Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Entrevista

“Entre ir namorar ou ouvir um disco novo eu escolhi sempre a música”
 
Por António Murteira da Silva, Jornal Notícias da Manhã
 
Como é que surgiu a ideia deste disco, “PoPortugal”?
Surgiu de uma forma natural. Estava por cá a ouvir e a recuperar alguns discos de vinil quando apareceram músicas de que eu quase já não me lembrava como o “Põe os teus braços a volta de mim”, da Gabriela Shaff, ou discos da Né Ladeiras e Tozé Brito. O primeiro disco do Jorge Palma, que nunca foi editado em CD, é lindíssimo. Dei por mim a pensar que seria muito interessante gravar algumas delas, com os arranjos do Eduardo Queiroz. Devido aos nossos trabalhos anteriores, já estávamos preparados para “desconstruir” músicas. Depois de ter apresentado as novas versões a algumas pessoas no Brasil, deram-me força e aqui está o trabalho pronto.
 
Optou por gravar os últimos três discos no Brasil… sempre com a mesma equipa…
Exacto, porque é uma equipa, é a busca de um som. O facto de serem brasileiros, neste caso específico, não significa que eu esteja a procura de um cunho. São músicos de formação profissional na área do jazz e temos criado uma identidade com estes músicos, um som muito próprio.
 
A música brasileira é uma inspiração ou uma paixão?
As duas coisas.
 
Como é que nasceu?
A paixão pela música brasileira é uma continuidade em relação a paixão pela música. Sempre foi a coisa mais importante, mais do que brincar, comer chocolates ou ter licença para sair à noite. Foi sempre a primeira opção para tudo na vida. Entre ir namorar ou ouvir um disco novo eu escolhi sempre a música.
 
Quais as suas maiores influências musicais?
Tenho muitas. “Nasci” na música clássica e portanto há todo aquele lado sinfónico das grandes orquestras, com grandes arranjos e melodias. Aprendi a tocar piano, o meu avô tocava violino e a minha avó era cantora lírica. Vai desde “Beatles” até à música brasileira, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento. Por outro lado o meu pai era apaixonado pelo jazz, o que me fazia ter um grande naipe de escolhas.
 
Desde o lançamento do primeiro disco até agora passaram 25 anos. Quais as diferenças na música feita em Portugal?
Acho que o que mais se nota foi a profissionalização dos músicos. Quando eu comecei não havia agentes, nem estruturas, as pessoas faziam tudo por amor à camisola. O 25 de Abril ainda não tinha sido há muito tempo, por isso havia um grande fascínio pela liberdade de expressão e pelo poder fazer qualquer coisa. Depois desse “boom”, as pessoas começaram a criar projectos próprios e hoje em dia Portugal tem valores completamente afirmados que lutaram muito e se mantêm devido a uma enorme persistência. Estão quase todos a comemorar 25 ou 30 anos de carreira como eu, enfim é uma geração que teve que aprender no “duro” tudo o que hoje sabe e se estão hoje “vivos” é porque tem muito mérito e não desistiram.
 
O que acha das plataformas digitais de distribuição de música?
Isso é ainda uma incógnita porque é um sistema muito novo. Por exemplo, tenho uns quatro ou cinco álbuns disponíveis “online” e não sei para onde vai o dinheiro dessas vendas. Depois temos a outra face que é a pirataria que se trata de um roubo intelectual, porque não é assim que se divulga música. Acho que todos os envolvidos deveriam ser punidos, embora seja impossível porque são “piratas” sem rosto.
 
Quais as grandes diferenças entre o mercado português e brasileiro?
Em primeiro lugar, indiscutivelmente, é uma questão de dimensão. No Brasil ter uma fatia do mercado é significativo e cá não. Para ter uma ideia, em Portugal um disco de ouro são 10 mil discos vendidos, no Brasil são 100 mil, mas é muito mais fácil chegar a esse número lá. Nos espectáculos ao vivo é a mesma coisa, enquanto que o público lá vai crescendo, aqui passa-se precisamente o contrário, porque as pessoas gostam, mas não vão aos espectáculos.
 
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Mini-digressão
Eugénia Melo e Castro passou por diversas salas do País numa mini-digressão de comemoração dos seus 25 anos de carreira. O NM acompanhou um desses espectáculos no CCB. Nos cerca de noventa minutos de duração, ouviram-se canções dos dois últimos trabalhos “Paz” e “Descontrução”, além de temas do novo “PoPortugal”, sempre com um clima tropical. Apesar da noite chuvosa, Eugénia conseguiu aquecer o público, ao partilhar histórias referentes às suas canções, infância e família. Num espectáculo bastante intimista, esteve em palco acompanhada pelos mesmos músicos com quem gravou o recente trabalho. Além de Lisboa passou ainda por Ponta Delgada, Porto, Coimbra e Covilhã (a sua terra natal).
 
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“PoPortugal”
No novo disco podemos encontrar musicas originalmente cantadas por Tozé Brito, GNR, Heróis do Mar, Clã, Jáfumega, Gabriela Shaff, Doce, Pedro Abrunhosa, Né Ladeiras e Pilar Homem de Melo, num espaço temporal entre os anos de 1972 e 2001.
 
Alinhamento
1. Se quiseres ouvir cantar
2. Asas (Eléctricas)
3. Amor
4. O Sopro do coração
5. Romaria
6. Põe os teus braços a volta de mim
7. Eu sou
8. Se eu fosse um dia o teu olhar
9. Sonho azul
10. Sozinha pelas ruas
Publicado por popogirl às 04:32
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