Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Texto Encarte Cd PAZ - 2002 / 2007

Nos sentimentos mais profundos moram as zonas invisíveis. Em cada coisa ou lugar elas lá estão à espera de serem notadas. Podem ser ideias ou imagens, linguagem de cegos ou sinais de MUNDOS.

DENTRO de cada ZONA INVISÍVEL existem outras zonas, subdivididas em memórias e sensações, sons,  realidades,  constatações  do absurdo interno, jogos de palavras, troca de linguagens, aparências transparentes.
Fora de cada zona existe uma resistência silenciosa, um desenrolar de vidas sem um outro sentido, complexo, onde por encanto se desatam nós e se apertam vozes até ao grito total, num misterioso SILÊNCIO A DOIS.

No final apenas observo de fora, sempre pelos olhos dos outros, que penso  não pertencerem a ninguém, uma vez que, declaradamente, não me pertencem a mim. Limito-me a outras informações internas.

Não sei, afinal, qual a ideia de tantas ideias, tantos dias a fio, normais e atentos ao desenrolar de nada, numa REZA NOCTURNA sem solução aparente. 
Numa troca simples de ideais, a vida pode complicar-se até ao contrário da morte. Nessa troca, aparentemente inevitável, tudo pode nos transformar numa infinita soma de resultados não conclusivos.

O nada é INFINITO.
Mas a reacção afirma a acção, que reafirma a intenção, que não nos deixa pensar assim.
Vou até ao fim. 
Um lugar existe, outro lugar não existe.

PARIS 88 não existe.
Sempre senti a presença do que não existe, não por comparação, mas por conhecimento de causa.

Sigo a LINHA DA VIDA como quem segue causas intimamente conhecidas.
As causas desconhecidas, todas têm solução aparente,  permanente, na sua própria AUSÊNCIA.
A teoria é inútil. A afirmação é útil apenas para o sim. Podemos dizer que sim.
Não muda a intenção.
Por dentro quem está não pensa em mais nada.
Em OUTRO TEMPO, todos somos invisíveis,
existimos indiferentes ao simples facto de sermos vistos e desaparecermos lentamente através de um outro e sempre novo VELHO MAR .

Ao contrário da IMAGEM que não se vê.

Talvez aí se exista em PAZ.

São Paulo, Julho de 2002

Eugénia Melo e Castro

Publicado por popogirl às 02:17
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