Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Time after time

Quando eu comecei a cantar e a gravar eu não sabia de quase nada. Antes disso eu tocava o meu piano e cantava coisas muito estranhas. Mas sabia de mim, da minha música, do meu som interno. Por fora eu seguia uma estética da época, notas longas, interpretações sentidas, solos de guitarra, introduções longas, músicas importantes..........
 
Anos antes, desde sempre, eu tocava o meu piano e compunha coisas, musicas minhas, sons diferentes, curtos, sons que eu tirava do nada, nada certinhos, nada sonantes com a época. O meu avô, maestro, compositor, fanático de Bethowen, escutava as minhas músicas e os meus cantos e nada dizia. Ele aguentava em silêncio quase devoto os meus improvisos intermináveis. Todos, menos ele, queriam me educar na música, mas eu resistia à caretice doméstica e lá continuava, horas e horas no meu piano, que está comigo até hoje, acima na foto em demonstração. Eu herdei o meu piano, fora todas as partilhas de família, já era meu antes de o ser. Eu inventava acordes novos, improvisava vocais curtos e elegantes, achava o meu som sensacional. Mais tarde, quando fui cantar e gravar, não mostrei nada disso que eu sabia. Deixei-me mostrar apenas o que poderia ser, nunca tive coragem para achar o que eu fazia bom suficiente para poder mostrar. Era tudo tão diferente, tentei chegar o mais perto de mim que pude, mas sempre fiquei muito longe do que eu queria fazer, compor, cantar. Foquei o meu lado nas letras, e aceitei as músicas possíveis. Agora, 30 anos depois, eu sei que estava certa nos meus sons. Eu ouço as novas cantoras do mundo, as novas vozes, as novas ideias e revejo tudo. Sinto o que ouço como uma coisa antes já por mim experimentada, só que eu não tive o time de mostrar, não era a minha época. Não que eu estivesse assim adiantada, mas a ideia de poder se expor mais hoje em dia é mais fácil. Grava em casa, filma em câmara digital e põe no you tube e no facebook !! Depois acontece a empatia, a adesão, a difusão, e a insegurança desaparece no diálogo, é sensacional. Quem me dera ter 30 anos e saber o que sei hoje........mas manter os meus 50 atentos é agora o meu momento. Quem sabe ainda vou a tempo de mostrar o que posso fazer com a música, meu grande e diferente amor?
Publicado por popogirl às 02:39
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