma energia enorme e cheia de força. Foi um grande encontro entre músicos portugueses e brasileiros, talvez o primeiro assim em estúdio em Lisboa. Nessa época, não se falava em renovação do fado, que ainda estava numa espécie de limbo para mim e para a minha geração. O que estava se renovando era a MPP, Música Popular Portuguesa, cada um procurando seu lugar. O fado é uma canção de Lisboa e/ ou de Coimbra. A música popular portuguesa urbana e nacional é outro assunto”.
 
Em 1983, viria “ÁGUAS DE TODO O ANO “Foi todo composto durante o lançamento do ‘Terra de mel’, no Brasil. Tive de convencer a então Polygram a gravar nos estúdios da Barra da Tijuca, no Rio, e o Wagner fez os arranjos. Fui compondo ao sabor dos amigos que chegavam e queriam participar”. Repleto de ases instrumentais brasileiros (de Chiquinho do Acordeon a Ricardo Silveira, Mauro Senise, Paulinho Braga, Ohana, Luis Alves, Robertinho Silva), ele traz novas parcerias da cantautora com Kleiton Ramil (“Lugar sem fim”) e Yório (“Fora da terra”). E mais, uma estréia, com o mineiro Tunai, irmão de João Bosco (“Ao cair da tarde”), que toca na faixa, e outra com o amazonense Vinícius Cantuária (“Duas cidades”), igualmente convidado instrumental.
Há uma regravação do majestoso clássico do Clube da esquina “Um gosto de sol”, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Do letrista, com outro ilustre músico mineiro, Túlio Mourão, é a angulosa “A dança da lua”, em que Eugénia terça vozes com Ney Matogrosso. “Eu o conheci no Rio. E quando o Ronaldo disse que estava a fazer a letra para mostrar ao Ney Matogrosso, aí, eu me adiantei e disse, essa é minha. E fui convidá-lo. Foi o primeiro dueto luso brasileiro gravado, e eu resolvi dividir em frases que se alternavam, para tentar imaginar uma só voz, uma só língua portuguesa, em nossas duas vozes”. Cintila ainda no disco “Meu e assim” (“debaixo do céu há uma casa/ de cima do céu há uma asa/ no meio do seu corpo eu sei”), parceria de Eugénia com Caetano Veloso, a quem conheceu em Lisboa no show dele, “Outras palavras”. “Ficamos bem amigos. Sua música foi a última a chegar ao estúdio, quando já estávamos quase em mixagens”. O disco foi distinguido com os
2 prêmios Se7e de Ouro- melhor disco e melhor cantora 1983. foto e arte final da capa - Cafi.
 
Cada vez mais fluente na estética binacional que edificou, ela desembarcou em seu
"EUGÉNIA MELO E CASTRO III " em 1986, sob produção do experiente Guto Graça Melo. “Sempre controlo o meu repertório a 100%. As escolhas são minhas, sempre, até hoje. Mas ouço sugestões, claro, ouço muitas coisas. Mas como também gosto de compor, tento equilibrar. O Guto fez a produção e escolhemos juntos os músicos, o conceito, foi uma maravilha gravar esse disco. Era a primeira vez com orquestra em estúdio, enfim foi sensacional”. Nove violinos, três violas e três cellos colorem a intensa “Magicamente” (“o coração tem tempo/ atrasa um pouco num momento/ e se adianta ao sentimento”), que tem arranjo de base do violonista/guitarrista Toninho Horta, parceiro autoral de Eugénia na música. “Eu fui conhecendo cada vez mais compositores, é natural, circulávamos todos nos mesmos meios, e isso facilitou as parcerias”. Como a do samba cadenciado letárgico, “Cobra aranha” (“suspensa por uma corda/ silenciosa/ enrolo a luz do meu olhar/devagar”), com Francis Hime, sob arranjos, regência e teclados de Gilson Peranzetta. Também há parcerias de Eugénia com Yório (“Velho mar”), John Lucien (“A cor do ar”) e uma releitura de “Meu e assim”, dela com Caetano, com participação da guitarra do lendário ás do soul brasileiro, Robson Jorge. Há espaço no disco ainda para uma composição de José “Zeca” Afonso (“Que amor não me engana”) com arranjo e participação de Tulio Mourão no piano, e o mítico poeta luso Fernando Pessoa, musicado por Milton Nascimento, em “Vaga no azul”: “Não sei o que é, nem consinto/ a alma que o saiba bem/ visto da dor com que minto/ dor que minha alma tem”. Capa de Valéria Costa Pinto e foto de J R Duran.
 
A aliança com Caetano Veloso solidifica-se ainda mais no disco “CORAÇÃO IMPREVISTO" (1988). A enevoada faixa título é mais uma parceria dele com a cantora, com quem dueta ao sabor do lirismo refratário da letra: “dentro de mim quase existo/ quase tudo/ quase aquilo/ quase isso/ oposta desde o início”. “Eu mandei a letra para o Caetano, aliás, mandei duas e ele escolheu esta. No dueto, tentamos ser o mais suaves possíveis, a música é difícil, a letra também não é fácil. Fomos ao encontro de nossas interpretações de uma forma muito parecida”. E rememora: “Este disco começou a ser gravado em Lisboa e terminou no Rio. Andei com as fitas às costas, literalmente, e eram pesadas. Mas deu certo. Previa apenas piano e voz - com Wagner Tiso. Mas teve como convidados Zeca Assumpção, contrabaixo, na música com Caetano, Carlos Zíngaro, violonista português, em ‘Longe’ (Ronaldo Bastos/ Danilo Caymmi) e Pedro Caldeira Cabral, guitarra portuguesa em ‘Os argonautas’”. Além da releitura deste icônico fado de Caetano (do refrão, “navegar é preciso/ viver não é preciso”), o roteiro ainda traz mais uma densa parceria da cantora com Toninho Horta (“Fogo de palha”, como sugere o título, “feita de uma assentada só”), outra com Guto Graça Mello (“Princípio e fim”, música dele, que ela letrou, “numa única noite, em modo directo”) e a rara de Milton Nascimento e Wagner Tiso “Talvez em teus olhos”.
Apimenta o repertório, a lusitana “Maldita cocaína”, de Cruz e Souza e Almeida Amaral (“hoje não posso deixar/ esse pó de maldição/ vivo da sua ilusão/ acordada e a sonhar”), puxada para o tango, no acordeon de Wagner Tiso. “É uma música que se canta em Portugal desde os anos 1920, quando foi feita, e pertencia a uma peça de revista. Eu a incluí porque adorava o clima da música e era inesperada sua inclusão num disco meu. Sempre a cantei nas rodas de música de Lisboa”.Capa de Valéria Costa Pinto e foto de Miguel Rio Branco.
 
Em 1989, saiu a primeira coletânea da obra de Eugénia, “CANÇÕES E MOMENTOS”, algo que o mercado só concede a grandes vendedores de discos. “Foi idéia da gravadora, eu jamais faria uma coletânea a essa altura da vida. Por isso, exigi que tivesse alguns temas originais”. Foram incluídas uma inédita versão ao vivo da faixa título, de Milton Nascimento e Fernando Brant, outra da inaugural “Terra de mel” (parceria dela com Kledir ) e ainda uma releitura de “Todo sentimento” (Cristóvão Bastos/ Chico Buarque). Todas contam com o solitário acompanhamento do pianista, registradas no especial “Eugénia Melo e Castro convida Wagner Tiso”, da emissora lusa TV 7 Colinas.
No ano seguinte,1990, uma superprodução de impacto, “O amor é cego e vê – canções portuguesas” atesta a vitalidade desafiadora da solista, já a partir da capa. Em pose recostada estilo maja desnuda, linda foto de Miguel Rio Branco, Eugénia está sem roupas, mas assexuada. “Com a arte de Valéria Costa Pinto a minha idéia foi usar a novíssima técnica de computador para ‘ausentar o corpo’. A máquina chamava-se Sigmagraf, ninguém tinha, foi uma super produção”. O termo abrange também a parte musical, com arranjos e direção musical de Wagner Tiso e Eugénia. Trata-se de uma tour de force por diversas fases e estilos da canção portuguesa, com estelares convidados brasileiros, entre cantores e instrumentistas, e os luminares lusos Carlos Zíngaro (violino) e Mario Laginha (piano). “Foi tudo bem complicado, muitos convidados, estéticas e épocas diferentes, gravado em Portugal e terminado no Brasil. Esse disco não foi pacífico...mas vale muito pra mim, pois foi a primeira vez que grandes cantores brasileiros cantaram músicas portuguesas, algumas mais conhecidas, outras completamente anônimas”. Em especial, “Contrastes” (Luiz de Freitas Branco), lançada por Corina Freire, em 1907, onde Eugénia dueta com Chico Buarque. “É uma canção lírica jamais autorizada a ser cantada sem ser pelo mundo lírico. E eu consegui essa autorização. Foi um disco bem difícil de produzir”. Simone é a convidada de “Caminho errado” (João Nobre), emoldurada pelo flugelhorn de Marcio Montarroyos, gravada por Luiz Piçarra, em 1950. Popularíssima no Brasil, na voz da fadista mitológica Amália Rodrigues, a partir de 1958, “Foi Deus” (Alberto Janes) reúne, mais uma vez, Eugénia e Ney Matogrosso, lânguidos e afiados.
Gal Costa, o cello de Jaques Morelenbaum e Eugénia revisitam “Quando a tua boca beijo” (Mario de Vasconcellos e Sá), sensualidades que Nina Barreira desvelou em 1920. Durante anos, um dos principais representantes do sotaque musical português no Brasil, o cantor Francisco José emplacou, em 1960, “Olhos castanhos” (Alves Coelho Filho), recriado no disco em dueto da solista com Caetano Veloso. “Ele nem precisou de letra, sabia tudo de cor”. Já para a faixa título, “Amor é cego e vê” (Matos Sequeira/ Pereira Coelho/ Amândio Rodrigues/ Afonso Correia Leite), “que pedia uma interpretação magistral”, ela escalou Milton Nascimento. “Enfim, fui compondo o puzzle. Foi um enorme sucesso de vendas, e algumas críticas pela primeira vez muito duras. Era um projeto ambicioso, incomodei bastante...”.
 
O álbum seguinte, 1994, o duplo “LISBOA DENTRO DE MIM- O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL" resultou de um projeto ainda mais ambicioso. “Foi totalmente produzido por mim, gravamos na capital portuguesa com arranjos do Wagner. Foi feito para a ‘Lisboa capital da cultura 1994’, mas levei um ‘golpe’ do Governo e da Cultura. Eles desentenderam-se, entre o Comissariado do Ano de Lisboa Capital da Cultura 94, e o Secretário do Governo (não tínhamos Ministro da Cultura). Eram de partidos diferentes, e eu não era, nem nunca fui de nenhum partido. Fui chamada para elaborar uma homenagem e fiquei no meio da guerra deles, a ver navios, literalmente. Mas como já tinha gravado e estava lindo, licenciei para a BMG, saiu, e foi um enorme sucesso. No show no CCB, em Lisboa, coloquei pela primeira vez três pianos Steinway no palco, para o Wagner Tiso, o Antonio Pinho Vargas e o Mario Laginha tocarem juntos. Foi deslumbrante”.
O repertório entrelaça, com ainda maior profundidade, as nascentes das músicas lusitana e brasileira. “Procurei assuntos e temas que tivessem em algum momento a ver com Lisboa, com o imaginário de Portugal, com a poética misteriosa e fantasiosa dos portugueses em relação à Lisboa”. Exibindo suas multifaces entre o drama e a carícia, a voz de Eugénia viaja do “Soneto” (“Que dias há que n’alma me tem posto/ um não sei quê, que nasce não sei onde/ vem não sei como, e dói não sei porque”), do primal vate Luis Vaz de Camões (1524-1580), musicado por Wagner Tiso, ao mito sebastianista “Ulisses”, poema de Fernando Pessoa (1888-1935), musicado por Mario Laginha: “Este que por aqui aportou/ foi por não ser existindo/ sem existir nos bastou/ por não ter vindo foi vindo/ e nos criou”. O avô da cantora, Ernesto Melo e Castro, emparceirado com Anrique Paço D’Arcos, desvela a “Canção do encoberto”: “Dom Sebastião de mim próprio/ a mim próprio ando a guardar/ e em manhã de nevoeiro/ a mim próprio hei-de voltar”. Um poema de seu pai, E.M. de Melo e Castro, “Um homem que canta e vê” (“um homem que se vê/ cantando/ no meio do sonho”) foi musicado igualmente por Mario Laginha, autor do arranjo, que executa num trio de pianos com Wagner e Antonio Pinho Vargas. A este, por sua vez, coube musicar “O sentimento dum ocidental”, do poeta Cesário Verde (1855-1886): “Nas nossas ruas, ao anoitecer/ há tal soturnidade, há tal melancolia/ que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia/ despertam-me um desejo absurdo de sofrer”.
No caudaloso delta estético do disco navegam ainda o seminal modinheiro Domingos Caldas Barbosa (1740-1800), da “Viola de Lereno”, considerado um dos pais da canção brasileira, em “Saudades no Tejo”, encordoado pela guitarra portuguesa de Pedro Caldeira Cabral, e o patriarca erudito popular carioca Heitor Villa Lobos (1887-1959), de “Modinha”, lancetada pelo violino luso de Carlos Zíngaro. “Acho as modinhas filhas dos mesmos pais e mesmas mães, em Portugal e no Brasil”, define Eugénia. Ela é co-autora de outro tema crucial do disco, “O cerco”, com Wagner Tiso, com introdução incidental de “Lisboa antiga”, de Amadeu do Vale. De Eugénia ainda, com Frederico Valério, é a ode do título,“Lisboa dentro de mim”, que sintetiza o primeiro CD do duplo: “Sente o que eu sinto e invento/ dentro de nós somos sons/ de sonhos em movimento”. No segundo disco, “Lisboa fora de mim – O acidente dum sentimental”, a atmosfera muda. São apenas três faixas, onde os músicos Wagner Tiso (piano), Nico Assumpção e Yuri Daniel (contrabaixos) e Marcio Montarroyos (trumpete e flugelhorn) soltam amarras, num ambiente de improvisos, de tônus jazzístico. Ele acolhe uma releitura mais dramatizada de “Maldita cocaína” (Cruz e Souza/ Almeida Amaral, da revista “Charivari”, de 1929), a flutuante “Não sei dançar” (Alvin L.), lançada no Brasil pela pop roqueira Marina Lima, e o langoroso standard de Cole Porter, “The laziest girl in town”, com uma intromissão incidental do fado “Foi Deus”. “Tudo são desafios e momentos de experimentar estéticas”, sanciona Eugénia.
 
Aparentemente, um projeto cartesiano como “EUGÉNIA MELO E CASTRO CANTA VINÍCIUS DE MORAES”, de 1994, não seria um destes momentos. Mas, só aparentemente. Muitos meandros permearam o percurso até o arremate final, como conta a solista:
- “Eu estava com idéias de gravar um disco só com poemas de Fernando Pessoa, musicados por compositores brasileiros. Dei ‘Emissário de um rei desconhecido’ para o Milton Nascimento musicar. Nessa altura, apareceu misteriosamente um projeto igual e aconteceu o disco ‘Música em Pessoa’, onde eu cantei essa música, uma vez que tinha sido eu a pedi-la ao Milton. Era um projeto meu, que foi engolido – mas andei em frente e criei outro, que seria gravar Vinícius de Moraes. O dono da Som Livre, João Araujo, queria entrar com a gravadora Som Livre (da TV Globo) em Portugal. Queria um disco de artista português, mas que tivesse também o cunho brasileiro, e tudo se conjugou”.
Também, a princípio. Na verdade, a idéia de Eugénia era “procurar na obra de Vinicius sua face mais erudita – e foi somente esse o ponto”. Tal detalhe foi “escondido” pela cantora, que entrou no estúdio da gravadora no Rio, com Wagner. “Fiz mistério sobre o repertório”. Resultado: “Quando João ouviu, ficou preocupado, pois nunca imaginou que eu tivesse evitado a obra mais bossa de Vinicius”. Nem um único samba, do autor que se intitulava o branco mais preto do Brasil. Mas era essa a idéia: “Ele escreveu esses poemas que eu cantei, pensando nas conjugações mais próximas do português que se fala em Portugal, por isso as escolhi. Não me sinto bem a cantar expressões totalmente do português do Brasil. Questão minha, não sinto que soem bem na minha interpretação”. O poeta carioca castiço aparece em sua face mais camerística, nos temas candentes de autoria solitária, “Serenata do adeus”, “Valsa de Eurídice”, “Medo de amar”, parcerias com Tom Jobim, como “Soneto da separação”, “O que tinha de ser”, “Por toda a minha vida”, “Derradeira primavera”, “Modinha”, “Chora coração”, “Eu sei que vou te amar”, “Canção do amor demais”, com Edu Lobo (“Canção do amanhecer”) e até com o erudito Claudio Santoro, “Amor e lágrimas”. Da aliança de Vinicius com Baden Powell, nenhum dos afro sambas, mas a desconhecida “Canção do amor ausente”, com participação do tenor erudito Eduardo Álvares. Nos alicerces instrumentais de tal argamassa clássica, os grupos Cello Ensemble e o Quinteto Villa Lobos, além do multinstrumentista Egberto Gismonti. “Fui eu quem o chamei. Pedi arranjos de orquestra de câmera e, claro, Egberto mandou tudo em teclados, só para contrariar, hehehe... Foi dificílimo acertar as entradas, mas adorei. Se eu tivesse pedido
sintetizadores, ele teria mandado em camerata, cordas, clássico”, ironiza.
Cereja do bolo à parte é a luxuosa e acidental participação de Tom Jobim em mais uma de suas parcerias com Vinicius, “Canta, canta mais”. Relata Eugénia:
- “Foi uma surpresa. Estávamos a gravar o meu disco no piano dele, ainda estacionado no estúdio da Som Livre – ele tinha terminado a gravação do que seria seu último disco, e o instrumento ainda estava lá. Um dia, o Chico Buarque ligou-me a pedir uma tarde de estúdio para gravar o ‘Choro bandido’, com o Tom, para o songbook do Edu Lobo e, claro, que eu disse sim. No dia seguinte, quando chegou, o Tom me perguntou o que eu estava a gravar. Eu ri: um monte de músicas tuas, em homenagem a Vinicius. Ele perguntou se ainda havia alguma a gravar, e pediu ao filho Paulinho para tirar o meu tom. Gravamos na manhã seguinte. Foi sensacional. Piano e voz, no final de agosto de 1994. Foi provavelmente sua última gravação”.Capa de António Campos Rosado e foto de Luis Magone.
 
De novembro de 1995, “EUGÉNIA MELO E CASTRO AO VIVO NO SESC POMPÉIA”, revisa parte do repertório da homenagem a Vinicius (“Canção do amor demais”, “Valsa de Eurídice”, “O que tinha de ser”, “Modinha”, Derradeira primavera”, “Por toda a minha vida”) ressignificada pela vibração da audiência.
A cantora trocou de sede brasileira. “Nos anos 90, mudei meu pouso no Brasil, do Rio para São Paulo. Eu já freqüentava muito o ambiente musical paulista. Para mim foi apenas simplificar a vida, pois vivia na ponte aérea entre as duas cidades. Uma transição natural, porque já tinha sido convidada para vários shows em SP. Daí, o transportar e continuar a cantar as músicas que já cantava, com novos arranjos, novos músicos, novas possibilidades e também novos temas, novos parceiros”. Luminar do instrumental paulistano, Nelson Ayres é o diretor musical e pianista do disco, Paulo Bellinati comparece com o violão virtuoso, e o baixista convidado é Itamar Collaço, que integraria o icônico Zimbo Trio.
O trajeto musical abarca fados d’álém e d’aquém mar: “Argonautas”, de Caetano, “Fado da sugestão” (Felisberto Ferreirinha), “Fado tropical” (Chico Buarque/ Ruy Guerra), aqui com a participação da atriz Mika Lins, e o tradicional “Fado Lisboa” (Raul Ferrão/ Álvaro leal), de 1934, que ela já havia visitado no disco “Lisboa dentro de mim”. “Esse roteiro foi desenhado em função da escolha do repertório. Nessa altura, abordar um tema mais próximo do ambiente do fado já não era para mim um susto. Eu estava bem mais aberta a entender e brincar com algumas referências mais portuguesas. Uma questão de evolução e amadurecimento”. Tanto que o show traz ainda uma releitura satírica do acendrado hit (inclusive no Brasil) do fado, “Perseguição”, de Avelino de Sousa e Carlos da Maia. A personagem vitimada e perseguida torna-se perseguidora: “se de mim nada consegues/ é porque não me persegues/ constantemente na rua/ sabes bem que eu sou casada/ isso não quer dizer nada/ eu só penso em ser tua”. Também a reeditada “Maldita cocaína” lusitana, vem agora acompanhada por “A cocaina” (1927), de J.B. da Silva, o carioca Sinhô, o pioneiro rei do samba, transportado para o ambiente do tango. Cenário de Guto Lacaz. Produção do show e foto da capa Claudio Kahns. Produção musical de Nelson Ayres.
 
Em 1996, Eugénia voltou ao cinema, no duplo papel de atriz e cantora em “Bocage, o triunfo do amor”, do cineasta Djalma Limonge Batista.
- “Neste filme interpretei a Liberdade. Cantei esse poema ‘Liberdade’, de Bocage, com música de Lívio Tragtemberg. Esta canção não está presente em nenhum disco. O filme fez o circuito internacional de festivais de cinema, em Cuba, Berlim, Portugal, Brasil, e o Sundance Film Festival, de Utah, EUA, onde foi premiado com a melhor direção artística”.
 
Em 1998, Eugénia surpreende uma vez mais com “RECOMEÇO”, que seria, na verdade, o espantoso título de seu disco de estréia. “Trata-se da demo que fiz em Lisboa, com alguns músicos portugueses, em estúdio, violão e voz, uma musica tinha piano. Foi antes de ir ao Brasil, em janeiro de 81, convidar o Wagner Tiso para vir gravar comigo”. Informa a ficha técnica: “Maquete gravada em Lisboa, nos estúdios Musicorde, entre os anos de 1977 e 1979, com produção musical e escolha de repertório de Julio Pereira (arranjos à viola) e participação “à viola” de Jaime Queimado. Ela avaliza a audácia:“Achei interessante lançar, porque afinal, eu tinha gravado um disco sem saber. Algumas músicas nem chegaram a entrar em ‘Terra de mel’ e achei tão bem gravado, muito simples e sincero, resolvi lançar”. Algumas faixas entraram no primeiro disco oficial, como “Cais”, “É assim”, “Diferença horária”, “Vira virou”, “Em milímetros” e outras ficariam para sempre inéditas (“Águas são águas”, “Deste lado”, “Já sei...não sei”, “O outono e o fim”) não fosse este disco.
 
No mesmo ano, ela idealizou, criou e produziu o programa de televisão “PROGRAMA ATLÂNTICO”, realizado em Lisboa, durante o verão de 1998, e transmitido a partir de março de 1999, em Portugal, pela RTP1 e, no Brasil, através da TV Cultura, em 2000. A ideia foi alargar a sua experiência pessoal a outros artistas de ambos os países. Reuniu durante 14 semanas, cada programa de 50 minutos, duplas de cantores e compositores dos dois países, em duetos inéditos e a solo. Idealizado e apresentado por Eugénia, “Atlântico” contou com a co-apresentação de Nelson Motta como convidado, em todas as edições. Ganhou, em Portugal, o “melhor programa”, em 1999, e é considerado um dos melhores programas de TV em Portugal, desde sempre.
 
Foi também neste ano, que o produtor carioca Almir Chediak convidou Eugénia para participar do portentoso songbook da obra de Chico Buarque, o maior da série, com oito discos, totalizando 118 gravações. Ao lado de expressivos astros da MPB das mais diversas constelações, como Edu Lobo, Djavan, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Cauby Peixoto, Elza Soares, Caetano Veloso, Beth Carvalho, João Bosco, Zeca Pagodinho, Lenine, Gal Costa, Dominguinhos e Johnny Alf, à Eugénia coube “Tanto mar”, uma evocação do compositor à Revolução dos Cravos, que marcou o fim da ditadura lusa, em 1974. Na primeira versão, a música de Chico Buarque chegou a ser censurada no Brasil pela ditadura militar local, mas a segunda, de 1978, já à beira da anistia brasileira, passou. Ela não trazia mais a euforia comemorativa da primeira letra, já que a situação se modificara em Portugal: “Foi bonita a festa, pá/ fiquei contente/ e ainda guardo renitente/ um velho cravo para mim”. “Foi esta que o Chediak escolheu. Chamei o Wagner Tiso para fazermos um piano e voz, numa intenção já pensada, condizente com certa tristeza e desilusão”, admite ela. “A idéia era mais uma vez conjugar a sonoridade de uma voz portuguesa com a profundidade da letra, numa versão musical intimista, mas sem ser dramática”.
 
Mais um álbum registrado ao vivo no SESC Pompéia, em junho de 2000, “MOTOR DA LUZ” (faixa título de Caetano Veloso) ostenta a cantora na plenitude de seus domínios vocais e interpretativos. “Ele foi idealizado para ser com uma Camerata que o Wagner Tiso formou para a gravação. Tivemos muito poucos ensaios e isso facilitou os improvisos: era tudo ou nada”. Promove pungentes incorporações de “Meia noite” (Edu Lobo/ Chico Buarque), “Longe” (Danilo Caymmi/ Ronaldo Bastos) e “Retrato em branco e preto” (Tom Jobim/ Chico Buarque), com fragmentos de “Gota d’água” (também de Chico) e “Coração vagabundo” (outra de Caetano). E mais, o raríssimo vanguardista precursor Valzinho (“Viver sem ninguém”, de 1950), prova do mergulho cada vez mais profundo de Eugénia na garimpagem de pérolas da música popular. “O repertório foi todo elaborado por mim. Fui imaginando algumas músicas ligadas com outras. Sempre me fascinou a idéia de interligar universos, datas, épocas estilos”. Como ocorre ainda na acoplagem conceitual da candente “Lição de astronomia” (“choverão estrelas, enfim/ estrelas de ti/ sobre mim”) de Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, de 1992, com “Estrelas” (1994) do ex- Titãs, Arnaldo Antunes, e “Estrela pequenina” (1933), do ancestral autor para-folclórico brasileiro Hekel Tavares.
Também da fase antecessora da MPB modernista é o Custódio Mesquita (“Espera coração”, 1940), em sincronia com o luso “Quando a tua boca beijo” (Mario de Vasconcelos e Sá, 1920), e o americano Cole Porter, numa avassaladora imersão em “Laziest girl in town” (1927), por quase sete minutos. “Bem que se quis” não abre o disco por ter sido o cartão de visitas para o debute arrasador da carioca Marisa Monte. Bem ao contrário. “Descobri essa música, ‘E po’ che fa’, do compositor italiano Pino Danielle, e pedi ao Nelson Motta que fizesse uma versão. Mas eu demorei para gravar e ele pediu para dar a uma cantora nova que ele iria lançar”. Antes de mais uma traquinagem de Eugénia - uma versão dramatizada da cantiga de roda “Atirei o pau ao gato” - o roteiro encerra na adequadamente intitulada “Surpresas”, mais uma inesperada parceria da cantora. “Conheci o Gonzaguinha, em 1985, no Rio, e ele foi várias vezes a Lisboa, cantar e fazer shows. Em 1987, ficou quinze dias de férias, era verão, fazíamos passeios, mostrei-lhe várias letras minhas e ele adorou ‘Surpresas’. Fez a música e cantou para um gravador em pleno Castelo São Jorge, com os barulhos da cidade e um eléctrico a fazer tlim tlim, gente a rir. Gravei essa música já depois da morte do Gonzaguinha. Fizemos um trabalho de edição nessa K7, o Wagner Tiso tocou piano atrás da voz dele. Foi o dueto possível, porque tínhamos combinado gravar juntos”, lamenta.
 
“Nos sentimentos mais profundos moram as zonas invisíveis. Entre distâncias possíveis e impossíveis. Em cada coisa ou lugar elas estão lá, à espera de serem notadas”. Quem assina este texto, que se desdobra no encarte de “PAZ”, gravado no Estúdio Anonimato, em São Paulo, entre julho e agosto de 2002, é Eugénia MC. Quase uma personagem, desenhada na capa do disco, pela artista plástica e escultora Fernanda Fragateiro e fotografada na parte interna com a cabeleira em riste e calçados de Bob Esponja, ela explica a nova transformação:
- “Cansei-me um pouco do meu lado intérprete ‘séria’. E encontrei no Eduardo Queiroz uma porta para um disco autoral com outras possibilidades, fases novas da vida. Enfim, achei graça também de poder abreviar o meu nome. Tinha os MCs atacando na época, mas essa não foi uma boa idéia, vejo isso bem agora, anos depois”. Queiroz responsabilizou-se pela produção musical e arranjos, além de samplers, teclados, programação, violão, guitarras e baixo, neste mergulho da cantora numa atmosfera mais eletrônica. “Foi uma mudança boa, acho que tudo o que muda mais ainda é dentro de mim, na minha cabeça. A rapidez dos tempos não permite grandes análises a estas mudanças internas. Acabam sendo mudanças que dão pé a outras. Um caminho que se desenha natural no meio de muitas vontades diferentes de experimentar coisas novas”. Com exceção de uma regravação de “Velho mar” (parceria com Yório Gonçalves), o disco só traz inéditas autorais da cantora. Em muitos casos, além da letra, ela assina também a parceria musical, na maioria das faixas com Eduardo Queiroz. Como “Paz” (“não estou em lugar algum/ que se possa descrever/ do silêncio sobra o resto/ que o barulho ensurdecer”), “Ausência” (“não sinto a tua vinda ao meu encontro/ não estou onde estarias se assim fosse”) e “Imagem” (“penso nisso de sentir/ o que, afinal, não se sente/ não se sabe/ não se entende”). “Tem três músicas que eu considero sensacionais, ‘Paz’, ‘Ausência’ e ‘Imagem’. Só isso já me deixa muito feliz nesse disco”, sumariza.
 
Capturado “ao vivo”, no supra citado estúdio Anonimato, de São Paulo, entre maio e outubro de 2004,
"DANÇA DA LUZ ” é mais uma parceria coesa de Eugénia (direção artística e seleção de repertório) e Eduardo Queiroz (violão, guitarra, teclados), que divide com ela a produção, e nada menos de nove temas autorais. “Nós rodamos muito esse repertório do CD ‘paz’, e como fizemos algumas alterações – o que sempre acontece quando se faz muitos shows – resolvemos regravar algumas músicas”. Entre outras, lá estão “Reza nocturna”, “Paris 88”, “Zona invisível”, “Linha da vida”, “Infinito”. A elas, foram acrescentadas as parcerias de Eugénia & Queiroz, “Dança da luz”, “J’attends”, “Cést la vie”; dela com o baixista da gravação, Renato Consorte, “Onde/ Aos antepassados” e de Queiroz com a filha da cantora, Mariana Melo, “Continuamente”; além de “Nothing really ends” (Tom Barman), do grupo belga dEUS .
 
Em seguida, 2006, mais uma audácia estética de grande porte: no álbum duplo “DESCONSTRUÇÃO”, Eugénia aborda, com intensidade e nenhuma vassalagem, um compositor a que atribui “toda a importância do mundo” em sua lírica pessoal. “A obra de Chico Buarque é para mim um alívio, uma cura para uma doença grave. Um impulso para estar viva e acreditar no valor individual. Eu escolhi o Chico Buarque autor total, de música e letra, sem parceiros. Ele achou boa a idéia, inclusive, porque a nossa proposta era alterar harmonias e isso ele poderia autorizar, sem termos que incomodar outros parceiros. Deu-nos muita liberdade”. Também sob direção musical e arranjos de Eduardo Queiroz, o disco foi gravado no estúdio Anonimato, em São Paulo, entre maio e junho de 2004. “O Eduardo é um compositor e arranjador que trabalha muito com música para cinema e isso cria uma autoria visual em música muito forte. Esse foi o atractivo básico e fundamental”. Há convidados como a cantora Adriana Calcanhotto na acoplagem de “Bem querer” e “Futuros amantes”; Celso Fonseca, violão e guitarra em “A mais bonita”; Pedro Jóia, violão e alaúde árabe, em “Acalanto para Helena” e os violoncellos de Jaques Morelenbaum na versão confidente de Eugénia para a recorrente “Roda viva”. Ah, sim ,e Chico Buarque, o próprio, no dueto dissonante de abertura, na corrosiva “Bom conselho” (“inútil dormir/ que a dor não passa”) e mais adiante, na não menos farpada “Injuriado” (“Se eu só lhe fizesse o bem/ talvez fosse um vício a mais/ você me teria desprezo por fim”). Não foram os dois únicos encontros das duas vozes. “Em ‘Olé olá’, eu sempre imaginei aquela música singela em leitura falada, como um quase rap. O Chico gravou comigo em rap, mas no final pediu para não incluir no disco. Era a primeira vez que ele tinha feito um quase rap, usou a idéia para a ‘Ode aos ratos’, no seu disco seguinte. Mas, ele autorizou a versão cantada e falada para o YouTube. Eu reabri a sessão e gravei o rap sozinha no disco”.
Como indica o título, o duplo promove uma desconstrução programada da obra de Chico, incluindo uma releitura brutalista e eletrônica da estrutural “Construção”. “As idéias para cada música fui eu que desenvolvi. O Eduardo Queiroz lia minhas explicações e realizava os arranjos”. Nem mesmo a bucólica e marcial “A banda” escapou da irreverência com superposição de vozes e uma intromissão da gravação original do autor, de 1966, quando a música foi uma das vencedoras do Festival da TV Record daquele ano. “Foi um sampler, como uma memória, afinal, tudo com o Brasil para mim, começou com ‘A banda’, tinha eu uns seis anos de idade, e mudou minha vida para sempre. Direcionou-me para isso aqui...”.
 
Nova guinada estética e desabrochou “POPORTUGAL”, mais um gravado em São Paulo, entre março e abril de 2007, produção de Eugénia, dividida com Eduardo Queiroz, também responsável por arranjos, direcção musical, guitarra, teclados, piano, samplers, percussão, loops. “Esse universo pop em Portugal é muito forte, muito rico e bom. Tive vontade de cantar algumas músicas emblemáticas do pop português, quase todas dos anos 80 e 90. E o Eduardo nunca tinha ouvido nada. Para ele, não tinha gravidade nenhuma remexer nesse repertório considerado sagrado em Portugal”, assevera. “Foi divertido, eu sabia que estava a mexer num vespeiro. Os músicos em Portugal raramente são desapegados das suas versões originais, e foi tipo uma ousadia que me saiu cara, mas eu adorei”. Sem um pingo de reverência, circulam temas de Sergio Godinho, “O sopro do coração”, com Helder Gonçalves (lançada pelo grupo Clã, em 2000) e Pedro Abrunhosa (“Se eu fosse um dia o teu olhar”, gravação do próprio, de 1995) a Pedro Ayres Magalhães (“Amor”, com Heróis do Mar, “Sonho azul”, por Né Ladeiras, ambos de 1984) e Tozé Brito (“Se quiseres ouvir cantar”, lançada por ele, em 1972, e “”Eu sou”, com Pedro Brito, pela banda Doce, em 1981). Foto de Bene Porto.Arte de Paulo Oliveira.
 
O duplo “30 ANOS, CANTA, CANTA MAIS, de 2012, com 33 faixas, recapitula a trajetória da cantora, mas também abre a ela novos rumos. “Essa compilação é importante para deixar registradas uma época e uma opção. Acho essa coisa de colectanea meio chata, sempre procuro acrescentar algo de novo. Foi importante registrar quase todos os duetos que fiz, também músicas que gostei de gravar sozinha. Me obrigou a rever o meu trabalho, coisa eu não tenho vontade de fazer. Gosto do novo, o que ainda não fiz. Não fico ouvindo meus discos...nem fazendo muitas análises. Faço como acredito na hora e depois sigo em frente”. Do emotivo encontro com Tom Jobim na faixa título, já descrito, aos dois com seu filho, Paulo Jobim (violão, viola) em “Estrelaria” e “A luz do meu caminho”, ambas parcerias dele com Ronaldo Bastos, à revisita da pepita recôndita “Two kites”, composta em inglês, que escalou o hit parade americano na voz do autor. “Adoro essa música e tem pouquíssimas versões dela, com arranjo original do próprio Tom Jobim”. Outro pilar da bossa, Carlos Lyra, divide com ela “Amarga vinha”, composição dele, que gravaram em 1995. “Foi um convite para participar de seu disco ‘Carioca de algema’. Não sou fadista, mas dei o meu melhor”. Pescado no disco “Lisboa dentro de mim”, “Ulisses”, poema de Fernando Pessoa, musicado pelo pianista luso Mario Laginha também foi escalado. “É um sonho, o Mario é absolutamente genial e fez essa obra prima. Ele foi meu diretor musical por três anos, fizemos muitos shows, mas, infelizmente as gravações não tinham qualidade suficiente para serem lançadas”. Outro poema incluído, é “Cantar”, de Antonio Botto. “Pedi ao Wagner Tiso para musicar este grande poeta português. Ficou lindo com ele e o Pedro Caldeira Cabral, um gênio da guitarra portuguesa”.
Também entram na compilação, duetos com Caetano Veloso (“Olhos castanhos”), Chico Buarque (“Bom conselho”), Milton Nascimento (“Amor é cego e vê”), Ney Matogrosso (“Foi Deus”), a supra citada montagem póstuma com Gonzaguinha (“Surpresas”), e mais encontros com as cantoras Gal Costa (“Quando a tua boca beijo”), Simone (“Caminho errado”) e Adriana Calcanhotto (“Bem querer/ Futuros amantes”). Paulo Moura sopra seu clarinete melífluo em “Medo de amar”, do disco em homenagem a Vinicius de Moraes. “Ter o Paulo Moura como convidado é um privilégio total. Um grande acerto atemporal”.
 
E depois do Rio e São Paulo, Eugénia transfere-se temporariamente para uma terceira capital brasileira, Belo Horizonte. Lá, grava “UM GOSTO DE SOL”, em 2011, um mergulho nas entranhas do Clube da Esquina mineiro. Uma travessia telúrica:
- “Minas e Portugal tem imenso em comum. Na sua maneira de ser, no seu comportamento social, fechado mas inovador, calado, mas alegre e louco, enfim uma identificação muito forte.
A produção do disco foi de Robertinho (sobrinho do letrista Fernando) Brant, também autor dos arranjos. “Foi super importante, ele é um perfeccionista alucinado e meticuloso. Sabe o que quer, analisa possibilidades, leva os artistas à loucura, mas o resultado é transformador. Para mim como cantora, um retorno ao desconhecido. Tive de reaprender a colocar a voz. Foi um desafio muito forte e, claro que eu estava disposta a passar por isso, o que nem sempre acontece”.
Megaclássicos do Clube, como “Cais”, “Um gosto de sol” (ambos de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), “Sol de primavera” (Beto Guedes e Bastos), entoados por uma Eugénia à flor da pele, desfilam ao lado de canções igualmente densas e menos difundidas como “Tarde” (Milton e Marcio Borges), “Fruta boa” (Milton e Fernando Brant) e “Luz e mistério”, rara associação de Beto Guedes e Caetano Veloso. Portugal e Minas entrelaçam-se na inclusão de um excerto de “A hora absurda” de Fernando Pessoa (numa coda de “Cais”) e o poema do lusitano “Vaga no azul”, musicado por Milton, que participa da faixa. “Regravação desta música que registrei em 1986, mas que eu errei as notas e agora, finalmente, com a ajuda do Milton as notas estão certas”. A própria Eugénia imprime a digital luso-mineira a suas parcerias com Wagner Tiso, que participa ao piano, em “O cerco” (“um lado meu erra o alvo/ um lado meu erra o salto/ um lado meu fica ao alto/ outra metade está solta”) e Toninho Horta, faixa que destaca, “um momento maravilhoso”. Ele é o titular do violão e dueto vocal, na valsa dissonante “Fogo de palha”: “meu coração nunca acerta/ meu coração nunca falha/pára/ e no lugar que a dor aperta/ arde um fogo eternamente”. capa do artista plástico Rodrigo Guimarães.
 
Em ambiente familiar, “CONVERSAS COM VERSOS”, não por acaso é estrelado por Géninha Melo e Castro, apelido em criança da cantora. Ela vadeia o universo onírico de sua mãe, Maria Alberta Menéres, neste disco singular, ilustrado por desenhos de sua filha, Mariana Melo. “A minha mãe é talvez a mais importante escritora infantil e juvenil de Portugal. Este disco é baseado em seu primeiro livro de poesia infantil, do mesmo nome, ‘Conversas com versos’”. Produzido e gravado no estúdio Anima, de São Paulo, por Eduardo Queiroz, em 2013, ele traz as letras do livro musicadas por ele, o violonista Camilo Carrara, o percussionista Nath Calan, que formam a base instrumental, e a própria Eugénia. “O tratamento musical está absolutamente em harmonia com a poesia, um casamento muito feliz. É muito difícil fazer músicas infantis boas, ao contrário do que se pensa. É um sucesso, e em Portugal está lançado em conjunto com o próprio livro, com partituras e edição especial. Um belo projecto apoiado também pela Fundação Gulbenkian”. Desfilam em clima entre onírico e didático “A árvore” (“Qual é a coisa, qual é ela/ que se prende à terra por sua raiz/ de si própria cresce/ e em casca se embrulha?”), “Os nomes” (“Porque eu me chamo coelho/ e não me chamo melão?/porque eu me chamo lagartixa/ e não me chamo cão?”) e “As pedras” (“as pedras falam/ só entende quem quer/ todas as coisas tem alguma coisa para dizer”). Eugénia ainda brilha em três duetos, no samba estilizado “O meu chapéu/ Consulta”, ao lado de Ney Matogrosso, no rap orientalista “O nariz”, e “Nomes”, ambas com Lino Krizz. capa e ilustrações de Mariana Melo.
 
Se no anterior, Eugénia abordou a obra da mãe, “MAR VIRTUAL”, gravado no Estúdio Arsis , em São Paulo, entre setembro e outubro de 2017, é um encontro de contas com as artes vanguardistas do pai, o engenheiro têxtil, ensaísta, poeta e artista plástico que se assina E.M de Melo e Castro. Seu livro “Ideograma”, de 1962 é considerado o marco fundador da poesia concreta e do experimentalismo em Portugal. “Este é um trabalho difícil que eu me arrisquei a fazer, com alguns poemas experimentais do meu pai. O pianista Emilio Mendonça eu conheço, e com ele trabalho desde o disco ‘Paz’. Foi o parceiro ideal, um compositor que entendeu e superou o difícil recado que lhe dei.”. Emilio e Eugénia confeccionaram as músicas dos poemas, com exceção de “Velho” (“tu que serves és servido comes/ tu que comes és comido cavas/ tu que cavas és cavado morres”), de Ana Deus e Alexandre Soares e “Das duplas figuras”, de Gilberto Assis. “Recriamos ‘Um homem que canta vê’ e ‘É de manhã’, músicas de Mario Laginha para os poemas de meu pai. A seleção foi muito difícil e nada óbvia”.
Concentrado em voz e piano, o disco surpreende pela amplidão de possibilidades deste aparente minimalismo. Como a de fazer porejar música da enumeração do “Soneto soma 14 X” (“14342 / 23306/ 41612”). Ou redimensionar a litania de “Paisagem” (“se todas estas árvores são árvores/ aquelas árvores são árvores também/ mas eu não sei se as árvores são só árvores/ ou se as árvores são pedras também”). Pictórica, “Sintaxe das misturas” (“vermelho amarelo e/ azul vermelho/ vermelho azul e/amarelo vermelho”) concatena ambiências visual e sonora. Nos tilintares de “Vidro”, o desafio de trilhar uma letra espelhada, como sugere a matéria prima do título. Jogo de vozes ecoantes retinem “Das duplas figuras” (“faço isso tudo/ como se fosse entrudo/ ando pra frente/ no meio da gente/ fico na mesma/ a olhar pra lesma”). A valsa intervalada e dissonante “Relações perigosas” confeita enumeração de outra natureza: “Pai mãe filha filho avô avó tio avô avó/ avo tia tio tia-avó/ sobrinho primo prima irmã/ cunhada pai mãe esposa neto neta filho”. De “Chama” (“em cada nome o meio pelo nome/ que o nome no nome se incendeia”) participa o homenageado, em diálogo com o canto da filha. A própria Eugénia destaca “Caminho para o mar”, faixa de abertura, que, de certa forma, emblematiza as artes desta circunavegadora afeita a oceanos. “Fico olhando sem medo/ o cruzeiro do sul/ nesta estrela polar/ fecho as ondas que pus/ no mar de ser assim”. capa e projeto gráfico de Alexandre Amaral / Selo Sesc.
 
Tendo transitado por tantas vertentes ao longo de uma carreira que não se fecha em rótulos nem pode ser aprisionada por estereótipos, Eugénia descarta situar-se esteticamente num porto seguro. “Isso seria tentar definir o impossível, embora, se eu for obrigada a refletir, vejo um percurso cheio de direções, nem sempre paralelas, mas sempre em continuidade. Desafios e imperfeições naturais de quem tem muitas idéias na cabeça, mas tem de as organizar e tem de as realizar. E muito foco, nem que seja para depois desfocar”.
 
TARIK DE SOUZA , Rio de Janeiro, 2022
 
FOTO neste post - VÂNIA TOLEDO
 
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2021 - SWEET PSYCHEDELICS , Banda em que Eugénia participa apenas como cantora, o primeiro disco com o mesmo nome SWEET PSYCHEDELICS, produzido por Robertinho Brant e gravado em Belo Horizonte. Musicas e violão de Robertinho Brant, Letras e vocais de Marcelo Sarkis, Bateria de Rike Frainer, Guitarra, teclados, vocais e co produção de Thiakov Davidovich.
Lançamento Sony Music Enterteinment / World 2021. Desing e capa de Humberto Mundim.
 
www.sweetpsychedelics.com , também Youtube e Facebook  da Banda Sweet Psychedelics
instagram - sweetpsychadelicsofficial
 
 

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 13:46
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Sexta-feira, 27 de Março de 2020

Canta, Canta mais, com Tom Jobim - piano e voz

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 18:09
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

Show Mar Virtual , Cd Selo SESC - Maio 2018 - Piano e Voz com Emílio Mendonça

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 17:37
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ALFABETO CONCRETO (o meu primeiro poema concreto)

FOTO ALFABETO CONCRETO.png

 

 

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 17:09
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shows de lançamento do cd MAR VIRTUAL - Maio 2018 ! SESC IPIRANGA São Paulo !! foto do ensaio......

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 17:02
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018

MAR VIRTUAL - lançamento SELO SESC - São Paulo - MAIO 2018

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Eugénia Melo e Castro nos acostumou com a característica elegância do seu canto. Brindou-nos com interpretações admiráveis da MPB. Foi pioneira do que se costuma chamar o diálogo musical entre os dois lados do Atlântico onde se fala português.

Agora nos lança, literalmente, nas águas do experimentalismo, ao se atirar, ousada e segura, no oceano da poética vanguardista de seu pai, o poeta português E. M. de Melo e Castro, mentor da Poesia Experimental lusa, surgida na década de 60, e que inaugurou um amplo intercâmbio com o Concretismo brasileiro.

Mar Virtual agrupa músicas compostas pela filha, que também selecionou os textos, e amesendou-se na companhia de Mário Laginha, Ana Deus, Alexandre Soares, Gil Assis e Emílio Mendonça, coautor de 10 composições do CD. Mendonça é músico reconhecido, produtor e professor. Já acompanhou figuras como Tom Zé, entre outros. Neste projeto, toca em todas as faixas, além de ser o arranjador e o diretor musical.

A seleção dos textos abrange poemas desde o início da obra paterna, até a atualidade. Eugenia enfrentou textos espinhosos, como “Soneto soma 14”. É como se adotasse a veia experimental do pai, enveredando por vias melódicas mescladas com a densidade da vanguarda e o lirismo expressivo.

Ela ousou remexer, com argúcia e atenção, no magma da obra do pai, e içar de lá genuínos diamantes em forma de músicas que despertam inúmeras sensações, explorando todas possibilidades.

Voz e piano não limitam a empreitada, pelo contrário, criam ambiências que se repetem, dialogam e ampliam as ressonâncias contemporâneas, de Eric Satie a Philip Glass ou alguma Lira Paulistana, miscigenando o erudito e o pop com total desenvoltura.

Ouça-se a faixa “Velho”, exemplar na sua modernidade; ou a parceria com Laginha, “Um homem que canta e vê”, resultando num intimismo delicado.

Neste genuíno encontro entre pai & filha; entre voz & poema; entre experimentação & desafio, filha & pai conjugam, em uníssono, o amor e o afeto pela palavra e a música.

 

Texto de Jorge Henrique Bastos,  São Paulo, 2018

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 15:04
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018

NOVO SITE DE EUGENIA

https://eugeniameloecastro.art/

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 03:23
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Lançamento digital EUGENIA canta VINÍCIUS DE MORAES ( gravado pela Som Livre em 1994 )

Captura de ecrã 2018-03-29, às 03.16.51.png

Em todas as plataformas digitais, ITUNES, SPOTIFY, finalmente relançado digitalmente pela SOM LIVRE BRASIL !

Participação especial de TOM JOBIM Piano e voz com Eugénia na música CANTA MAIS, e de EGBERTO GISMONTI  em MODINHA e CANÇÂO DO AMOR DEMAIS.

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 03:17
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Som Livre Brasil relança em formato digital o Cd de 1986, Eugénia Melo e Castro III

"O disco da cantora e compositora portuguesa, Eugénia Melo e Castro, é um relançamento especial. Lançado em 1986, o álbum tem parceiras de cantores como Caetano Veloso e Francis Hime, Yorio Gonçalves,  além de uma música inédita de Milton Nascimento, Vaga no Azul, sobre um poema de Fernando Pessoa." Um disco antológico.

Se você curte MPB, essa é uma ótima dica. Vem ouvir:

 

EUGENIA MELO E CASTRO III

 

https://somlivre.lnk.to/emc

 

Captura de ecrã 2017-02-02, às 12.05.40.png

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 12:01
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Terça-feira, 10 de Maio de 2016

meus Cds no iTunes e em todas as plataformas digitais

Fotos meus Cds no I Tunes.png

 

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 13:12
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2016

pausa para descansar de tudo um pouco

Captura de ecrã 2016-04-06, às 15.02.30.png

 

 

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 15:00
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Domingo, 28 de Fevereiro de 2016

SHOWS - dia 17 em Bragança // dia 20 em Braga - Março 2016

Captura de ecrã 2016-02-28, às 16.02.12.png

 

 

 

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 16:02
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015

SAMBA ENREDO !!! deixaeuentrarnosambaí !!

10 de Dezembro, Rio de Janeiro 2015

Está pronta a gravação do primeiro Samba Enredo luso carioca da história....... DEIXAEUENTRARNOSAMBAÍ é uma parceria minha com Alemão do Cavaco, considerado atualmente o melhor compositor de Samba Enredo do Brasil, e também produtor e músico de primeira água. Esta letra minha foi escrita à uns 10 anos atrás, pelo menos, e estava à espera de um parceiro assim. Escrevi para o fim a que se destina, para uma samba enredo. Há muito que me interesso pela temática do samba enredo, a historia, o seu desenvolvimento. Ailton Graça, ator e amigo do Alemão do Cavaco, é o padrinho oficial deste nosso Samba Enredo. Foi ele que nos conduziu um ao outro. Alemão do Cavaco é inovador e guerreiro, sabe o que quer, e como quer. Produz com uma precisão e uma segurança impressionantes. Foi uma aula, uma honra, uma delicia, um privilégio. Podem esperar mais uns dias, apenas, o vídeo está sendo terminado em São Paulo, e o mix final estará na minha mão dentro de uns dias. Estou ansiosa. Cantei com a precisão e o rigor que o ritmo impõe, um coro de bambas, uma bateria de percussão inacreditável, músicos de uma qualidade incrível, uma nova e sensacional experiência. Por isso eu sempre me pergunto, que mais me reserva esta minha atribulada vida ?? Estou do lado bom da alegria e da competência, MUITO OBRIGADA ‪#‎mesa2‬, ‪#‎fernandocardoso‬ ‪#‎robertomonteiro‬ ‪#‎ailtongraça‬   , ‪#‎mariojorgebruno‬ , #alexandrepanzoldo, ( Alemão do Cavaco ).

Já já publico os nomes de todos os músicos envolvidos nesta gravação, que acredito, vai surpreender os mais incrédulos e conquistar empedernidos corações. !!!!! rsrsrsrsr DEIXA !! ‪#‎deixeuentrarnosambaí‬ !! entrei.......

 

Captura de ecrã 2015-12-10, às 16.08.01.png

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 18:06
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015

Entrevista sobre o show SereiA Portuguesa e sobre a nova música inédita DEIXEUENTRARNOSAMBAÍ, Samba enredo que encerra o show da SereiA

5 EugÇnia Melo e Castro - Foto MilaMaluhy-1140.J

 


- Qual foi a inspiração deste SAMBA ENREDO novo, desta sua nova PARCERIA INÉDITA , e logo com o ALEMÃO DO CAVACO, o melhor compositor atual da Escola de Samba da MANGUEIRA ?


Eu queria mesmo fazer um Samba Enredo, a letra veio pronta na minha cabeça, ja há pelo menos uns 8 anos. E ficou ali pronta na gaveta, esperando um momento para ser musicada, não poderia ser musicada por um compositor normal, teria de ter a linguagem musical de Samba Enredo, que é muito particular, tem regras próprias. É preciso ser do ramo…… a ideia depois do show é ir ao Rio para gravarmos com a Bateria da Mangueira, com o Alemão do Cavaco, enfim, tipo a sério mesmo com os músicos da Mangueira.......

 

- Porquê a parceria com a escola de samba Mangueira?
Porque é a minha Escola no Brasil, dos meus amigos mais amigos desde o primeiro dia no Brasil, era a  Escola de Samba do Tom Jobim, que até escreveu a musica "Piano na Mangueira", enfim, foi por afinidade, sempre torci pela Mangueira nos desfiles de Carnaval, ja desfilei pela Mangueira na avenida, enfim, muitos anos de Mangueira no coração.

 

- Como foi o processo para finalizar a música com Alemão do Cavaco?
Eu falei nisso de terminar o show da SereiA com o meu samba enredo, que resumia o que eu queria passar para as pessoas. Falei nisso com o diretor da SereiA , o Fernando Cardoso, e o nosso produtor Roberto Monteiro, eles são amigos do ator Ailton Graça, ou seja, foi através do Ailton Graça, foi ele que mandou a letra para o Alemão do Cavaco da Mangueira, que em 8 dias nos devolveu esta maravilha, gravada com ele a cantar e tocar no cavaquinho, uma delicia.

- Porquê você quis misturar fado com samba?

São dois tipos de musica que sempre estiveram misturados, muitos historiadores ja escreveram tratados sobre isso, sobre onde nasceu o fado, e onde nasceu o samba, as raízes possíveis, isso é um tema sem fim……. mas que sempre me interessou muito exactamente por estar sempre confrontada com essas duas influencias musicais. E em ambos os casos existe um ritual de pedir licença ao fado, de pedir licença ao samba, acho isso lindo, era isso que eu queria, o fado pede passagem, na mais alta linhagem, para entrar no samba…... e desfilar na avenida !!


- É a primeira vez que você cria esse "mix” de fado e samba?

Ao longo destes anos todos de trocas e de buscas de interpretação pessoais, sempre usei os dois universos musicais e poéticos. Não sou fadista nem sambista........  mas há sempre muitas influencias, impossível nao absorver as línguagens musicais. Este Samba enredo é um dos resultados de 35 anos a navegar nessas águas mistas…. 26 discos gravados e lançados em Portugal e no Brasil, pode imaginar o que eu já misturei musicalmente e poeticamente…. mas este samba enredo é especial e diferente, é radical e explicito.


- Você tem uma ligação muito forte com a MPB. Como é sua ligação com o samba, especificamente?

Com o Samba nu e cru, muito pouco, mas com a bossa nova, filha do samba, isso sim, cabe mais no meu estilo e nas minhas recriações musicais.

 

- Entre as canções do repertório do seu show, há alguma outra inédita? Ou que nunca foi gravada? Qual?

No show todas as musicas, quer os fados, quer as canções, são todas recriadas por mim, mas não tem musicas inéditas ( tirando o samba - enredo ). Umas são do gosto e do ouvido popular, como o Fado da Açorda, ou o Não vás ao mar Tóino, ou O mar enrola na areia, coisas bem da infância de todos nós. O resto são fados e canções tradicionais portugueses, que eu escolhi a dedo por estarem no imaginário afectico dos brasileiros, e dos portugueses que moram há muito tempo no Brasil. São músicas da época que a musica portuguesa vinha muito ao Brasil passar grandes temporadas, Amália Rodrigues, Francisco Jose, Esther de Abreu, anos 50 e 60, e com muito sucesso popular no Brasil. Algumas ficaram dentro da memória, embora esquecidas, mas sempre lá. Sabia que a Amália Rodriques gravou os seus primeiros 8 discos no Brasil, o primeiro de todos em 1945 ??? no Rio de Janeiro para a editora Continental ??? isso precisa de ser dito !! Foi no Brasil que a Amália começou a sua carreira discográfica !! Tudo isso eu conto no show, coisas sobre grandes portugueses que se destacaram a sério no Brasil no século XX, e não são poucos....... quando terminar os shows publico a lista e explico o que cada um fez !! é sensacional, uma espécie de homenagem a esses portugueses super especiais e importantes no Brasil.

 
- Você traz canções e faz comentários ao longo do espetáculo sobre a cultura de Portugal. Você acha que a cultura portuguesa ainda é pouco difundida no Brasil?

Sim e não, cada vez se sabe mais e melhor sobre o Portugal de agora, contemporâneo, no Brasil, em todas as áreas culturais e empresariais, apenas acho que contar algumas coisas pessoais e específicas sobre Portugal, o meu Portugal, e avivar a memórias das pessoas que gostam de Portugal, é importante, é interessante, eu gosto de contar histórias sobre tudo o que é bom em Portugal. Nunca é demais. Sempre falei muito mais de Portugal nas minhas entrevistas, do que do meu trabalho específico, a curiosidade desperta-se por uma resposta diferente e que pode levar a muitas outras perguntas, e isso é bom, é estimulante.


- E você comenta também muitas memórias sua relacionadas à grandes nomes da música brasileira. Quem e porque ??


Tom Jobim, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi , Helena Jobim Edu Lobo e Chico Buarque, são os nomes de artistas brasileiros que eu cito por terem referencias com as histórias que vou contando ao longo do espectáculo, algumas vividas comigo, outras que ouvi dentro do tema REZA A LENDA … mas nos shows sempre é imprevisível, pois eu poderia ficar 3 horas apenas a contar historias super divertidas e verdadeiras, que eu vivi, outras que quase só eu sei, em vez de fazer um show de musica, por isso , quase sempre de dia para dia no palco tudo muda, eu lembro-me na hora de uma história ao vivo e conto, não tenho regras rígidas de roteiro, eu conto o que me lembrar, se a conversa for para esse lado. Isso é o que mais me diverte……. adoro contar algumas histórias que se relacionam com o que vou cantar, ou não…...


- Comente três canções principais, e porquê as incluiu no repertório, o que significam para você

- Incluí o fado DESFADO porque acho, alias, acho eu e acham milhões de pessoas, que é um fado extraordinário, uma letra absolutamente genial, uma musica alegre, feitas por um novo e grande compositor em Portugal, que é o Pedro da Silva Martins, e cantado pela sensacional Ana Moura, que é uma das grandes novas cantoras de Portugal. Estamos a passar uma fase de altíssimo nível em Portugal de novos cantores, novos compositores, novas aventuras musicais, sempre tivemos um património cultural musical e poético riquíssimo, e lá está, como não falar disso nas entrevistas ??? no palco ?? detesto assuntos redutores e preguiçosos, gosto da criatividade e da novidade possível que se vai renovando, geração atras de geração, e um dia descobrimos que estamos todos a trabalhar no mesmo sentido, as mesmas ideias se cruzam. Entre os artistas as afinidades podem ocorrer a milhares de km de distancia, ou de anos luz, mas cada um acaba por se encontrar, com a sua personalidade bem definida, com milhões de influencias mais ou menos refinadas ou específicas, mas o encontro acontece, e isso é o que move o mundo, é o que faz a diferença e a novidade, é o que exercita a originalidade, o resto não interessa para nada……..

- incluí ESTRANHA FORMA DE VIDA porque a letra é da Amalia Rodrigues, lindíssima, e eu vejo a alma dela nesse poema, e revejo a minha alma também. Fora o lado de muito poucas pessoas saberem no Brasil que a Amalia Rodrigues também escrevia poemas, letras de fados, também era compositora.

- incluí LISBOA NÃO SEJAS FRANCESA, para brincar com a historia dos ciúmes nacionais dos seus artistas, um clássico da personalidade possessiva latina. Por exemplo, no Brasil a Carmen Miranda sofreu imenso com isso, quando foi para Holywood, ela que estava a fazer um trabalho de grande divulgação do Brasil, sofreu bastante no Brasil, ( e era portuguesa….. ), teve de responder cantando uma musica que dizia, "disseram que eu voltei americanizada"…… enfim, e eu própria, que estou nestas viagens entre o Brasil e Portugal ha 35 anos, sempre me trocam as respostas nas entrevistas escritas, tudo se transforma numa explícita preferência minha pelo Brasil, embora eu venha ao Brasil para trabalhar, crescer como artista, e nos meus trabalhos estou sempre a cantar musicas nossas,  ou a falar em Portugal, a divulgar artistas e compositores de Portugal, músicos, poetas..... mas não me dão muitas tréguas……. e em Lisboa, quando a moda era ir para Paris, fizeram esta música LISBOA NÃO SEJAS FRANCESA que resume bem esses sentimentos possessivos generalizados… só rindo…… a letra é um tratado !!

- O SHOW DA SereiA começa com a única musica que não é portuguesa , que se chama MEIA NOITE, de Chico Buarque e Edu Lobo, pois a letra é o resumo de tudo o que eu quero dizer no show, sempre foi uma musica que eu tenho sempre comigo, sempre traduz o que eu sinto, é uma obra prima ! Cantei-a como genérico no programa ATLANTICO, que idealizei e produzi para a RTP em 1998, e que no Brasil passu na TV Cultura em rede Nacional, em 2000, onde reuni aos pares, 13 artistas brasileiros com 13 artistas portugueses, foram 4 meses de exibição semanal, cada programa tinha 50 minutos, onde os artistas conversavam, cantavam sozinhos, e em dueto, era já a busca das afinidades em grande andamento…

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 19:14
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SereiA Portuguesa !! ALEGRIA ALEGRIA !! SÃO PAULO NA VEIA !!

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 19:02
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

Flyer da SereiA Portuguesa !!

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 01:05
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2015

SereiA Portuguesa !! de 21 de Outubro a 26 de Novembro 2015 - São Paulo

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Eugénia Melo e Castro

estreia show inédito

 

SereiA Portuguesa

 

TEATRO- MuBE NOVA CULTURAL

( ao lado do MIS )

tel 55.11.2594.2601

 

Av. Europa, 218, São Paulo

 

O espetáculo fica em cartaz às quartas e quintas, de 21 de Outubro a 26 de Novembro, no Teatro MuBE Nova Cultural, às 21h.

A TEMPORADA de apresentações da SereiA Portuguesa SERÁ SEMPRE ÀS QUARTAS E QUINTAS FEIRAS   de  cada semana, somando 12 shows no total.

 

Esta é a primeira vez que Eugénia, cria um show somente com músicas portuguesas.

 

Eugénia Melo e Castro construiu sua carreira entre constantes viagens entre Portugal e Brasil. Nestes 35 anos de carreira fez centenas de shows, lançou 26 CDs em ambos os países.

 

 

 

No Brasil fez parcerias autorais e cantou com Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Adriana Calcanhoto, Gonzaguinha, , Gal Costa, Maria Bethânia, Simone, Wagner Tiso, Jacques Morelembaum, Jorge Ben Jor, Chico César, Moska, entre outros grandes nomes da MPB.

 

 

Em Portugal trabalhou com Júlio Pereira, Mário Laginha, Jorge Palma, António Pinho Vargas, Pedro Caldeira Cabral, Sérgio Godinho, Fausto, Zeca Afonso, entre muits outros. Assim Eugénia tem mostrado o melhor da música brasileira em Portugal, e vice versa, o melhor de Portugal no Brasil.

 

Neste novo projeto ela apresenta exclusivamente ao Brasil o melhor das memórias emocionais da música de Portugal, em SereiA Portuguesa.

 

O show tem direção musical de Swami Jr. que também assume os violões e conta com Olivinho no acordeom. “A escolha de Swami Jr. para a direção musical foi desde o primeiro passo a escolha número um, pela qualidade musical, pela cumplicidade, pelos anos de trabalhos juntos, o Swami Jr entende o lado atual e contemporâneo que eu quero dar aos fados, o clássico junto com a ousadia, temos a cumplicidade certa para ousarmos juntos” comenta a cantora portuguesa.

 

Swami Jr é hoje um dos músicos brasileiros mais requisitados e atuantes, tanto acompanhando e dirigindo, como produzindo.

Gravou e se apresentou com grandes artistas da música brasileira e internacional como: Omara Portuondo (Cuba), Sadao Watanabe (Japão),Chico César, Vanessa da Mata, Elba Ramalho, Zélia Duncan, Elza Soares, Zeca Baleiro, Tom Zé, Jair Rodrigues, Lokua Kanza (Congo),Mayra Andrade (Cabo Verde) Dori Caymmi, Chico Pinheiro, Rita Ribeiro, José Miguel Wisnik, Ná Ozzetti, Danilo Caymmi, Virgínia Rosa, Jussara Silveira, Vânia Bastos, Luiz Tatit, Marco Pereira, Marcos Suzano, Jacques Morelembaum, Liminha, Cláudio Celso, Moska, Dominguinhos, Naná Vasconcelos, Luiz Brazil, entre outros.

 

Em Sereia Portuguesa Eugénia passeia entre canções portuguesas e fados, escondidos e escolhidos na memória musical de brasileiros e portugueses no Brasil, instalada num cenário recheado de imagens e objetos de culto de Portugal, antigos, modernos, de todas as regiões de Portugal, num misto de informações visuais e estéticas, enquanto conta as suas histórias de viagens musicais e pessoais, entre Brasil e Portugal, ao longo destes últimos 35 anos.

 

No repertório, alguns fados e canções como: Foi Deus, Nem às paredes confesso, Maldição, Perseguição, Olhos castanhos, Estranha forma de vida , Não venhas tarde, Fado Lisboa, Canoas do Tejo, O telefone, Fado da sugestão, Lisboa que amanhece, Desfado, entre muitas outras.

 

A direção cênica do projeto é assinada pelo diretor Fernando Cardoso. “Fernando é praticamente um português sonhador criativo e atento a tudo o que se passa em Portugal, e na imagem que Portugal tem no Brasil, isso me dá muita segurança, se eu exagerar ou não souber todas as respostas, que não sei mesmo, ele sabe, inventa, pesquisa, e sempre com bom humor, o que para mim, e principalmente num projeto destes, é fundamental.”, acrescenta Eugénia.

 

A cantora pretende traçar a linha que existe entre a imagem tradicional de Portugal e a experiência pessoal de ser uma artista portuguesa à solta no Brasil, de onde resultam momentos musicais e outros quase teatrais, que se completam entre si. “Queremos criar um ambiente muito português no palco, um espaço onde os clichês da cultura portuguesa como os azulejos, os galos de Barcelos, os xales, as sardinhas, o bacalhau, o vinho, as uvas, os doces e o lindo céu azul de Lisboa convivam com um outro Portugal mais sofisticado e actual. completa o diretor de cena Fernando Cardoso.

 

Este Show nasceu de uma ideia que foi lentamente se instalando dentro de mim, num misto de resposta afetiva aos sempre inúmeros pedidos do público no Brasil para eu cantar mais canções portuguesas nos meus shows. Eu não estava preparada para isso até hoje, e por isso é para mim um enorme desafio, criar e fazer esta SereiA Portuguesa. Desta vez eu vou ser bem portuguesa, e criar um ambiente musical e estético que mistura vários “Portugais” num só. Falarei de literatura, música, poesia, artes plásticas, costumes, gastronomia, moda, design, arquitetura, história, lendas,  tudo o que couber num diálogo com o público sobre o  Portugal de hoje,  e sobre o Portugal de sempre, suas referências, tradições e contradições.” finaliza Eugénia.

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 23:59
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

Vem aí a " SereiA Portuguêsa " !!

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 03:56
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2015

SHOWS " Cais de Outrora " com Swamy Jr - SESI São Paulo

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 19:47
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

Shows de lançamento no Brasil - São Paulo, 1 e 2 de Agosto de 2015

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 19:46
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

SHOW CONVERSAS COM VERSOS DIA 31 DE MAIO EM LISBOA VILLAGE UNDERGROUND

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FESTAS DE LISBOA 2015 !!!!

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 11:55
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

o Video Clip do MEU CHAPÉU / CONSULTA agora na VEVO !!! Convidado especial - Ney Matogrosso !!!

 

 

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 13:39
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Domingo, 14 de Dezembro de 2014

Release CONVERSAS COM VERSOS e contactos !!

https://madmimi.com/p/2429a5/preview

 

 

CONVERSAS COM VERSOS

NOVO ÁLBUM de EUGÉNIA MELO E CASTRO

Regresso em família de uma das mais aclamadas cantoras portuguesas das últimas décadas

ConversasComVersos Capa web

Eugénia Melo e Castro regressa, em 2014, aos álbuns de originais com uma homenagem à sua mãe, a escritora Maria Alberta Menéres.

Aproveitando a edição especial do livro "Conversas com Versos" - uma das obras clássicas pioneiras da poesia infantil portuguesa, editada originalmente em 1968 - Eugénia Melo e Castro adapta 14 poemas e apresenta 11 canções num álbum que marca o seu regresso ao universo dos mais pequenos dando continuidade e uma nova leitura à obra poética de sua mãe.

O álbum foi gravado e produzido por Eduardo Queiróz em São Paulo, em parceria com os músicos e autores Camilo Carrara e Nath Calan.

Conta ainda com as luxuosas participações de Ney Matogrosso e de Lino Krizz.

O disco acompanha o livro - agora editado pela Porto Editora - numa edição especialíssima que junta três gerações de artistas, tendo as novas ilustrações e o vídeo de animação do single “O Meu Chapéu & Consulta”, o traço de Mariana Melo, neta de Maria Alberta Menéres e filha de Eugénia.

A viagem pelos poemas de uma das escritoras que mais contribuiu para a formação literária de várias gerações de jovens ganha agora um novo adocicado na voz da filha Eugénia Melo e Castro e marca o regresso de uma das mais acarinhadas cantoras portuguesas das últimas décadas que, como a mãe, espera levar este trabalho às escolas.

Por ser tão especial o momento, pela primeira vez, a cantora assina profissionalmente como Géninha Melo e Castro, nome pelo qual é chamada desde criança.

video

Clique para ver e ouvir O meu chapéu & Consulta com Ney Matogrosso

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CONVERSAS COM VERSOS - 2014

ConversasComVersos CD web
1. As Pedras
2. Pulos
3. O Meu Chapéu & Consulta com Ney Matogrosso (SINGLE)
4. Direcção
5. Os Nomes com Lino Krizz
6. A Hora do Chá
7. O Nariz com Lino Krizz
8. A Árvore
9. Cantilena & Umas Contas
10. Ver & Viagem Espacial
11. Nascimento
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EUGÉNIA MELO E CASTRO na WEB

FACEBOOK | SITE OFICIAL | YOUTUBE


CONVERSAS COM VERSOS na WEB

FACEBOOK | SITE OFICIAL

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Os feedbacks são mais que bem-vindos!

Não hesitem em fazê-lo para:
Cláudia Duarte

tlm: + 351 963 884 269
email: claudiasaduarte@gmail.com
skype: claudiasaduarte

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 23:08
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Diário Digital hoje Entrevista 21 Nov 2014

Avó, mãe e filha unidas pelos poemas, músicas e ilustrações

 

«Conversas com versos», editado pela Porto Editora, é uma obra clássica e pioneira de poesia infantil nacional. O livro, da autoria de Maria Alberta Menéres, é agora reeditado num álbum musical que recria os poemas do livro, canções compostas pela filha da autora, Eugénia Melo e Castro. Mas há mais, já que «Conversas com versos» é ilustrado por Mariana Melo, neta de Maria Alberta Menéres e filha de Eugénia Melo e Castro...

Incluído no Plano Nacional de Leitura e recomendado para o 1º ano de escolaridade, «Conversas com versos» será apresentado em Lisboa no domingo, dia 23 de novembro, às 16:00, na Sala 1 da Fundação Calouste Gulbenkian. A apresentação contará com uma atuação de Eugénia Melo e Castro, que celebra em 2015 os seus 35 anos de carreira na música. Falamos com uma filha e mãe orgulhosa do seu passado e do seu futuro.

Qual a importância de «Conversas com Versos» na sua casa?
Era um livro vivido diariamente, desde que foi escrito,  entrou nas nossas vidas e ficou para sempre , como uma memória de tempos muito bons e muito criativos. Acredito que até hoje muitas e muitas crianças, agora adultos, e outras novas crianças, sentiram e sentirão o mesmo.

O que recorda do livro na sua infância? Qual foi o seu relacionamento com ele?
Eu lembro-me bem da minha mãe a escrever esse livro, muito entusiasmada, eu tinha uns 9 anos, e ela escrevia e mostrava. Foi uma maneira de nos contar histórias, que ela não tinha muita paciência. E assim descobriu a poesia infantil dentro dela.

O que sentiu a filha quando leu o livro escrito pela sua mãe? Nós sabíamos o livro de cor, tudo o que sei de cor é dessa altura. Era imaginativo, criativo e deixava-nos uma sensação de estar a viver aquelas ideias dela, que se traduziam em poesia. Era muito bom e muito alegre.

Como surgiu a ideia deste projeto?
A primeira edição deste livro foi em 1968, e foi pioneiro em Portugal na poesia infantil. Por isso resolvemos relançar o livro, pois a sua poesia é completamente actual, viva, pode-se dizer mesmo muito avançada para a época em que foi escrita. Tem preocupações ambientais, bichinhos, plantas, tudo em perfeita harmonia. A minha mãe faz 85 anos em 2015, e por isso achamos que seria um bom começo das homenagens..... a Porto Editora também aprovou a ideia e estamos juntos a fazer o que Maria Alberta Menéres merece, a ser celebrada e com edições renovadas. Esta é a primeira!

Como é musicar os poemas da mãe e a ver as ilustrações da filha?
É genial! fizemos a três: a minha mãe deu as suas ideias, eu dei as minhas, foi realmente feito a seis mãos. Claro que me senti super responsável pelo produto final, introduzimos as partituras das músicas. Assim, quem quiser ensinar música ou tocar poder usar as nossas músicas. É emocionante ver o trabalho realizado e tão bonito, a base poética é maravilhosa e as ilustrações estão muito emotivas, pois a Mariana é neta única e tem uma relação com a avó que é só delas.....

De certo modo «Conversas com Versos» marcou a literatura infantil nacional. Sentiu alguma pressão por musicar a obra da sua mãe?
Foi complicado transformar os poemas da sua mãe em música? Foi uma enorme responsabilidade, mas tentei fazer tal e qual ela escreveu, com o coração e com a simplicidade que ela coloca sempre em tudo o que faz, um tipo de simplicidade que transforma tudo em especial e diferente, mas sempre acessível.

Esta edição oferece ao leitor algo mais do que as anteriores edições, o CD. Até que ponto esta mais valia é benéfica para o livro em si?
É uma atração a mais, o Cd poderia sair sozinho. Foi gravado de uma forma totalmente independente, profissional, conta com participações especiais de Ney Matogrosso e Lino Krizz, e foi produziodo e gravado com músicos e primeira água, o produtor e músico Eduardo Queiróz, que me acompanha desde o CD Paz, de 2003. Juntos gravámos o Desconstrução em 2006, com o Chico Buarque, o Poportugal, em 2009, e chamamos o virtusos Camilo Carrara, um dos maiores guitarristas e compositores do Brasil e a Nath Calan, que toca Vibrafone, canta e faz percussões, com formação clássica, este disco é todo autentico e super bem gravado. Mas eu preferi fazer esta edição com o Livro + Cd para juntar as linguagens. Temos também os video clips: o primeiro já esta pronto, da canção que o Ney Matogrosso canta, O MEU CHAPÉU / CONSULTA. E esta foi a minha ideia, fazer uma celebração poética, musical e visual. Os poemas são muito musicais, por isso acho que o cd completa o livro!

Qual era a relação da sua filha com o livro?
De muito carinho, ela sempre viu a avó a escrever livros infantis e juvenis e sempre sonhou em poder um dia fazer as ilustrações, pois acompanhava o seu processo criativo ao vivo, que sempre foi uma inspiração para ela.

Como analisa as ilustrações da sua filha?
Acho que são muito criativas e bem pensadas. Ilustrar um livro não é fazer uns bonecos, tem de se entender o texto, e exaltar o que de mais importante o texto quer dizer. Acho muito sensíveis e tecnicamente perfeitas.

Teve alguma opinião final sobre os desenhos ou só viu o resultado final?
Fui vendo, mas meio de longe. A Mariana gosta de trabalhar sozinha no começo, para não se deixar influenciar, mas mãe é mãe e eu tive de respeitar as opções  dela, e não me arrependo. Eu também sou assim, não quero ninguém ao meu lado a dar palpites antes de ter as minhas ideias formadas. Depois deixo, e devo deixar, que me digam depois alguma coisa, me acrescentem, mas o começo é sempre solitário. O processo dela é igual.

O que espera do lançamento no domingo? Haverá novidades? Poderia falar sobre o evento?
Será o lançamento oficial do Livro+CD «Conversas com Versos». Eu vou cantar umas 4 ou 5 musicas de viola e voz, acompanhada por Gabriel Godoi, e será apresentado em estreia o video clip de O MEU CHAPÉU / CONSULTA. É uma honra imensa termos o apoio da Fundação Gulbenkian neste projecto, e isso deve-se ao facto da minha mãe ter ganho em 1986  o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças “pelo conjunto da sua obra literária e pela manutenção de um alto nível de qualidade”.

Leia outras relacionadas:

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 13:16
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

LANÇAMENTO OFICIAL NA GULBENKIAN DIA 23 NOV ÀS 16 HORAS

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 13:08
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

As três meninas do CONVERSAS COM VERSOS

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www.conversascomversos.com

 

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 22:35
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

11 DE NOVEMBRO NAS LIVRARIAS DE PORTUGAL !!

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Publicado por Eugénia Melo e Castro às 00:56
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

BLOG DE MARIA ALBERTA MENÉRES !!

http://mariaalbertameneres.blogs.sapo.pt/

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 23:20
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Novembro 2014 !! Lançamento em Portugal do Livro +Cd CONVERSAS COM VERSOS pela PORTO EDITORA !!

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 11:59
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

link entrevista ao blog MADE IN PORTUGAL !!!

http://musicamadeinportugal.blogspot.pt/2014/07/entrevista-eugenia-melo-e-castro-tinha.html#.U9kYjagRbGt

 

Entrevista | Eugénia Melo e Castro

"Tinha e tenho a mesma meta desde que comecei, e não me desviei um milímetro, foquei e atirei-me de cabeça"

quarta-feira, Julho 30, 2014 Made in Portugal

Eugénia Melo e Castro, uma das cantoras portuguesas mais amadas pelos músicos e pelo público brasileiro, esteve à conversa com o Made in Portugal, onde nos falou do seu percurso, dos projectos para o futuro, e muito mais.

«a música sempre foi a primeira escolha, junto com a poesia»

Made in Portugal: Como é que uma estudante de cinema e fotografia, apaixonada pelo teatro passa a uma cantora de sucesso em terras lusas?
Eugénia Melo e Castro: Desde sempre que me ouvi dizer que queria ser cantora. Mas a arte é diversa e difusa, tudo pode experimentar, principalmente num começo de vida. Tentei ser realizadora de cinema, fotografa (fotografei profissionalmente o escritor Gabriel Garcia Marques, meu único grande trabalho, quando estudava na A.R.C.O.) e fui convidada para fazer filmes como actriz. Fundei um grupo de Teatro de Poesia Experimental, que se chamava 'Anima', fiz parte da 'Barraca'. Circulava nos meios artísticos absolutamente curiosa e com uma imensa vontade de fazer parte, sabia que era a arte a minha escolha, e a música sempre foi a primeira escolha, junto com a poesia.

MIP: “Terra de Mel” foi o seu primeiro disco, que resultou na colaboração de Wagner Tiso para a produção musical do disco. Hoje quando recorda essa viagem ao Brasil para convidar um dos mais conceituados produtores brasileiros, o que pensa? Foi inocência ou convicção que a levou a bater à porta e Wagner Tiso?
E. M. C.: Nenhuma inocência, eu tinha a certeza que iria conseguir, convicção total. Eu tinha e tenho a mesma meta desde que comecei, e não me desviei um milímetro, foquei e atirei-me de cabeça.

MIP: De onde surgiu o amor pela música brasileira?
E. M. C.: Pela compreensão sonora musical, poética e linguística. O movimento que a música brasileira estava a  realizar era o que eu desejava para mim, os sons, as ideias, as palavras, as pessoas.


«os duetos que fiz foram de coração e de cumplicidades musicais»


MIP: Já colaborou com Ney Matogrosso, Tom Jobim, Chico Buarque, Simone, Caetano Veloso, Milton Nascimento, entre muitos outros. Com quem lhe falta fazer um dueto?
E. M. C.: Se a minha vida fosse um concurso faltar-me-íam muitosss! Mas os duetos que fiz foram de coração e de cumplicidades musicais, e isso só acontece com quem se está perto e se vai conhecendo. No meu caso é assim que os duetos aconteceram, todos.

MIP: Foi condecorada com o Grau de Dama da Ordem de Infante Dom Henrique, no Brasil. O que significou para si essa condecoração?
E. M. C.: Eu fui condecorada pelo governo Português, mas foi-me entregue no Brasil por questões de protocolo. Foi bom, é sempre bom receber a atenção das pessoas, o carinho. Eu gosto de ganhar prémios, de ser reconhecida, faz parte da vida do artista ser reconhecido, ou não. Recebi das mãos do Embaixador Francisco Rebelo de Andrade, e aproveitamos a festa e fizemos o lançamento de 3 livros infantis da minha mãe no Brasil (Maria Alberta Menéres ). Foi muito bom.

MIP: “Gosto de Sol” e “30 Anos Canta Canta Mais” foram editados recentemente pela editora portuguesa Farol Música. Sendo que grande parte das suas obras tem tido o apoio de editoras brasileiras, é importante este apoio de uma editora Portuguesa?
E. M. C.: Todos os meus discos foram lançados em Portugal e no Brasil, fisicamente, ao longo destes 30 anos. Excepto esta compilação de 30 anos, que só foi lançada em Portugal, e o “Um Gosto de Sol”, que só foi lançado no Brasil, e em Portugal esta lançado digitalmente pela Farol, para todo o Mundo.

MIP: O que podemos encontrar em cada um dos discos?
E. M. C.: Nos '30 anos', são 2 cds, o primeiro é só duetos, que eu fiz nesses 30 anos, e o segundo disco são algumas músicas já conhecidas e  mais sete músicas inéditas.

O outro cd é o meu mais novo cd, "Um Gosto de Sol", foi gravado em Belo Horizonte, em Minas Gerais, tem muitos convidados mineiros, cúmplices, desde o meu primeiro passo na música no Brasil, Milton Nascimento, Toninho Horta, Túlio Mourão, Chico Amaral, Wagner Tiso, entre outros, e tem na produção Robertinho Brant, que foi um mestre genial na condução da produção musical, e me ensinou a cantar de uma outra maneira, bem mais cool e diferente. É um disco divisor de águas, é uma outra espécie de leitura e homenagem a Minas Gerais, que eu considero o estado brasileiro mais parecido com Portugal.

 

«Tudo e nada pode servir de inspiração»


MIP: Em que se inspira para escrever/compor tão belas canções?
E. M. C.: Na vida, na solidão, tão amada pelos artistas, nas distâncias, nos acontecimentos às vezes nada importantes nem especiais, mas que por um milésimo de segundo o foram. Tudo e nada pode servir de inspiração. Temos de estar atentos ou desatentos a tudo. Um livro, um filme, uma outra música...

MIP: Para o futuro, há novidades? Novos temas?
E. M. C.: Novo cd, desta vez infantil, baseado no livro "Conversas Com Versos" da minha mãe, do ano 69. Está pronto, e deve sair em breve, até ao Natal está cá fora.

MIP: No dia 30 de Julho fará uma participação especial no concerto de Susana Travassos no B. Leza. Mas concertos a solo em portugal, algo previsto?
E. M. C.: Eu adoro a Susana, revejo nela muitos sinais de coragem e de qualidade que me interessam muito. Vai ser um show dela, eu só vou aparecer 3 minutos.

MIP: Muitos dizem que o sucesso que tem vindo a ter no Brasil contribuiu muito para a aproximação entre os dois países, no que toca à música. Concorda que é uma das principais responsáveis por tal?
E. M. C.: Eu fui a primeira da minha geração. Desde os anos 40 que muitos artistas portugueses por lá andaram a fazer grandes trabalhos.

MIP: Há músicos que afirmam que o povo português só dá o devido valor à nossa música, quando primeiramente é lhe dado destaque no estrangeiro. Concorda? Porque acha que isso acontece?
E. M. C.: Isso acontece talvez por causa do tamanho do nosso mercado, que é minúsculo, mas no Brasil por exemplo também é super importante para os artistas viajarem e serem reconhecidos no estrangeiro. E lá o mercado interno deles é imenso. Acho que para todos os artistas serem reconhecidos fora dos seus países é uma parte importe das suas carreiras, é uma meta comum.

MIP: Existe alguma mágoa por ter mais reconhecimento no Brasil do que cá em portugal?
E. M. C.: Acho que falta de comunicação e a minha preguiça, são bastante culpados disso. Estou apenas menos visível nas televisões em Portugal, o que seria importante, fazer uma rodada de programas e de promoção e espectáculos por aqui, isso sim.

«não acredito muito em vendas de discos, acredito mais em shows, em tournée, em clips no youtube. Tudo está esquisito!»


MIP: Reparei que no seu blog tem quase toda a sua discografia disponível para download gratuito. O que a levou a disponibilizar os seus temas para download gratuito?
E. M. C.: Eu não sou dona desse link que disponibiliza alguns cd’s meus online gratuitamente, mas gostei da ideia de alguns discos que não estão no iTunes estarem lá, tipo o "Coração Imprevisto", por exemplo, e coisas do tempo la atrás. Eu só não posso concordar quando tenho contratos assinados online com editoras discográficas, estou a tentar que esses saim da lista.
Eu sou dona de 80% do meu catálogo e não acredito muito em vendas de discos, acredito mais em shows, em tournée, em clips no youtube. Tudo está esquisito! Por outro lado temos de proteger os autores, isso é uma faca de dois gumes.

MIP: De um modo geral qual a sua opinião sobre a música actualmente feita em Portugal e a (intitulada) nova geração de músicos portugueses?
E. M. C.: Acho que tem muita gente nova muito boa a cantar e a compor, a acreditar na música. Isso é muito bom. Gente tipo a Susana Travassos. Mas por exemplo, esses concursos de talentos acho gastos e antigos, e sem perspectivas reais. Mas cada caso é um caso, e o talento está onde menos se espera, e isso sim, é o que importa. O resto é focar e acreditar. E trabalhar muito!

Publicado por Eugénia Melo e Castro às 17:11
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