Sábado, 22 de Setembro de 2007

O meu riso



Todo o divertimento se refere ao desconhecido. O que me faz rir e o que me achar engraçado. Acho graça mesmo sem opinião de quem acha alguma coisa sobre o riso. Não sei o que fazer nas mais simples situações. Depois de rir, fica a sensação de alivio. Falo o que não devo, rio e nem penso se rio demais. Por mim eu rio de quase tudo o que me faz rir, rio antes de terminar a frase, o raciocínio ri antes de mim, os meus olhos riem de mim, de quase tudo. De onde vem o riso, o lado dessa alegria complexa. A cabeça ri antes, depois, relembra o riso, perde o tempo certo e ri na hora errada. Não é fácil conter o riso. O riso dos outros faz rir, contagia até o absurdo, até o surdo, até ao fim do riso, entre a gargalhada e o esgar discreto do engasgue perfeito na bem vinda hora. Eu gosto de rir desde que nasci, chorando. Tudo me fazia / faz  rir. As situações sérias eram divertidas, mesmo em assuntos doídos. Não que o riso resolva a gravidade, nem que a alivie, nem que a disfarce, nem que a anule, nem que a salve. Eu rio porque levo a sério antes de ser realmente sério. Adivinho o drama antes do desastre e pressinto o riso do que não tem graça. Quando me escutei perdida com poucos dias de vida, eu ri, ri de indignação, ri de consciência, ri do absurdo,  do equivoco, da medicina, ri da ausência de possibilidade. Eu nasci piada pronta. Interna. Eu não posso rir como quem troça de tudo, mas sempre parece isso. Eu sei rir, e gosto de rir. É o melhor sinal. Adivinho os pensamentos sérios de quem ri por dentro, sinto a vontade de rir de quem não descobriu que pode rir à vontade, de quem nem sabe rir. Ri melhor quem ri antes. Não passa pelo rir melhor quem ri depois, já tinha rido antes. Essa vantagem só sabe quem nem quer rir por ultimo. Quem ri antes e durante nem conhece essa coisa do retorno que vem depois e provoca um riso diferente. Esse riso entristece-me, nem o riso amarelo me interessa. O riso ingénuo, o riso infantil, o riso de quem entende errado a piada errada, o riso compulsivo, o riso do tropeção dos outros no degrau da igreja, o riso do cigarrinho de fazer rir, o riso da descoberta da própria imbecilidade, da própria cretinice, o riso do desdém, do quem desdenha quer comprar, do humorista pop, das letras de canções inimagináveis, o riso do ridículo, o riso do amor tímido, o riso frágil de agradecimento, o sorriso condescendente, tudo me faz rir, para alem do riso. O riso dos riscos , dos desacertos, dos imprevistos. Até dos pensamentos eu me rio, das memorias, quando se ri ao contrario, voltando ao riso antipático de quem não entendeu o outro lado de uma boa gargalhada. Só pode rir em paz do mundo externo quem ri aliviado do seu mundo interno. E aqui estou eu, rindo de mim em pleno desastre. A seriedade se manifesta inútil quando a solução passa por  desesperar até durante o sono, nem quando durmo deixo de sonhar  com o lado sério e verdadeiro que se ri do riso que desarma o medo. Quando rio de mim mesma, todos dias, renovo a riso de outros dias, que naturalmente seriam tristes se eu não roubasse ao riso a vontade de me rir para continuar a aprender a rir. Não  me levo a sério quando sofro sem alegria, dói na alma a saudade da alegria inútil. Gosto de rir do que ainda me vou rir, dos meus erros heróicos , repetidos, sofisticadamente disfarçados de grande amadurecimento, reflectidos apenas no crescente tamanho de uma nova gargalhada.
Eu sempre vou rir antes, de mim. mesma. E de vez em quando deixo cair uma gargalhada alheia....... posso rir por todos os sisudos que se levam a sério no auge da palhaçada. E de graça, graça de engraçado !!
Publicado por popogirl às 05:27
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