Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

As noites em Pinheiros...

A tão propalada e consagrada ponte cultural entre Portugal e o Brasil que Eugénia Melo e Castro construiu ao longo de sua carreira, se ainda precisasse de mais um aval, este teria sido obtido neste fim-de-semana em São Paulo. Tento reestabelecer essa conexão, reconstruindo-a de acordo com a minha visão, depois de assistir a duas edições do “PoPConcerto” no Sesc Pinheiros. A nova tournée da Eugénia já havia começado na 6a. feira - dia 08/02, no Sesc Santo André, com uma nova formação da banda que a acompanha, com Emílio Mendonça ao piano e direção musical, Cristiano Rocha na bateria, Cláudio Machado no baixo elétrico, e André Olzon na guitarra e violão.

 

O roteiro musical, engendrado pela Eugénia com o auxílio “luxuoso” do Emílio e demais componentes da banda, resgatou, em parte, músicas e conceitos dos shows realizados em Portugal no ano passado, porém, no meu entender, foram algumas novidades importantes que caracterizaram os novos espetáculos. A mais visível delas foi a incorporação definitiva de músicas em inglês em seus shows, se bem que “definitivo” não é propriamente um adjetivo que possa ser aplicado ao trabalho da Eugénia. Como o dicionário aqui ao meu lado me dá essa liberdade, ao explicar o termo “definitivo” como “terminante” ou “ultimado” (ou, numa tradução mais livre, “para sempre”), mas também, paradoxalmente, como “que não voltará a repetir-se”, acredito que fica de bom tamanho neste texto.

 

Eugénia tem cantado em inglês já há algum tempo, mas essa experiência radicalizou-se no show do Bourbon Street, em 22/01/08 (se os caros leitores tiverem um tempinho e a necessária paciência com este que escreve estas linhas, desçam um pouquinho aqui no blog até a “resenha” que publiquei em 25/01/08). Aquele espetáculo, quase todo em inglês, fascinou a todos que lá estiveram e, com certeza, estimulou Eugénia a trilhar e explorar mais um caminho em sua música. Algumas canções daquela memorável apresentação foram incorporadas aos shows dos Sesc’s, aprimoradas e lapidadas bem ao seu estilo: “Get out of town”, “Cry me a river” (com um delicioso trecho em “bossa-nova”), “When I look in your eyes” (em uma explêndida levada jazzística), “Time after time” (lapidação ainda mais intensa do que a do Bourbon, somente voz e piano), a nossa já conhecida “The laziest girl in town” (numa versão deliciosa, ainda mais sensual e bem-humorada do que a do show “Motor da Luz”, de 2000, ou de outros shows inesquecíveis do extinto Bar Supremo), “You’ve changed” (esta apresentada só no show de Santo André, pena... não pude vê-la novamente...), “Morning has broken” (idem idem idem), e “You don’t know me” (uma homenagem à sua filha Mariana, que “debutou” em CD com uma caprichada versão da canção do álbum “Transa” de Caetano Veloso, cujo espírito a Eugénia incorporou de forma extremamente graciosa).

 

E o que isso tem a ver com a famosa “ponte cultural” luso-brasileira? Para mim tem um sentido claro: Eugénia cantou essas canções com a sua indesmentível alma lusitana e com seu sentimento "brasileiro", sentimento forjado anos a fio em um entendimento sem similar das canções brasileiras, tão cheias de amor e dor, de delicadezas únicas, de sensualidade e compaixão. E com uma visão acentuadamente pop, de um pop que não naufraga em modismos e é, por isso, atemporal. E, feito um pacote para presente, com um inglês irretocável, se é que tudo isso pode caminhar junto. Eu acredito que pode, mas é tarefa para pouquíssimos.

 

No nosso bom Português, Eugénia apresentou “Bom Conselho”, “Bem Querer / Futuros Amantes”, “Basta um dia” (esta em uma vibrante interpretação, canção que fecha um corolário da tal “ponte”, quase que afirmando que somos mesmo todos mouros...), e a lírica “Maninha”, do álbum “Desconstrução”, “Asas”, “O Sopro do Coração” e “Romaria”, do álbum “PoPortugal”, “O que tinha de ser” do álbum “Eugénia Canta Vinícius”, e a doce “Vaga no Azul”, poema de Fernando Pessoa musicado por Milton Nascimento, do álbum “III” (esta canção tem uma história a ser contada, que prometo publicar em breve...). No bis, "Olhos nos olhos" ou "Eyes to eyes", de acordo com o gosto do freguês, português-inglês ou inglês-português, um Chico “jazzificado”.

 

Foram duas belas noites musicais vividas pelo redator destas notas. E ainda há alguma coisa por contar, mas deixo para a própria Eugénia a incumbência, principalmente o que se refere ao quesito “figurino”. A moça estava bem bonita, trajando um vestido negro de arrepiar, cuja descrição necessita de alguém muito versado no mundo fashion, o que não é propriamente uma condição que eu possua. Teria alguém tirado uma foto?

 

Muri Pessoa

Publicado por popogirl às 15:19
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Ouça aqui

EMAIL/ CONTACTOS/ SITE OFICIAL

eugeniamc@sapo.pt http://www.eugeniameloecastro.com

Bem Querer / Futuros Amantes


Veja mais vídeos aqui!

AVISO AOS NAVEGANTES :

ESTE BLOG É (TAMBÉM) UMA BASE DE DADOS ACTUALIZADOS SOBRE EUGÉNIA MELO E CASTRO. DESTINA-SE AO REGISTO DE ENTREVISTAS, MATERIAIS DE IMPRENSA, MÉDIAS, MP3, VIDEOS, MATERIAL DE PESQUISA, BIOGRAFIA, HISTÓRIAS, OPINIÕES, CRÓNICAS, FOTOS, DATAS, AUTORES, MÚSICOS ENVOLVIDOS, ASSUNTOS RELACIONADOS, DEPOIMENTOS, LINKS RELACIONADOS, AGENDA DE SHOWS, ACTUALIZAÇÃO DE ACTIVIDADES, LANÇAMENTOS E RELANÇAMENTOS DE CDs, DVDs, PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS, GRAVADORAS, DIREITOS AUTORAIS, LETRAS, CONVIDADOS ESPECIAIS, ONDE, COMO E QUANDO.

Arquivos

subscrever feeds

blogs SAPO