Sábado, 4 de Agosto de 2007

O PODER DOS NÚMEROS !!

Recentemente fui a uma numeróloga, coisa que nunca tinha feito. Fui lá especificamente para tentar saber uma coisa que no final nem perguntei. Era tudo tão interessante que acabei por me esquecer de perguntar. Tantas informações, tantas leituras novas. O mundo paralelo dos números !!

Tenho sido perseguida pelos números a vida inteira. Primeiro no colégio, sempre odiei matemática, cálculos, percentagens, escalas, contas, virgulas, zeros prá direita, zeros prá esquerda. No meu Mac uso todos os programas menos o Excel, nem tento aprender, sou uma negação.

Mas a numerologia nada tem a ver com a matemática normal. Apenas são números também, desenhos, símbolos, energias, palavras de números que falam com outras letras e fazem sentido em outras contas e outros cálculos.

Não posso evitar os olhares invasivos dos números que me rodeiam. Olho para o relógio do carro, no painel, e sempre se repetem os algarismos em posição simétrica, ou pela mesma ordem, ou em ordem inversa. No telémovel lá estão os números do relógio digital, lindinhos, num rigor estético repetitivo. 13:13, 14:41, 22:22 ........ para onde olho por acaso os números estão esteticamente dispostos em espelho imaginário.

Era isso que eu queria saber, se isto quer dizer alguma coisa, ou se é apenas o acaso. Já me explicaram as mais variadas razões, todas elas possíveis. É um exercício de hipóteses. Lá vem a matemática de novo, em matemática não existem hipóteses, só resultados exactos. Mais vírgula, menos vírgula.

O poder dos números é fascinante.

Na música os números também são importantes. Nas pautas, nas notas musicais, no solo, nos grupos, nas orquestras,  mais mil e um itens diferentes entre si, iguais em todos os casos, na vida em comum de cada coisa diferente.

E quem diria? Na quantidade de discos vendidos, nos royaltis, nos cachês, nos TOP 10, 20 , 30..........

TXARAN !!!!!!!!!!!!

Cheguei onde queria chegar. Vou directa ao ponto.

Isto é uma simples análise básica feita pela minha mente ( que ) capta o que de números apenas vislumbra o óbvio mais simplório impossível.

Vamos a números :

Em 2007 :

PORTUGAL:

-    Portugal tem 12 milhões de habitantes
-    Disco de ouro em Portugal – 10.000 ( ha 25 anos era 30.000 )
-    Disco de platina em Portugal – 20.000 ( ha 10 anos era 40.000 )


BRASIL:

-    Brasil tem 180 milhões de habitantes
-    Disco de ouro no Brasil  – 50.000 ( era 100.000 até 2004 )
-    Disco de platina no Brasil- 150.000 ( era 250.000 até 2004 )
-    Disco de diamante- 500.000 ( era um milhão até 2004, vai cair para 250.000 em 2007 )

Os números falam sozinhos.  É um Bla bla bla numérico !!  333888 637329 93838240210 12878 1 9 !!!! 982946???? ?? 01927645  !!!! 000 !!!53678 !! 11 90836 !! .

O que eu quero dizer, para alem da óbvia diferença da dimensão de mercados, é o que nos resta da minúscula parte que nos cabe a nós, em Portugal.

Quando, repetida e mecanicamente, me perguntam em Portugal qual é o entrave à divulgação da musica portuguesa no Brasil, da má vontade e resistência dos brasileiros com a musica e músicos de Portugal, eu, que vivo o actual presente desse assunto desde há 25 anos, fico verde de raiva de tanto repetir. Não é má vontade, é falta de mercado interno representativo e forte. São os números que mandam. SÃO APENAS OS NÚMEROS QUE MANDAM !!!!!!!!

Insistem na ideia de resistência por implicância, por perseguição, por opção. Portugal prefere achar que é "vitima da invasão" inexplicavel dos artistas brasileiros.

Os artistas brasileiros , de diversas  tribos, estilos, influências, enchem  agora ,e sempre encheram, os Coliseus em Lisboa e no Porto, Centros Culturais, Casas da Música, festivais, estádios, pavilhões Atlânticos, e pacificamente entram nos tops de vendas de discos e (agora !! ) Dvd´s em Portugal.

Os artistas brasileiros sempre incluíram Portugal nas suas tournés pela Europa, os espectáculos que faziam no Brasil depois viajavam pela Europa, sempre venderam discos aqui, na dimensão de vendas de Portugal, mas sempre venderam bem. Sempre houve investimento por parte das editoras. Aqui e no resto da Europa, pelo mundo fora,cada vez mais foram conquistando  os mercados internacionais, num crescente em números vendidos e em aumento, diversidade  e variedade de artistas e diferentes estilos brasileiros. É o mercado interno do Brasil reflectido no exterior. Isso também inclui automaticamente Portugal. Sempre incluiu. O Brasil tem espaço. E tem tempo.E tem tempo de sobra para não poder perder tempo.

Qualquer semente em solo brasileiro encontra o seu lugar ao sol, tem espaço para crescer, corrigir, aprender, aumentar, melhorar, mudar, piorar, experimentar as possibilidades por inteiro, tem tempo para nascer devagar e até morrer devagar. Se depois interessa a quem, isso é escolha pessoal. Mas pode crescer, aumentar, se firmar, em sustentabilidade, em retorno, em nichos imensos, milhares de nichos, todos eles maiores que o nosso nicho único nacional em Portugal. Aqui temos um nicho redutor e afunilado. Um nicho dominado por números preguiçosos, suficientes para a indiferença do consumo, da curiosidade, do estimulo, números de pés e mãos atadas.

O nosso problema é de quantidade. Em Portugal também temos produtos artísticos ( eu escrevi produtos ??? !!! ) que se poderiam sustentar e afirmar uma vida inteira, se tivéssemos mercado. Mas a morte é súbita para os artistas que não provam logo que conseguem vender um número imenso e mísero de discos. Segunda chance é só para os médios menos mal vendedores, e mais nenhuma se não conseguir vender o recorde anterior mínimo. Muito animadora a coisa aqui.........  e os que resistem tem de andar na linha, podem até evoluir um bocadinho, mas se saiem da linha mestra e entram em aventuras perigosas de crescimento ou experimentação em outras direcções mais arriscadas ( pela diferença ), arriscam-se a um assassinato cruel e indiferente.

As formulas de sucesso discográfico ou musical em Portugal são controlados por grandes mestres ocultos e anónimos. Fazem grupos, dividem-se em delírios de poder, pequenos esconderijos , olhares cúmplices do que não pode ser falado, nem divulgado, pelouros de comando de  iniciais indefinidas. Todos se perseguem entre si. Os artistas por vezes são a munição de troca, as balas, são a voz de quem se cala, as únicas armas de combate numa terra sem reféns concretos,  tudo pode acontecer, sai a sorte a quem esta ali lançando um disco, por mero acaso, naquele dia. Sortes e azares em Portugal querem dizer muito pouco. É mais na base da oportunidade, da presença inoportuna para chatear outras presenças oportunas noutras esquinas mais polidas.

Depois tinha aquela maravilha !! :

Antes um artista  ( mais ousado) poderia inventar o que quisesse, ía a N Y passear e dizia que tinha ido em tourné, que foi um enorme sucesso. E a turma engolia. Que faziam e aconteciam, conquistavam territórios dantes nunca navegados,  e a turma engolia. Agora não, basta entrar na net e saber se é verdade ou consequência.......ou sem sequência.....

A net veio possibilitar, no mínimo, uma tirada a limpo de mentirinhas brancas deste género.........

Outros iam ao Brasil ( a grande meta /Meca secreta de todos os artistas do mundo ) e o pior pesadelo acontecia. Nada. Um show na Casa de Trás os Montes, um caldo verde azul, umas sardinhas fritas , uns ranchos folclóricos de brasileirinhos nascidos portugueses aos domingos na paróquia, um pesadelo, 20 pessoas + idosas assistindo com ar boring, mas isto não é fado, queremos fadooooooooooo , canta Nem ás paredes confesso, canta Foi Deus, e pronto, lá vem a malta de regresso a Portugal deprimido, Brasil nunca mais. Gueto errado. Paciência. Grana no bolso, lexotan e ate amanhã.  (Nada contra o Fado, mas sobre esse item escreverei em outro dia...., em outro texto e contexto !)

Por outro lado, literalmente do outro lado, no Brasil, também existem noticias que são cómicas. Temos de rir, para não chorar.........

Chegam , via net, notícias sensacionais da entrada de artistas brasileiros nos tops 10, 20, 30 de Portugal. Isso é notícia importante. Fulano entrou no Top de Portugal, está em 23º lugar, cicrana desceu para 15º lugar, e beltrana ocupa o 2 lugar no Top de DVDs em Portugal por 2 meses consecutivos.
Seguem-se os números, sempre eles, os números:

EM PORTUGAL

-    Número de discos vendidos necessários para entrar no TOP 30 de vendas  de Cds – 150
-    Número de discos vendidos necessários para entrar no TOP 30 de vendas  de DVDs – 150


150 = cento e cinquenta. Confirmo. Câmbio. CENTO E CINQUENTA !!!


Francamente........Isto não chega a ser propriamente uma noticia sensacional que se dê !!  Fulano entrou no Top de Portugal com vendas de 150 discos ???????????? sim senhor, agora vamos todos dormir com esse barulho !! Só que ninguém no Brasil nem imagina que os números são esses !!!!!! números reais !!  algarismos !!!!!!  150 Cds e pronto, honrosamente nos Top´s !!!

Vou me limitar aqui ao assunto Portugal x Brasil, sem mencionar os outros mercados e países.

No Brasil um artista que vende mal, vende o mesmo numero de discos  que corresponde a disco de ouro em Portugal. Isto todos sabemos. Porém, isso faz a grande diferença no impacto exterior. São esses os números crus que contam, independentemente também do conteúdo do produto.

Quando numa feira discográfica internacional os produtores chegam com os seus artistas, Portugal entra com um artista que conseguiu disco de ouro, maravilha da maravilhas, mas são 10.000 discos. Ou disco de platina, agora 15.000 !!!

Quando chega o produtor Brasileiro com artistas que vendem 50.000, 100.000, 200.000, 500.000, imediatamente os nossos desaparecem do cenário. Não temos dimensão competitiva. Não temos essa experiencia de mercado.  Aliás nem chegamos a entrar  no cenário, Portugal vai a essa feiras discográficas , ou ía, apenas para olhar o mercado dos outros, sentir o cheiro do mercado dos outros, fazer umas compritas no free shop e regressar à mini guerra local de espaço na play list das rádios FM.

Isto sem a tal da crise da pirataria, da internet, da venda por downloads,

Mas isso é outro assunto.......Nem Brasil nem Portugal tem como fazer frente, o mundo mudou e não se sabe bem como. São novas linguagens.

Disco de ouro já era, agora é jóia literalmente, antiguidade. Disco de platina nem temos,,,,,,,,,,Agora as feiras são virtuais,  feiras de discos só de selos independentes, sem free shop nem play list internacional imposta pelo outro tal mercado paralelo, o que vende !!
Engraçado, o mercado paralelo agora é oficialmente o que vende, o que não vende é o Novo Oficial Interessante, cruzado, ondulado, tudo menos paralelo.......

A música ao vivo é uma das saídas, a entrada, a resistência. Vamos voltar aos saraus, aos momentos únicos de cada concerto, de cada nota, de cada som, de cada palavra. Os novos trovadores vão simplificar as novas sinfonias. E como sempre, vai-se reinventar o poder da reinvenção, da criação, das soluções cíclicas de interesses e desinteresses generalizados ou particulares, populistas ou intimistas,  populares ou elitistas.

Os números têm destas coisas, interferem até nos conceitos inversos do mercado do universo......

Perante isto, creio que, numa leitura simplista, os números derrubam qualquer número.

Os novos números são novos. Mudou o sistema de avaliação.

A Música não mudou de avaliação. Mudou a avaliação da avaliação. Cresce  a cada dia, contra os números e a favor na forma da nova matemática, que soma e multiplica as chances que se dividem em múltiplas diferenças e direcções. Raízes que eram quadradas agora são frutos de mentes abertas.

Detesto as contas de diminuir.

 ( fiquei sem saber o que será que quer dizer isto da perseguição que os números simétricos me fazem............ ??????????????????)

10:01
Publicado por popogirl às 01:18
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2 comentários:
De Eliana a 25 de Abril de 2011 às 18:53
Olá Eugenia.
estava procurando algo na net que me falasse sobre os numeros do relógio. todos os dias que olho, são exatamente 14:41, e este fato vem me incomodando bastante....mas lendo seu blog...me veio um insight...senti que eles estão representando um espelho, no caso do 14:41..dizendo..olhe-se, conheça-se melhor....um abraço


De Veronica a 29 de Maio de 2012 às 15:52
Muito bacana essa reflexão. Eu estava procurando algum texto na internet sobre numerologia e o poder dos números... e acabei parando aqui. Adorei o posto. Inclusive o comentário da Eliana: conheça-se melhor.. abs


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