Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Paz: entrevista a Eugénia MC

Diário Digital
11 de Novembro de 2002. Por Filipe Rodrigues da Silva
 
Há coincidências felizes. Quis o destino que o primeiro autógrafo dado por Eugénia Melo e Castro enquanto Eugénia MC ocorresse no final desta entrevista. O que mudou na conhecida cantora portuguesa não foi só o nome artístico. «Paz», o seu mais recente registo, marca uma nova etapa na vida da artista. Uma agradável surpresa, construída com Eduardo Queiroz e a participação especial da filha, Mariana.
 
Em 1981 uma jovem e prometedora intérprete começou a dar os primeiros passos na vida musical. Nesse ano, Eugénia Melo e Castro lançou «Terra de Mel».
A aventura havia começado quatro anos antes e é hoje recordada pela artista como momentos de grande adrenalina e liberdade, entretanto registados em «Recomeço».
 
21 anos depois da estreia, Eugénia traz na voz os traços de uma juventude que diz viver com o amadurecimento ao longo dos anos.
 
Quando tem de falar de «Paz», o seu novo álbum, saem-lhe da boca palavras como «desafio» e «inquietação». Um disco fruto de estados de espírito e de uma parceria cúmplice com o credenciado compositor brasileiro Eduardo Queiroz.
 
Conheceram-se há cerca de dois anos através de um amigo comum. Eugénia garante que o músico foi essencial para avançar com o projecto: «Esta é a primeira vez que ouso assinar todos os temas e composições. Tudo começou com uma remistura do Eduardo para um tema meu. Conhecemo-nos e tive oportunidade para lhe mostrar o esboço de uma série de coisas que andava trabalhar há alguns anos. Fizemos umas experiências e os resultados agradaram aos dois. O nosso processo criativo é muito orgânico e as ideias que trouxemos e exploramos coincidiram. Andei alguns meses entre Portugal e o Brasil até que aconteceram as gravações finais, as quais duraram pouco mais de um mês».
 
Quem escutar «Paz» é capaz de ficar surpreendido com o que escuta. A cantora acha que esta foi a altura ideal para dar corpo a uma necessidade de exprimir algo. «As letras foram escritas em diversos momentos, alguns separados entre si por vários anos. São pensamentos.»
 
Para compreender o álbum há que assinalar o trabalho de Eduardo, compositor de renome no Brasil, em especial no mundo do cinema e da televisão. «As músicas foram surgindo de forma espontânea, dando corpo a ideias, pensamentos e imagens. Primeiro foram uma espécie de banda sonora, à qual depois foi acrescentada as letras.»
 
«Paz» não tem nada a ver com um sentimento oposto à guerra. «Também não tem a ver com paz de espírito ou maturidade. Tem a ver com emoções, um estado superior de existência. Energia, conhecimento e vida. Uma vida acima dos valores materiais. Tem a ver com o que está ainda por vir. Algo posterior, estimulante e sobrevivente aos pequenos apocalipses que vão acontecendo na actualidade e que têm aumentado de forma gradual nos últimos anos», refere Eugénia.
 
Apesar da evidente inovação presente neste disco, a cantora rejeita que o mesmo signifique uma ruptura: «Acham que este álbum podia acontecer se não houvesse algo por detrás? É impossível. Este é um disco que queria fazer há muitos anos e que consegui criar agora e sem medo. Com puro prazer.
 
Quanto à mudança de nome artístico... «Bem, o MC abrevia Melo e Castro. Não tem nada a ver com um MC do hip hop, ainda que a palavra tenha naturalmente um valor determinante na minha carreira. Surgiu apenas porque este disco vai ser lançado em vários locais do mundo e porque nunca gostei de assinar Eugénia Melo e Castro, acredite-se ou não. Adoro o meu nome de família, mas revela-se difícil no mundo da música. Tal como o diminutivo Geninha... odeio. Nunca ninguém me chamou assim, partiu dos media e pegou. Pode-se perguntar porquê só agora, ao fim de vinte e tal anos de carreira? Bem... e porque não? Este disco representa uma nova etapa para mim. Possui uma roupagem diferente. Pareceu-me a altura correcta.»
 
A opção parece acertada, em especial quando se escuta «Paz» e se o comparamos com o resto da discografia da cantora. E sai reforçada quando a artista conta alguns pormenores hilariantes do início de carreira no Brasil. «Agora rio-me, mas na altura foi complicado. No Brasil usa-se, quanto muito, dois nomes. Eu era a Eugénia Melo e Castro e por algumas vezes apresentaram-me com Eugénia Melo... e Castro. Como uma espécie de dupla caipira, na qual o Castro nunca surgia. Felizmente adquiri um estatuto e um reconhecimento que impede que situações como essas se repitam».
 
A filha, Mariana, foi determinante para a feitura do disco. «Sem ela, «Paz» não existiria. Apresentou-me muitas coisas novas que produzidas na última década e integrou-me nas novas rotas da música pop, rock e electrónica. De Björk a Tricky, passando pelos Massive Attack, PJ Harvey e dEUS. Foi ela quem colocou o «bichinho» deste álbum dentro de mim.»
 
Mariana canta também no álbum. A mãe considera-a uma excelente cantora. Algo que Eduardo corrobora, salientando que lhe «falta apenas perder alguns receios de actuar em público. O seu estilo é diferente da mãe, mas pode ter um futuro risonho.»
 
Entre as coisas surpreendentes que esta dupla fez nos últimos meses encontra-se uma remistura e um arranjo para um tema dos belgas dEUS (o qual teria a voz de Eugénia), com quem possuem laços de amizade. «O tema acabou por não ser incluído em nenhum registo até ao momento. Mas talvez possa haver surpresas.»
 
Eugénia não gosta de falar do que vai fazer a seguir a «Paz». Não gosta porque tem muitas coisas na cabeça e projectos é algo que não lhe falta. Um dos que mais prazer lhe deu no passado foi o programa «Atlântico», um êxito nos dois lados do Atlântico.
 
«As coisas estão meio complicadas dado o estado da RTP e as incertezas que rondam a empresa. Quando o programa foi produzido esqueceram-se alguns pormenores jurídicos e contratuais que podem complicar a concretização da ideia de lançar um CD e uma colecção de DVDs com os melhores momentos do programa. Mas tudo farei para levar a ideia a bom porto». Espera-se que sim. Uma vez que esse foi possivelmente o programa musical mais inteligente e arrojado do panorama televisivo nacional nos últimos 15 anos.
Publicado por popogirl às 04:40
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