Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

JORNAL "HOJE em dia" de Belo Horizonte !!

Matéria de capa do caderno de Cultura

 

Lusitana com gosto de Minas

Alécio Cunha

REPÓRTER


A cantora portuguesa Eugénia Melo e Castro sabe que sua paixão pelo Brasil tem sabor de Minas. Obra, primeiro, da geografia. A terra natal, Serra da Estrela, região de queijos e montanhas, é alma gêmea das Gerais. Depois, a genética. Os pais, poetas, Ernesto de Melo e Castro e Maria Alberta Menéres, tinham o hábito de ouvir música brasileira em casa. “Cresci escutando música brasileira, mas ouvindo as canções prestando muita atenção nas letras e nas melodias. Não queria ser poeta como meus pais. Optei pela música”, conta a cantora em proseio exclusivo com o HOJE EM DIA, no final da manhã de ontem, em um hotel de BH.


Domingo, às 21 horas, quando Eugénia levar sua voz arrebatadora ao Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537), a platéia poderá entender melhor esta conexão afetiva com Minas. “É o mais português dos estados brasileiros”, considera. No show, que pode, diz ela, ser definido como ‘um grande sarau”, Eugénia estará na companhia de músicos mineiros. Os ingressos variam entre R$ 30 e R$ 80.


O repertório é assumidamente híbrido. Ela canta músicas de seu mais recente CD, “PoPortugal”, com músicas de compositores lusitanos de destaque nos anos 1980 e 1990, casos de Pedro Abrunhosa, Sérgio Godinho e Pedro Ayres, ao mesmo tempo em que revisita os álbuns delicadamente dedicados aos repertórios de Chico Buarque e Vinicius de Morais. “Vou cantar músicas de Godofedo Guedes e incluirei dois fados de Amália Rodrigues, um deles em forma de bossa- nova, porque existem muitas conexões entre o fado e a bossa”, frisa.


“Sol de Primavera”, de Ronaldo Bastos e Beto Guedes, está obrigatoriamente no programa, sobretudo dois fragmentos da lírica letra: “Já choramos juntos/Muitos se perderam no caminho”. Eugénia adora.


No Palácio, a diva terá a companhia de Túlio Mourão (piano e teclados), Beto Lopes (guitarra), Tattá Spalla (violão), Chico Amaral (saxofone), Pablo Souza (baixo acústico), André “Limão” Queiroz (bateria) e Gabriel Guedes (bandolim, rabeca e tampura). A direção musical é de Robertinho Brant.


Eugénia conta como foi seu primeiro contato com músicos brasileiros, ambos mineiros. “Uma vez em Portugal, tentei falar com o Milton Nascimento e o Wagner Tiso em um show. Acharam que era mais uma fã e não consegui. Peguei um avião para o Brasil e fui batendo na porta deles, uma menina de 20 anos com uma demo na mão e que queria ser cantora”.


Ela rememora essas histórias com tanto vigor que parecem ter ocorrido ontem.


Wagner Tiso foi o responsável pelos arranjos e direção musical do álbum de estréia de Eugénia, em 1981, o primeiro de seus 23 trabalhos fonográficos até o momento.


Milton Nascimento musicou dois poemas de Fernando Pessoa só para ela cantar.


“Eu poderia ser mais uma cantora de música brasileira. A minha diferença foi cantar a música brasileira com o Português de Portugal. Este sotaque é o que me distingue”, salienta. A intérprete lembra que chegou a receber propostas de gravadoras para lançar discos diferentes em Portugal e aqui, com os diferentes sotaques .“De jeito nenhum”, registra.


Tamanha determinação fez com que o cantor e compositor baiano Caetano Veloso definisse Eugénia com eficácia em seu blog-  Eugénia tem  uma atitude programática !!  O fato é que a cantora não tem papas na língua. “A comunidade portuguesa no Brasil não gosta lá muito de mim. Eu não sou fadista. É muito reducionismo. Houve uma época que, para marcar bem minha posição, eu dizia que não gostava de fados. Ora, eu gosto de alguns fados, da poesia de suas letras, mas sem o excesso da dramaticidade”.


O show de domingo tem significado especial para a cantora. “É a minha primeira apresentaçaõ em Belo Horizonte. Não consigo esconder a emoção”, afirma. Tanto é que veio para a capital mineira com maior antecedência para os ensaios.


Eugénia Melo e Castro revela sua faceta poética

A cantora portuguesa Eugénia de Melo e Castro, que faz única apresentação domingo no Palácio das Artes, garante ao HOJE EM DIA que a poesia não é mera coadjuvante de sua epopéia musical. “Tenho cinco livros de poesia prontos, organizados. Pretendo lançá-los um dia”, conta a cantora, assumindo um paradoxo.


No início de seu proseio, ela disse que havia escolhido a música como uma forma de criar algo diferente dos pais: o casal de poetas portugueses Ernesto de Melo e Castro (papa da poesia experimental e visual, em diálogo com o concretismo brasileiro dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos) e Maria Alberta Menéres (a Maria Clara Machado de Portugal, especializada em literatura para crianças e jovens).


“Eu me interesso pela capacidade que a poesia tem de estar sorrateira nas coisas”, frisa a cantora. Seu penúltimo álbum, “PAZ”, despe sua faceta composicional, ofício paralelo ao ato de cantar. Eugénia é intensa até mesmo na sua forma de lidar com o mercado da indústria fonográfica. “Não tenho empresário, sou eu mesma a produtora dos meus discos. É claro que isto me cansa muito, mas posso ter uma visão bem global do que faço”, afirma.


Eugénia Melo e Castro foi casada durante quatro anos com o compositor Ronaldo Bastos, um dos principais parceiros do Clube da Esquina. Espirituosa, ela se lembra dos bastidores do convívio com músicos de Minas em suas andanças pelo mundo. “Uma vez, dividi um apartamento em Nova Iorque com o Ronaldo Bastos, o Toninho Horta e outros músicos. Era a única mulher lá e lavei muita cueca. Era aquele caldeirão de roupa suja”, conta, rindo.


O novo CD, “POPortugal” é visto por ela como uma maneira de redimensionar a canção popular portuguesa nas décadas de 1970, 1980 e 1990, Eugénia usou o seguinte critério para selecionar as faixas do disco. “Gravei aquelas músicas que sabia de cor e salteado, que ficaram na minha cabeça”, conta.


Produzido por Eugénia e Eduardo Queiroz, traz músicas que recontextualizam o universo sonoro da música portuguesa. São belas canções, como “Se Quiseres Ouvir Cantar” (Tozé Brito), “Asas (Eléctricas)”, de Rui Reininho, além de clássicas como “O Sopro no Coração”, da dupla Sérgio Godinho e Hélder Gonçalves. Ficou faltando só alguma regravação de músicas da banda-fenômeno Xutos e Pontapés, que fez muito sucesso entre o punk e o hard rock na década de 1980. “Não deu para gravar. É muito barulho e as letras são péssimas”, critica, com veemência.


No show de domingo, Eugénia abrirá espaço também para o trabalho em que gravou a poesia de Vinicius de Moraes. “Escolhi músicas que usavam bastante o ‘tu’. No Brasil, é uma expressão pomposa, mas em Portugal é uma linguagem que faz parte do dia-a-dia, que nos é coloquial”, conta.


O CD, que está sendo relançado, traz pérolas do cancioneiro de Vinicius muito bem redimensionadas pela lúcida e lírica verve vocal da cantora. São faixas como “Chora Coração”, “Modinha”, ‘Serenata do Adeus”, “Por Toda A Minha Vida”, “Valsa de Eurídice”.


Para melhor expressar a conexão de Eugénia com Minas Gerais, ninguém melhor do que Milton Nascimento, que assim falou há alguns anos. “Eugénia é nossa embaixatriz. A maior, pois nossa quer dizer de Portugal e Brasil.Ela é fascinante. Tem a capacidade de perceber algo mais, em música e relacionamento. E como todas as pessoas que possuem este dom, muitas vezes é incompreendida. Tem muito sentimento. Pode ser que chore escondida, mas sempre está pronta para cantar mais e mais, e só o que realmente lhe toca, o que lhe dá prazer. Está sempre pronta”. Escreveu Bituca.

Publicado por popogirl às 21:58
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1 comentário:
De Armando Maynard a 4 de Dezembro de 2008 às 19:53
Eugénia, o bom desse proseio é que cada vez mais fico lhe conhecendo melhor.Parabéns pela agenda,você mereçe! Um abraço,Armando -fetichedecinefilo.blogspot.com(posto também em lygiaprudente.blogspot.com)


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