Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Sugestão do Jornal da Madeira!

Sugestões JM
Blog e sites do dia
http://poportugal.blogs.sapo.pt

Este é o blog da cantora portuguesa Eugénia Melo e Castro. Foi na televisão autora e produtora musical, compositora e apresentadora. Em 2007 foi distinguida com o prémio Qualidade Brasil pelo conjunto da sua obra musical que está integralmente lançada no Brasil. Neste espaço, a artista revela um pouco mais de si.
 



Publicado por popgirl às 02:30
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
eu vou prá Martinica.....comer banana nanica......lá lá lá.....




Domingo, 8 de Novembro de 2009
30 anos depois.......



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30 anos atrás.....



Publicado por popgirl às 13:13
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Tudo isto leva um certo tempo....



Publicado por popgirl às 13:19
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Abertura dos portos......

aqui !!

 

She bounces off the boulders, she runs on the rocks
She's taking her time from her grandfather clocks.
And over the border, and down on the land
She's living in the future
and it lies in her hand

“Mama Lion”, David Crosby & Graham Nash, 1975 (sobre e para Joni Mitchell)


Se há uma verdade inquestionável neste mundo em decomposição é a de que a música não tem pátria. É claro que ela tem muitos endereços fixos, com CEP e impostos em dia, como é o caso do Brasil, mas a grande música não tem fronteiras nem conhece limites. No entanto, vivemos em um tempo de paradoxos e de incertezas. Se é possível saber por conta do avanço das tecnologias, e quase em tempo real, o que um músico da Somália está criando ou mesmo ouvir o seu trabalho, não é menos verdade que o excesso de informação banaliza conceitos e expectativas.
O retumbante relançamento dos discos dos Beatles, remasterizados por uma equipe de engenheiros dos estúdios da Abbey Road, com uma campanha de marketing e divulgação quase sem paralelos na história da indústria fonográfica mundial, me fez lembrar da ansiedade que em ficávamos lá na pré-histórica década de 60, quando ficávamos sabendo que os meninos de Liverpool tinham gravado um novo disco, e que logo ouviríamos alguma música no rádio, e que, meses depois, a bolacha chegaria às lojas do Brasil. E quando algum mais abastado da turma comprava o álbum, corríamos para ouvi-lo em grupo, quase em liturgia, em um silêncio nada compatível com um disco de rock, mas que fazia o maior sentido.
Os tempos mudaram, o mundo mudou, as relações entre as pessoas se transformaram. Em um desses canais da TV paga, assisti outro dia um campeonato “mundial” de “Air Guitar”, onde malucos de todas as pátrias competem em um torneio de solos de guitarras. E o que é mais impressionante: sem as guitarras! Tocam guitarras invisíveis, pulam, saltam, contorcem-se, fazem todo o tipo de maneirismos típicos dos guitarristas “com guitarra”, e depois são analisados por uma banca de jurados, que, pasmem, atribui notas e laudos detalhados de cada apresentação. Se eu fosse um bilionário entediado e encarcerado em alguma mansão de 50 aposentos, chamaria meu mordomo e pediria “Nicholas, por favor, meus sais”. Como a minha conta bancária reluta a se afastar do zero absoluto e não tenho mordomo, talvez a saída seja me tornar um monge e ir para algum convento no Tibete. Sem televisão e sem campeonatos de “Air Guitar”.
Se a música não tem pátria e é feminina, pelo menos no conceito deste colunista, nada mais natural que a “Direção Musical” inicie sua abertura dos portos às nações amigas com 5 cantoras estrangeiras de muito talento e versatilidade. Vale lembrar que esta nossa fase “D. João VI” já havia começado com a maravilhosa Eugénia Melo e Castro e sua sofisticadíssima visão da música brasileira. E segue agora, com 5 canções sem nenhuma palavra na nossa língua-mãe.


HIMALAYA’S BIJOU – Composição de Cæcilie Norby – Gravação de Cæcilie Norby no disco “Queen of Bad Excuses”, de 1999 – A dinamarquesa Cæcilie Norby é uma grande cantora de jazz à moda da Europa, que por vezes flerta com o pop, com o fusion e até mesmo com a nossa internacionalíssima bossa-nova. Voz portentosa, está sempre acompanhada por excelentes músicos de todas as pátrias, e alguns dos seus excelentes discos saíram pela prestigiosa Blue Note. Experimentem o “My corner of the sky”, de 1996, mais “jazz”, e o “Queen of Bad Excuses”, de 1999, que tem um acento mais pop e no qual Cæcilie brilha também como compositora de todas as canções. Vai ser complicado encontrar os discos da moça nas lojas do Brasil, mesmo porque cantoras dinamarquesas não costumam ser “best-sellers”, ainda mais tendo esse “æ” no nome, de difícil catalogação. Ainda bem que ainda existem algumas lojas que resistem bravamente ao anunciado fim do disco, por isso o “Queen” pode ser ouvido um pouquinho por aqui. Clique na capa do disco para ouvir a música.


I CAN SEE CLEARLY NOW – Composição de Johnny Nash – Gravação de Holly Cole no disco “Don’t Smoke in Bed”, de 1993 – A canção de Johnny Nash lançada em 1972 e que foi um grande sucesso muitos anos depois com o jamaicano Jimmy Cliff, tem uma releitura bem interessante com a bela canadense Holly Cole, uma cantora de voz bonita e fraseado seguro, e que é considerada como uma das musas do novo jazz da América do Norte, uma mistura das influências dos grandes “standards” da música americana com a música pop mais sofisticada. A canção tem uma letra meio “xaroposa”, bem na linha da “auto-ajuda”, mas que propicia um momento saboroso ao ouvinte, quando Holly solta a voz na segunda parte e ilumina a sala com o aludido brilho do sol. Ficamos todos a um passo da felicidade, com vontade de sair para a rua, abraçar todo o mundo e cantar de mãos dadas como naqueles videoclipes mais manjados da TV. É uma pena que a vida não seja assim, mas, cara Holly, valeu o esforço. Clique na capa do disco para ouvir a música.


ALL AT ONCE – Composição de Bonnie Raitt – Gravação de Bonnie Raitt no disco “Luck of the Draw”, de 1991 – A cantora e compositora californiana Bonnie Raitt é uma dessas legendas da música americana pouco conhecidas no Brasil. Erroneamente colocada nas prateleiras de “country music” das lojas de discos, a pianista, guitarrista e “bandleader” tem uma história marcante na música e no ativismo político e social dos Estados Unidos. Se há algum movimento em defesa dos direitos humanos na América ou na África, lá está a Bonnie. Se a questão é a preservação das florestas nativas, lá está a Bonnie. Fundou até uma associação de apoio à geração de energia segura, a “Musicians United for Safe Energy”, que deve ser a glória para os músicos ambientalistas. Prestes a completar 60 anos, com pelo menos 20 discos de carreira e vários Grammy’s na estante da sala, Bonnie Raitt tem uma bela história prá contar. A pungente balada “All at Once” é uma boa amostra de seu talento. Clique na capa do disco para ouvir a música.


THE LOOK OF LOVE – Composição de Burt Bacharach e Hal David – Gravação de Traincha no disco “The Look of Love”, de 2006 – A holandesa Judith Katrijntje Oosterhuis não tem mesmo um nome muito palatável para o mundo da música popular, por isso adotou “Traincha” como nome artístico. Digamos que a coisa não melhorou muito, mas o fato é que um nome estranho, uma bela capa e um selo confiável, a Blue Note, chamaram a atenção de um inveterado comprador de discos. E lá está a Traincha cantando os clássicos do velho e bom Burt Bacharach. Se algum distraído assobiasse uma canção de Bacharach entre o final dos 60’s e boa parte dos 70’s, anos rebeldes da contracultura e das canções de protesto, com certeza levaria uma tremenda vaia, e amargaria um sentimento de culpa e uma vergonha escondida. Mas o tempo passa, as ilusões se vão e todas as antigas certezas já ficaram esquecidas em algum canto. Burt Bacharach, se já era um clássico, agora é “cult”. E a Traincha canta direitinho, os arranjos para a Metropole Orchestra são bonitos e o disco “The Look of Love” tem aquele gostinho bom de nostalgia. Clique na capa do disco para ouvir a música.


HEJIRA – Composição de Joni Mitchell – Gravação de Joni Mitchell no disco “Hejira”, de 1976 – Poucos artistas contemporâneos podem carregar impunemente o título de mito. Nestes tempos de celebridades instantâneas e brilhos fugazes, uma artista com 40 anos de carreira e pelo menos há uns 30 sendo considerada como “referência”, é, para dizer o mínimo, prova de um talento raro. A cantora e compositora Joni Mitchell, nascida no Canadá em 1943, é a mais importante artista da música popular contemporânea de língua inglesa das últimas décadas. Reclusa, avessa a exposições de caráter eminentemente midiáticos, iniciou sua carreira como uma “folk singer” em 1968 e, aos poucos, foi abrindo seus horizontes e criando uma música que prescinde de rótulos, mesmo porque estes não teriam o menor sentido. Suas letras longas de intensa poesia são emolduradas por músicas de complexidade melódica e harmônica únicas. Cultuada por jazzistas, roqueiros e eruditos, é a “inspiração” para 9 entre 10 das cantoras da música pop mundial dita, digamos assim, de qualidade. Joni Mitchell é citada explicitamente ou foi serviu como inspiração para cerca de 30 músicas, já foi homenageada por incontáveis “tributos”, teve sua música como “personagem” de pelo menos 2 filmes (o interessante “Simplesmente Amor” com a excelente Emma Thompson, e o “água-com-açúcar” “Sintonia de Amor” – título “nada-a-ver” em português para o original “Sleepless in Seattle”, com a lindinha Meg Ryan no papel de uma sua fã incondicional), e teve suas canções regravadas mais de 2000 vezes por outros artistas. “Hejira”, de 1976, é um disco seminal, estradeiro, um marco da contracultura e da geração “beatnick”, uma espécie de “divisor-de-águas” de sua carreira, e a canção-título que é apresentada aqui tem uma estrutura em espiral, algo assim como um novelo sem pontas, totalmente diferente das estruturas convencionais da música popular. Clique na capa do disco para ouvir a música.

 

Eloy Dias Varandas (colunistas@motornews.com.br) é engenheiro elétrico com especialização em Automação Industrial, pesquisador musical e colecionador de discos. Quinzenalmente (ou quase), Eloy apresenta a sua coluna aqui no Motor News.



Publicado por popgirl às 20:42
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
YouTube

Eugénia no "Tubo", é só clicar AQUI



Publicado por popgirl às 03:57
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
uma linda historia de amor !!!

Era uma vez um belo rapaz de uma enorme família do Norte, Menéres, de Trás-os-Montes, cortiça, vinho e azeite ( ROMEU ) que se casou com uma menina linda, do Alentejo, cortiça, vinho e azeite ( ROVISCO GARCIA ) e tiveram 3  lindas filhas............ A mais velha delas é a minha mãe.............

Ora bem, não é que agora, passados MUITOSSSSSSSSSSS anos, eles se reencontraram nas  prateleiras chiques da cidade ????????????

Ele vem trajado de AZEITE DO ROMEU, PURO COMO DEUS O DEU,  e ela vem vestida de VINHO TINTO - RESERVA ESPECIAL - ROVISCO GARCIA !!!  Nos dias de calor veste também um delicioso Branco, e nas tardes de Outono costuma vestir um Rosé aboslutamente deslumbrante !!

 

 

leia aqui sobre o ROMEU

 

leia aqui sobre o ROVISCO GARCIA



Publicado por popgirl às 10:21
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Outono no Douro

 

 

 

 

 

 

 

 




Foco na missão......

 



Publicado por popgirl às 01:25
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Adeus Peninha, Peninha Forever !!
 
 
Morre Ivan Saidenberg, criador do roteiros do Peninha !!!!!!!
 

O roteirista Ivan Saidenberg morreu nesta quarta-feira, no fim da manhã, em Santos, no litoral sul de São Paulo. Ele foi um dos mais conhecidos criadores dos quadrinhos Disney no Brasil.

 

O escritor de quadrinhos, que estava com 68 anos, foi também um dos que ajudaram a dar um ar mais brasileiro e malandro ao personagem Zé Carioca.

 

Ele no texto e Renato Canini nos desenhos.

 

Saidenberg esteve também por trás das histórias de Peninha produzidas para a editora entre as décadas de 1970 e 80. De Peninha e de seus alter-egos, como Morcego Vermelho, Pena Kid e Pena das Selvas.

 

Peninha é o meu favorito, sempre !!!!!!!!!!!!!!




Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Enquanto as crianças se divertem................

 

 

alguém continua a sua saga ................

 




Publicado por popgirl às 14:31
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
O monstro está a acordar devagarinho.....

 

Nessie- O Monstro do Lago Ness

Durante séculos houve mitos sobre este monstro que vive nas profundezas do Lago Ness na Escócia. Aparições de Nessie, como é carinhosamente chamado, datam de 1500 anos atrás. Recentemente, algumas pessoas tentaram provar a sua existência com fotografias, mas muitas delas eram falsas.

Uma das explicações é que Nessie é um dinossauro que escapou da extinção. Se isso for verdade, o monstro também pode escapar a detecção até mesmo de equipamentos de sondas modernas, já que o Lago Ness tem uma superfície de 56.4 km2 e uma profundidade de 226 metros em algumas partes.

 

É isso mesmo, digo eu !! Existem espalhados pelo mundo, vários monstros do Lago Ness, interligados por ondas atemporais e sem nenhum nexo aparente, nem nexo nem sexo. Este distraiu-se um dia e foi descoberto, embora nebulosamente......... e caiu aqui bem pertinho de mim, eu mesma tenho um desses em casa, que ronda recolhidinho todos os cantos da casa, quase sempre atento, embora muitas vezes esteja de olhos fechados, a dormir, submerso em ideias e pensamentos múltiplos e cruzados, entre flores e jardins .

 

Sou eu mesma que o alimento há séculos e séculos. Dou-lhe todos os dias doses de coragem em pílulas cristalinas de oxigénio e  poesia. Quando ele se começa a espreguiçar é sinal de boaventurança. Alguma coisa ele vai fazer, e sempre é imprevisível e surpreendente.

 

Hoje ele emitiu um som, sacudiu e esticou preguiçosamente o imenso pescoço para fora da banheira e, num tom meio de cana rachada, perguntou vagarosamente: que dia é hoje?????????

 

Estou perdida !!

 

Acordei!!



Publicado por popgirl às 23:32
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Continuo de férias.......



Publicado por popgirl às 21:44
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
A coluna do Eloy !!!
 
CAMISA 10
 
Pelé só teve um. Inquestionável. Insuperável. Hors-concours. Unanimidade. Bem, quase unanimidade. Os argentinos não concordam com a verdade cristalina. E é bom que seja assim, pois se a unanimidade é burra, como disse Nelson Rodrigues, então estamos livres dessa ignorância. Por vias tortas, deveríamos agradecer aos argentinos e ao seu principal “Camisa 10”, Don Diego Maradona, o personagem da discordância. Mas o fato histórico, esse sim, definitivamente inegável, é que Pelé inventou a “Camisa 10”. A camisa definitiva dos grandes. Esta “Direção Musical” nº 10, com a humildade característica de um típico ponta-esquerda camisa 11 de outros tempos, daqueles que só serviam para completar o time, tem o intuito de homenagear alguns “Camisas 10” da música brasileira. Então, vamos lá. Aos que discordam, aceitamos cartas com repúdios veementes ou queixas inconformadas.

Depois de Pelé, os melhores do futebol, principalmente aqueles que transitavam entre o meio-campo e o ataque, e que eram fundamentais para seus times, pela técnica, pela habilidade e pela visão de jogo, passaram a vestir a “10”. Rivelino, Gerson, Ademir da Guia, Zico, entre tantos outros, foram donos dessa camisa mítica. Eram os melhores, mas não havia mais sentido apontar o “melhor”. Também é assim na música. Não há como eleger o “melhor” nas incontáveis maneiras e formas de se fazer música. Mas há inúmeros ou inúmeras “Camisas 10” nesse universo sonoro, sejam eles compositores, intérpretes, músicos, discos, canções, shows, movimentos musicais, e por aí vai.

A música popular brasileira em si, é uma “Camisa 10”  das mais reverenciadas. Infelizmente, de muitos anos para cá, é mais objeto de culto no exterior do que nas nossas “quatro linhas”. Quem tem pelo menos um olho prá enxergar e um ouvido atento, sabe do que estou falando. Se somos incomparáveis na ala dos compositores, se estamos no pelotão de frente dos intérpretes, se temos músicos extraordinários que empatam na técnica e no virtuosismo com os craques lá de fora, mas que, via de regra, os sobrepujam em criatividade, no mínimo por terem à disposição uma gama inigualável de ritmos, gêneros e expressões de um Brasil multifacetado, por outro lado o homem comum das esquinas não se dá conta dessa riqueza. Nem se importa com ela.

Exagerei? Pode ser. O meu “pachequismo nacionalista” às vezes transborda. Muita gente tem me solicitado uma abertura aos portos amigos. Prometo que vou atender os pedidos. Mesmo porque, como pretendi defender logo acima, não há sentido fazer “competições” em música, embora o sentimento de competição esteja cada vez mais enraizado em todos os campos da atividade humana. Mas, cá entre nós, que ninguém nos ouça, e que fique confinado às 4 paredes do nosso cantinho musical: em futebol e música, não tem prá ninguém.


ONE O’CLOCK LAST MORNING, 20th APRIL 1970 – Composição de Gilberto Gil – Gravação de Gilberto Gil no disco homônimo, de 1971 – O lendário e pouco executado disco “inglês” de Gilberto Gil, é absolutamente acústico. Gil nos vocais, violões, guitarras e percussão, e Chris Bonett no baixo e nos vocais de apoio, fizeram um compêndio vigoroso de ritmo e balanço, como se nota nesta canção de nome comprido, cheia de sobreposição de vozes e efeitos percussivos. No exílio, bem mais adaptado a Londres do que Caetano Veloso, Gil empreendeu uma viagem definitiva ao mundo do pop. Se os baianos já tinham explodido as estruturas da música brasileira anos antes, com a catarse tropicalista e seus desdobramentos musicais, culturais e políticos, o caminho pessoal de Gil em busca da experimentação e do rompimento de barreiras, estava irremediavelmente selado. Arquiteto de diversas estruturas sonoras, Gil já foi sintetizado como uma improvável intersecção dos revolucionários João Gilberto, Luiz Gonzaga e Beatles. Pode ser, é uma frase até bem engraçada, explica alguma coisa, mas Gil, fundamentalmente, é um “Camisa 10” originalíssimo, sem paralelos nem similares. Clique na capa do disco para ouvir a música.


BYE BYE, BRASIL – Composição de Chico Buarque e Roberto Menescal – Gravação de Chico Buarque no disco “Vida”, de 1980 – Chico Buarque é “Camisa 10” na música, na literatura e no seu time Politheama, famosa equipe do futebol carioca. Do futebol soçaite, é claro, mas, na atual conjuntura dos times do Rio de Janeiro, é bem provável que o Politheama fizesse mais sucesso no Brasileirão do que os co-irmãos Flamengo, Fluminense e Botafogo. O repertório do Chico tem inúmeras canções “Camisa 10”. São tantas que, paradoxalmente, fica difícil escolher uma. “Bye Bye, Brasil” demonstra, com sobras, a habilidade que Chico tem para misturar humor e drama em suas músicas. Essas características estão exemplarmente ressaltadas nesta típica canção de estrada, que narra as desventuras de um caminhoneiro pelo Brasil distante e profundo, onde saudade, perplexidade, resignação e esperança se fundem e confundem a todo instante. O japonês do orelhão, a dona infeliz com um tufão nos quadris, o sol inclemente, a possibilidade remota e quase irreal de mudar de vida, o retorno para casa que é pura miragem, são algumas imagens desse verdadeiro road-movie, embalado pela música do incansável Roberto Menescal. Clique na capa do disco para ouvir a música.


SURFBOARD– Composição de Tom Jobim – Gravação de Gilson Peranzzetta e Marcio Montarroyos, no Songbook “Antonio Carlos Jobim – Instrumental”, de 2004 – Os excelentes songbooks produzidos pelo saudoso Almir Chediak, guardam em si uma das mais inestimáveis contribuições à nossa música. Este songbook sobre a música instrumental de Tom Jobim é um dos melhores álbuns da história. A idéia de concentrar em 2 CD’s a maioria das composições instrumentais do Maestro Soberano, foi um verdadeiro presente para aficionados. Tom Jobim, um dos mais extraordinários “Camisas 10” da música, tem um trabalho maravilhoso focado em temas sem letra, dispersos em seus inúmeros discos. Almir Chediak reuniu 32 desses temas e chamou mais de 100 músicos para executá-los. Gente de primeiro time, uma legião de “Camisas 10”. Esta faixa tem Gilson Peranzzetta ao piano, fazendo a “cama” para uma sensacional interpretação de Marcio Montarroyos no flughel horn. Os discos foram gravados poucos meses após a morte de Tom, e é perceptível a emoção com que os músicos se entregaram ao projeto. “Surfboard” é prá se ouvir em qualquer lugar, mas experimentem ouvi-la em frente ao mar. É puro Jobim, fantástico. Clique na capa do disco para ouvir a música.


PECADO ORIGINAL – Composição de Caetano Veloso – Gravação de Caetano para a trilha sonora do filme “A Dama do Lotação”, de 1978 – Viemos ao mundo com ele, o pecado original, por causa das artimanhas de Eva e da Serpente, e assim, puros de tudo, ou de quase tudo, fomos obrigados a extirpá-lo pelas bençãos do batismo. Nascemos devedores, portanto, e já carregados da culpa ancestral do desejo. Podemos dizer que a nossa vida em pecado não começa do zero, já iniciamos o jogo com um gol contra. Ou a favor, dependendo do referencial. Caetano Veloso conseguiu exprimir em música e letra essa herança inerente ao ser humano, a da dependência do desejo, de seus sortilégios, de suas armadilhas e enleios. "Pecado Original" foi tema do filme "A Dama do Lotação", de Neville de Almeida, onde uma gloriosa Sonia Braga, no auge da beleza e da sensualidade, estimulava os nossos mais escondidos sonhos. O filme não é lá essas coisas, é até bastante gaiato e cafajeste, mas a canção-tema tem uma letra surpreendente, cheia de achados como, por exemplo, a frase "todo o corpo em movimento está cheio de inferno e céu", um conciso resumo sobre o nosso inexorável destino. Uma canção “Camisa 10”, para as antologias. Clique na capa do disco para ouvir a música.


OBA, LÁ VEM ELA – Composição de Jorge Ben – Gravação de Jorge Ben no disco “Força Bruta”, de 1970 – Jorge Ben é um capítulo à parte na música brasileira. Jorge Ben é Jorge Ben, e estamos conversados. Ou, atualizando, como há tempos Jorge Ben tem um Jor a mais no nome, Jorge Ben é Jorge Ben Jor e continuamos conversados. Quando estreou sua carreira musical com um tal de samba “esquema novo”, ninguém conseguiu enquadrá-lo em nenhuma corrente, em nenhuma estante. Com certeza aquilo era samba, mas que samba era aquele? “Sambalanço”, alguém arriscou. “Sambossa”, gritou um outro. Um engraçadinho, anos mais tarde, rotulou sua música de “samba-rock” e, pasmem, nem ficou vermelho. De certo mesmo, aquele carioca cheio de ginga tinha um pé na África, outro pé nos morros cariocas, e mãos ágeis que dedilhavam o violão de um jeito que ninguém havia tocado antes. E fazia letras que eram puro “Jorge Ben”, se é que me faço entender. “Força Bruta” é um disco antológico e, a meu ver, a sua obra-prima. Jorge e o Trio Mocotó balançam irresistivelmente em 10 faixas, amparados por um respeitoso naipe de cordas em algumas canções. Não sei se a informação a seguir tem alguma importância para a história da música, mas “Força Bruta” foi o meu primeiro LP. De cara, um LP “Camisa 10”. Clique na capa do disco para ouvir a música.

Eloy Dias Varandas (colunistas@motornews.com.br) é engenheiro elétrico com especialização em Automação Industrial, pesquisador musical e colecionador de discos. Quinzenalmente (ou quase), Eloy apresenta a sua coluna aqui no Motor News.




Domingo, 30 de Agosto de 2009
CONFESSO QUE ESTOU DE FÉRIAS !!!!

.......mas tenho mil ideias na cabeça, (nenhuma máquina de filmar na mão "in Cinema Novo"), mas estou a digerir o tempo devagarinho ..............como quem não quer nada........srrsrsrsrs



Publicado por popgirl às 12:31
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Domingo, 23 de Agosto de 2009
Coluna da Revista ÉPOCA São Paulo

By Andrea Fasano !!!

 

Happy hour no jardim
 
É isso mesmo: numa época como essa, em que a natureza nos chama para fora, vamos curtir as cores e os aromas que afloram todos os nossos sentidos. Pense em um lugar acolhedor e, de preferência, cercado de verde. Se a sua casa tiver jardim, está resolvido. Se você vive em apartamento, pode optar por um parque, por uma praça ou até mesmo por sua varanda — não há nada como assistir ao sol desaparecer por entre os prédios, tingindo o céu de alaranjado em uma tarde gostosa de setembro.
 
Estenda um tatame, uma esteira ou mesmo um pedaço de tecido com sua estampa preferida sobre a grama e cubra com deliciosas almofadas.
 
Não se esqueça que pode dar uma esfriadinha, aproveite a chegada da primavera para deixar novas idéias florescerem. Vamos inventar algo diferente? Convide seus queridos para um happy hour longe dos bares que vocês adoram frequentar. Leve inspiração para fazer as melhores festas da cidade e coloque mantas delicadas à disposição de seus convidados. Disponha-as em rolinhos, posicionados estrategicamente à mão. Assim, ninguém terá pressa de ir embora depois que escurecer.
 
Não esqueçamos nunca de uma música gostosa. Leve uma dessas caixinhas de som portáteis para conectar o iPod.Com elas, ninguém precisa de tomada. Comece com uma boa seleção de músicas brasileiras: Caetano, Tom Jobim, Morelembaum, Wagner Tiso, Monica Salmaso. Conheci outro dia Eugénia Melo e Castro, cantora portuguesa que tem o charme absoluto da MPB. Ela acabou de relançar um CD ( gravado em 1994), tributo a Vinicius de Moraes, com arranjos de Wagner Tiso. Lindo!
 
Para beber, sugiro outra novidade, também vinda da “terrinha”: vinho do Porto Rosé. Este vinho, que está sendo lançadoagora pelo mundo, deve ser tomado antes das refeições, em copo alto, com bastante gelo. Sua proposta é ser um vinho do porto mais leve e frutado. Chama-se Croft Pink e é produzido por uma vinícola muito respeitada em Porto (a Croft), em atividade desde 1678.
 
Agora que você já tem um drink diferente para oferecer, pensemos nos acompanhamentos. Que tal um delicioso patê de foie (que você pode comprar nos bons empórios da cidade), torradinhas caseiras assadas no dia, queijos variados, uma linda baguete e uma fatias grossas de pão italiano?
 
Quem optou por receber os amigos no jardim ou em casa, pode oferecer uma salada de folhas frescas e crocantes. Para encontros que se estendam até mais tarde, uma polenta com molho de tomate tambémpode cair muito bem!
 
Complete o cenário levando algumas velinhas, daquelas vendidas em conjuntos de 6 ou 8 unidades. Você pode acondicioná-las em lanternas ou até mesmo em copinhos baixos (fica um charme!). Preencha uns pequenos vasos com bouquets de flores do campo e, pronto! Relaxe e receba a primavera como ela merece.



Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
BEST OF DO PROGRAMA ATLÂNTICO NO YOUTUBE !!

É só clicar AQUI



Publicado por popgirl às 19:51
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Sábado, 15 de Agosto de 2009
Homenagem

Maria Alberta Menéres dá nome a Prémio de Contos infanto-juvenil

Agência Lusa
 
A Câmara de Gaia homenageia a escritora Maria Alberta Menéres, atribuindo o seu nome a um prémio de literatura infantil, o único prémio de literatura infantil existente em Portugal.
 
O I Prémio de Conto Infanto-Juvenil Maria Alberta Menéres será atribuído a originais entregues até 15 de Novembro, com duas ilustrações também originais e tem por objectivo estimular o trabalho de novos autores. O galardão será bianual e terá o valor de 3.500 euros.
 
A escritora gaiense, prestes a celebrar 79 anos, recebeu esta homenagem no âmbito do evento Gaia - Capital da Cultura do Eixo Atlântico.
 
Nascida a 25 de Agosto de 1930 em Gaia, Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres, mãe da cantora e compositora Eugénia Melo e Castro, foi professora de Português e História, tradutora, jornalista, poetisa e escritora.
 
Foi directora dos programas infantis e juvenis da RTP entre 1974 e 1986, vendo nesse ano premiado pela Fundação Calouste Gulbenkian o conjunto da sua obra literária dedicada, sobretudo, à infância e juventude.


Publicado por popgirl às 02:54
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009
Back in Lisboa !!

Sim, cheguei eu, mais as malas, mais as coisas, mais os quadros, os sapatos, 10 kilos de

arroz preto (que aqui não tem ainda), mais quase tudo.............. corrigindo, menos eu...........



Publicado por popgirl às 13:29
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Sábado, 8 de Agosto de 2009
DESCUBRA AS DIFERENÇAS...




ABAIXO A REALIDADE

Desmandamentos !!


Os poetas Geraldo Carneiro e Salgado Maranhão lançam seu manifesto Os Desmandamentos, com Tonico Pereira no papel de Moisés. Haverá também poemas lidos por Camilla Amado, Camila Pitanga, Bianca Byington, Ana Paula Pedro, Cássia Kiss, Roberta Gualda, Mariana Ximenes, Cissa Guimarães e Giulia Gam. Farão parte dos debates os poetas Oswald de Andrade, encarnado por Orã Figueiredo, e Olavo Bilac, por Candido Damm. Dia 10, no Teatro Maria Clara Machado (Planetário), às 21:00. Entrada franca.


Os 10 Desmandamentos:

 

(Este manifesto se rebela contra a banalização indiscriminada da poesia e a palavra aviltada pelos demagogos, e é dedicado aos que julgam que ela não é passatempo de diletantes, mas artigo de primeira necessidade.)

1- Mais uma vez virou moda dizer que a poesia agoniza, ou que a poesia morreu. E de fato ela sempre esteve morta para os não-poetas. E morreu também com Homero, com Dante, com Camões, com Baudelaire, com Drummond e com tantos outros, porque cada poeta é uma via, um beco sem saída. E a poesia é sempre plural: é o lugar dos paradoxos (viva Shakespeare!), do não-senso (viva Lewis Carroll!), mas também é o lugar da verdade. Quanto mais verdadeiro, mais poético, como dizia Novalis. Mesmo quando um poeta faz as suas conficções, acaba em verdades metafóricas. E, nestes desmandamentos, afirmamos que a poesia, quanto mais remorre, mais renasce.

2- É a linguagem que produz a realidade e a poesia. A poesia não tem camisa-de-força conceitual. Aos funcionários públicos da vanguarda, que se acham herdeiros do legado, ela finge que se dá, mas é só o discurso vazio do chefe da repartição.

3- A poesia é um problema sem solução. Felizmente. Ninguém tem a fórmula mágica, ninguém tem respostas para todos. Cada leitor que invente o seu mundo, e o desinvente a seu bel-prazer. Semelhante à culinária, cada qual que ache o seu tempero. Se for significativo, o erro vira estilo. Ou vice-versa.

4- A poesia pode tudo, só não pode ficar prosa ou senhora da razão. O novo não é reserva de mercado, nem nasce a priori. Há que se romper limites, correr riscos, ter lucidez na loucura. Mesmo que seja pelo avesso. (E, cá entre nós, não adianta ficar o tempo todo buscando o absoluto, porque isso já ficou obsoleto. Ao fim de tantos levantes, sejamos, também, irrelevantes.)

5- A poesia não é para quem a escolhe, mas para quem recebe o choque elétrico da linguagem. Não é poder ou privilégio, é um defeito que ilumina. Não vale transporte, não vale refeição, não vale copiar truques ou seguir tutores. Nem apelar, como os demagogos, para o amanhã. Mesmo porque já não há mais Canaã no Deserto dos Sinais.

6- Poema não é cadáver. É um artefato musical que sempre canta, mesmo quando tem horror à música. Quem busca entender o poema apenas cientificamente, dissecando sua morfologia como quem faz uma autópsia, perde a viagem. Conhecê-lo é entrar em seus labirintos, sem separar o corpo de sua subjetividade.

7- Não queremos a poesia prisioneira de uma única arte poética. Seremos clássicos e barrocos; pós-modernos e experimentais. Qualquer tema é e não é poético. Desde os pit-boys de Homero até a aspirina de João Cabral. Com talento, mesmo as formas antigas podem ser recicladas. Sem talento, nem com despacho na encruzilhada.

8- As influências, em geral, são bem-vindas, a não ser quando alijam a voz própria. Há poemas com tantas citações que, se extrairmos o que é dos outros, não sobra bulhufas.

9- Os conchavos e panelinhas fazem parte da natureza humana. Cada grupo tem o direito de inventar os seus heróis, para admirar a própria imagem no seu espelho narcísico. Mas o vôo do poeta é só dele e, sobretudo, da linguagem. A linguagem é o orixá, o poeta é o cavalo do santo. Ninguém é mais do que o que pode ser.

10- O problema da poesia não é só fazer bem feito, mas fazer distinto (no duplo sentido, que implica tanto em diferença, como em elegância). Ela é um exercício vital para manter o vigor da palavra. A poesia não é só questão de verdade, mas de vertigem. Por essas e por outras, é que somos poetas da vertigem: vertigem-linguagem, vertigem-vida.

Último desmandamento:
Pode jogar no lixo todos os desmandamentos anteriores, a não ser que haja sinceridade na poesia. Quem quiser adorar bezerro de ouro, que adore; quem quiser viver de pose, que mantenha sua prose. Mas que haja espaço e fé na poesia. E que ela continue a fabricar futuros, e, como fênix, se destrua e se reconstrua por toda a eternidade e mais um dia.

Geraldo Carneiro e Salgado Maranhão



Publicado por popgirl às 03:30
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DESMANDAMENTOS !!! ( que maravilha !! )

 

No Brasil dos anos 1970, escreveu a crítica Flora Süssekind, a marginalidade literária era tão prestigiosa “quanto uma tuberculose para os autores românticos”. Essa posição de heroísmo, que há três décadas espelhava um gesto crítico do autor, hoje se impõe a ele como realidade imediata e melancólica. E, se a literatura é marginal dentro da cultura brasileira, a poesia talvez ocupe sua periferia mais remota. Num país que ainda luta contra o analfabetismo, pode ser diferente? Sim, dizem os poetas Salgado Maranhão e Geraldo Carneiro (ao lado, em foto de Leonardo Aversa). Para os dois, a poesia tem seu lugar natural no centro dos debates — ao renovar a linguagem, aponta novos caminhos para a sociedade. Foi assim no romantismo, no modernismo, no concretismo, afirmam. Contra o marasmo atual (“um nada”, segundo Carneiro), os dois prepararam um manifesto intitulado “Os desmandamentos”, que será lido num grande encontro dia 10, às 21h, no Teatro Maria Clara Machado, com direito às presenças de Moisés (o ator Tonico Pereira), Oswald de Andrade e Olavo Bilac, além de poetas e atores. Numa conversa movida a garrafinhas de água mineral num bar da Urca, os dois falaram ao GLOBO sobre o que os incomoda no estado atual da poesia brasileira.

O que há de errado com a poesia brasileira?

SALGADO MARANHÃO: Estamos vivendo um momento morno da poesia carioca e brasileira. A poesia sempre comandou os debates, mas agora passamos por um momento em que ela não é relevante. Não é que não haja boa poesia, mas ela está muito pulverizada.

GERALDO CARNEIRO: Houve essa pulverização. E uma coisa pior, que talvez seja reflexo disso: com a institucionalização da mentira no Brasil, a poesia ficou sendo uma espécie de reserva ecológica da sinceridade. Perdeu um pouco o lugar. É tão desimportante quanto a reserva dos botocudos da boca do Araguaia. Uma tribo em extinção.

Essa irrelevância está ligada a uma mudança cultural ou tem a ver com o tipo de poesia que se faz?

MARANHÃO: Ela perdeu o critério de qualidade. Como instituição, o poeta não está em lugar nenhum. Não há um lugar de excelência que ele possa disputar. Como não há uma exigência, fica uma coisa de que todos são poetas e ninguém é.

CARNEIRO: Nós não queremos nos insurgir contra qualquer modelo poético. Hoje há uma falta de referências. A poesia caiu num nada, em que estamos vivendo. Por isso queremos fazer um manifesto que seja um divisor de águas na cultura brasileira. Como não estamos com essa bola toda, chamamos Moisés para ser o nosso porta voz e dizer nossos “Desmandamentos”. Como ele tem muito know how em abrir águas, esperamos que seja nosso divisor de águas e traga alguma luz para esse momento medíocre e confuso. Mas fazemos questão de não ditar um modelo. Queremos tirar da área essa banalização nefasta, a apropriação demagógica do discurso poético, e fazer com que ele, ressignificado, volte a ser a ponta de lança do debate político e poético da linguagem, que acaba refletindo na vida social e política do país. Há uma conjugação entre essas coisas que não pode se perder jamais. Quando Mallarmé falou em tornar mais puras as palavras da tribo, isso é fundamental para o exercício das coisas mais elementares da civilidade. Então, por trás do nosso manifesto, tem um desejo de fazer com que o país tenha um apreço maior pela linguagem.

MARANHÃO: Hoje no país fala-se muito, mas é uma palavra aviltada. A palavra de demagogos, ou a da concisão, da vanguarda de repartição pública, a partir de parâmetros do concretismo. O concretismo prestou um grande serviço para a poesia brasileira. Foi um momento em que a poesia estava no debate, assim como no modernismo. Até a poesia marginal também tinha esse fulgor. Mas agora chegamos nesse mar quieto, sem onda, nesse marasmo.

Esse marasmo não tem a ver com um certo ecletismo da nossa época, que vocês, ao falarem que não questionam nenhuma postura poética pois todas são válidas, acabam reproduzindo?

CARNEIRO: Não. Nós queremos uma radicalidade em qualquer um desses procedimentos. Quando você propõe uma pluralidade indiferenciada, você está propondo nada...

MARANHÃO: ...queremos que haja radicalidade na diferença...

CARNEIRO: ...e que a poesia volte a ocupar um lugar fuindamental na discussão da contemporaneidade. Isso é uma tarefa complicada, e para isso convocamos também para nosso debate Oswald de Andrade e Olavo Bilac, que estarão lá caracterizados, cada qual com sua maneira de pensar a poesia, e farão parte do nosso debate. Inclusive porque um é um emérito necrófilo, Olavo Bilac, e o outro é um emérito antropófago. Então na pior das hipóteses, se não for uma boa discussão cultural, vai servir para alguém comer alguém (risos).

MARANHÃO: Mas você levantou uma questão muito importante. Justamente isso, a gente quer que haja radicalidade na diferença. Acho até que há bastante diferença na poesia do Brasil. Mas eles estão muito rentes, não têm relevos.

CARNEIRO: O concretismo voltou para a discursividade. A chamada poesia marginal partiu para a elaboração. Então o que está havendo é uma troca de lugares, uma espécie de changer de places de festa caipira. Está havendo um momento de perplexidade, indefinição e falta de radicalidade.

Mas por que ser radical se tudo é válido? A radicalidade não pressupõe crítica, conflito?

MARANHÃO: Nós estamos chamando para o conflito.

Mas vocês não entram nele.

CARNEIRO: Mas entraremos. Vamos xingar Oswald de Andrade, vamos xingar Olavo Bilac, vamos xingar nossos contemporâneos e eles nos xingarão também. O conflito é inerente à produção poética. Qualquer produção supõe isso.

MARANHÃO: Hoje voltou um debate da época do concretismo de que a poesia palavra está morrendo, é desimportante. E nós dizemos que a poesia sempre esteve morta para os não poetas.Para quem tem o que dizer, ela nunca morrerá.

CARNEIRO: Esses momentos de esterilidade se repetem, e neles é preciso apelar para a radicalidade, negar as negações do passado e afirmar novas afirmações. Desculpe a tautologia, estou parecendo um Wittgenstein da Urca, mas sem isso você não faz com que a poesia assuma o papel dela, que, como diziam as vanguardas, é tornar novo o discurso, fazer com que as palavras adquiram uma força não prevista até então.

Nessa radicalidade, qual é a de vocês?

MARANHÃO: Que a poesia não fale só das questões miúdas da vida, mas que fale também do sonho, da transformação. Há também esse discurso de que a poesia não pode falar de certas coisas. A poesia pode falar de tudo. Queremos que...

CARNEIRO: ...que ela corra riscos, tenha coragem de assimilar a prosa, a loucura, os barbarismos.

MARANHÃO: E que fale dos conflitos do momento em que se vive, do político ao estético.

CARNEIRO: Não necessariamente no plano conceitual, mas dentro da linguagem. Que ela se abra para uma linguagem que não é asséptica, que não se deseja acadêmica, distante do mundo.

MARANHÃO: Que ela se suje mais na vida.

CARNEIRO: Que mergulhe nas impurezas do mundo. São ambições contraditórias: que ela seja absolutamente vital e também rigorosa. Os últimos movimentos poéticos se encastelaram em exigências que eram simplórias.

Há no Brasil uma aproximação danosa da fala poética com o discurso teórico?

CARNEIRO: Esse é um problema grave, do qual por exemplo eu sofro. Estudei na PUC muitos anos, fiz todas as cadeiras de graduação e pós. É uma doença da poesia brasileira, a famosa intertextualidade, que se tornou canônica...

MARANHÃO: ...e que rouba a voz própria. Às vezes, se tirar o discurso do outro, não sobra nada.

Mas vocês acham que isso é uma coisa específica do Brasil?

CARNEIRO: É uma patologia brasileira.

MARANHÃO: Em outros países da América Latina é diferente, há vigor. Não é uma coisa só estética, dissociada da vida. Nós queremos uma estética da existência, falar do aqui. O país está supurando desse discurso vazio e pobre.

CARNEIRO: E ao mesmo tempo não queremos ter nenhuma afinidade linguística com demagogia. Estamos procurando um lugar extremamente problemático, contraditório, mas é o único que nos interessa.

MARANHÃO: O Brasil tem essa riqueza da diversidade, essa riqueza erótica, telúrica. É um país vigoroso. Nós podemos ter essa força na poesia e já tivemos. Não tem um poeta que fale em voz alta.

CARNEIRO: A poesia pode falar de tudo. Do íntimo, do sublime, do prosaico, do grotesco. A supressão de qualquer dessas modalidades do humano é uma tolice. E essa tolice tem sido praticada por todas as facções da poesia contemporânea no Brasil. É contra isso que nos insurgimos. Queremos o Frankenstein de todos. A poesia precisa ter essa ambição, que não é uma ambição de absoluto, mas de grandeza conceitual.

MARANHÃO: Estamos perdendo essa seiva da identidade que já tivemos num determinando momento. Até o concretismo tinha isso, esse orgulho. Estamos perdendo, está ficando uma coisa flácida. Não tem um poeta que fale em voz alta.

Essa identidade de que você fala é a identidade brasileira?

MARANHÃO: Não. A poesia tem a ver com o lugar, com o país. Cabral é brasileiro, do mesmo modo que é universal. A poesia tem a ver com a linguagem do seu povo. Mas fala para o mundo, fala para todos, para onde quer que exista o humano.

Você falou que a poesia brasileira tem se restringido ao miúdo, aos pequenos temas. Além da clausura da academia, vocês acham que há também um fechamento no intimismo?

MARANHÃO: Sim. Há esse intimismo. Acontece o seguinte: a crítica discute que certos temas não são poéticos...

...há uma inversão? Antigamente o pequeno não era considerado poético. Hoje, o grande tema é que não é poético?

MARANHÃO: Isso. Quando na verdade a poesia pode falar do pequeno ou do grande.

CARNEIRO: De tudo. Do íntimo, do sublime, do prosaico, do grotesco. A supressão de qualquer dessas modalidades do humano é uma tolice. E essa tolice tem sido praticada por todas as facçlões da poesia contemporânea no Brasil. É contra isso que nos insurgimos. Queremos o Frankenstein de todos.

Há uma setorização do poético? Poetas-especialistas?

CARNEIRO: Tem, especialistas e grupelhos. Tem grupos que acham que a poesia tem que ser só a do demiurgo, ou só a da metalinguagem, ou a da concisão. Todas essas coisas são importantes, mas o que eu acho mais importante é que não se excluam essas possibilidades, se não fica um fazer poético totalmente dissociado da importância histórica que a poesia tem que ter. Mesmo que o circuito dela seja minúsculo, o que é inevitável, já que ela está criando uma nova linguagem, é fundamental que esse circuito seja vastíssimo do ponto de vista conceitual. A gente precisa fazer com que a poesia tenha de novo essa ambição, que não é uma ambição de absoluto, mas de grandeza conceitual.

MARANHÃO: Quando há essa pulverização, é fratricida. Um grupo mordendo o outro por um espaço que não existe.

CARNEIRO: O problema é que nem fratricídio mais tem. Não tem nem Caim e Abel, não tem nada. Por isso chamamos o Moisés. E também algumas deusas pagãs, cujos nomes manteremos em segredo para que os exus de Brasília não façam ebós mal despachados contra elas.

MARANHÃO: Vai ser uma noite de confronto, mas de brincadeira e humor. A coisa foi ficando séria demais. Não pode brincar, porque o espaço é pequeno, a defesa de seita das correntes vai ficando muito sem humor. As pessoas vão tratando os outros como inimigos. Queremos brincar com isso. A poesia não é de ninguém, ninguém tem reserva de mercado.

E o que vocês querem dizer quando falam em falta de critérios, de espaços de excelência?

CARNEIRO: O espaço de circulação da poesia brasileira hoje é medíocre. A produção não é medíocre. Tem muito boa poesia, mas não está havendo critério para avaliar. Os craques da crítica hoje não escrevem mais. Davi Arrigucci, José Miguel Wisnik, Roberto Schwarz, Antonio Candido. Os grandes críticos do Brasil abandonaram os rodapés. O exercício da crítica tornou-se uma coisa de terceira categoria. Ainda há bons críticos. No suplemento de vocês tem o José Castello. Mas são críticos que trazem hoje também uma melancolia, como se fossem Fausto de Goethe. O Nelson Ascher tem escrito pouco. É preciso que nós também escrevamos, que a poesia volte a ser uma atividade central. Quando você se insurge contra o marasmo da linguagem, isso tem repercussões políticas sempre, que não passam pelo repertório vocabular que você usa, mas passa pelas práticas de linguagem. Quando o "Jornal do Brasil" fez o suplemento literário nos anos 1950, aquilo foi uma revolução na imprensa brasileira. São pequenas ações, que se dão num âmbito muito restrito, e que provocam reações fundamentais. Quem está fazendo hoje esse papel de crítica da linguagem demagógica? O CQC. A poesia é justamente isso, um custe o que custar levado às ultimas consequências. O demagogo lê aquilo, às vezes nem entende, mas diz “tem uns caras aqui prestando atenção na gente”. A peça do Vianinha e do Gullar, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Aquela peça inibiu profundamente a direita brasileira.

MARANHÃO: O problema é chamar a discussão para outro terreno. Hoje ela se dá ou no escracho dos programas de televisão, ou pela via demagógica. Falta essa discussão em que a estética esteja no primeiro lugar. O caderno do "Jornal do Brasil" tinha isso.

CARNEIRO: Num nível em que o Estado brasileiro foi contaminado e teveque melhorar o nível da própria linguagem, para corresponder àquilo. Era lida por uma minoria, mas tinha um poder de formação de opinião e pressão política.

Vocês falam nos problemas do excesso de seriedade, mas no Rio o que se vê mais claramente é uma tradição performática, da poesia associada a eventos culturais. Nisso também não há às vezes uma falta de rigor?

CARNEIRO: Essas contradições são altamente estimulantes. Você não precisa assumir a postura de Moisés para dizer as coisas mais sérias. Como a semana de 1922, disse as coisas mais sérias, mais importantes, com humor, às vezes até forjando situações ridículas. A seriedade do discurso poético inclui uma corrosividade que na poesia moderna está muitas vezes ligada ao humor. James Joyce é um piadista. Robert Musil é um piadista.

MARANHÃO: Não é um humor descuidado, mas que mostra até onde a língua pode ir.

CARNEIRO: No "ABC da Literatura", o Pound diz que a pior ameaça para a litertura é a gravidade. Você assumir uma carranca e dizer “eu sou o detentor da verdade”.

É que, quando criticam a seriedade, para quem lê nas entrelinhas parece que isso é reedição das antigas rixas entre poetas cariocas e paulistas. Vocês não fariam também uma crítica ao Rio? Não há um lado negativo na postura festiva carioca?

CARNEIRO: Não...

MARANHÃO: ...sim, quando leva às últimas consequências a banalidade.

CARNEIRO: É, quando não tem conteúdo é horrível. Quando tem é uma maravilha.

MARANHÃO: Quando fica só performático, frágil, frouxa... Nada contra a performance, mas queremos que tenha eixo, que tenha texto.

Não há uma cultura de celebração mútua nesses encontros?

CARNEIRO: Olha, eu por exemplo, adoro celebrar esse cara. Toda vez que vou falar poesia digo para chamar ele. É uma coisa talvez até de homossexual enrustido. Mas o fato é que é muito gostoso celebrar poesia. Tem pessoas taciturnas, macambúzias, que não gostam de celebrar nada. A vida para mim é celebração e a poesia para mim é celebração, uma festa dos conceitos, das palavras, dos neologismos. E existem também poetas do desespero e da solidão. Eu e meu amigo Salgado Maranhão, que é um poeta extremamente consistente, temos momentos de melancolia escrevendo. Não somos poetas alegrinhos. Não somos Oswald de Andrade nem Juó Bananère. Somos poetas que temos infelizmente uma dose de melancoilia e até depressão, mas a acelebração da vida e da festa da poesia, isso é maravilhoso

MARANHÃO: Mas você chamou atenção para uma coisa importante do ser carioca. A cidade tem esse espírito, e nós estamos em sintonia com ele. Nós vivemos aqui e incorporamos essa natureza do Rio de Janeiro. Mas não queremos ficar nessa coisa...

CARNEIRO:...do besteirol da beira-mar. Não. Mas se você está na beira-mar, então a beleza, você ter nossas deusas que estarão lá... Um moisés com uma batina e uma barba de Papai Noel. Você não teria o Tonico Pereira em São Paulo. Aqui temos esse humor que foi importante para a arte moderna. Erik Satie, todos os poetas do surrealismo, do dadaísmo, o James Joyce, depois que abandonou o bode da juventude. Essa alegria do verbo que se faz carne, é uma festa que o verbo se faça carne à beira-mar no Rio de Janeiro e que isso seja uma coisa relevante. E se for irrelevante, é aquilo que eu te falei. Tem lá os necrófilos e os antropófagos e alguém vai comer alguém. (risos)



Publicado por popgirl às 03:26
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
Atlântico (mais uns vídeos)!!!

ATLÂNTICAMENTE CANTANDO
Mário Castrim TAL E QUAL Lisboa, 26 de Março de 1999

Certamente já um pouco fatigado de ser oceano à tantos séculos, o Atlântico pensou que também tinha direito a ir à televisão. E foi. E viu que era bom.A ideia partiu de Eugénia Melo e Castro, também ela filha do Atlântico, com a voz e a alma repartidas por Portugal e o Brasil. Uma ideia pela qual se bateu durante três anos e que realizou integralmente em três meses.

O Atlântico de Eugénia é um mano a mano de alguns dos maiores nomes da música popular lusófona, principalmente Portugal e Brasil.. Não é , logo, uma embalagem descartável, não começa a morrer logo que termina....A sua grandeza fica realçada pela aproximação e não pela ostentação . Não são o pretexto para o espectáculo: São o espectáculo! Eugénia, o motor daquele sonho, passa quase despercebida. Marca a diferença entre ser criadora e ser dona. Seus pais são poetas, Aquele programa é o poema dela. E como se diz que a poesia é contagiosa, seria bom que o Atlântico causasse uma epidemia!

 

 

 

 

 

 



Publicado por popgirl às 02:30
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
Mais videos do Atlântico!!!

ATLÂNTICO
Miguel Gaspar DIÁRIO DE NOTÍCIAS, Lisboa, Abril de 1999

A RTP já não estava habituada a tanto elogio por centímetro quadrado de prosa. Mas aconteceu. Com Atlântico, o serviço público reencontrou um consenso em seu redor. Em tudo contrastante com a atitude que tem rodeado as apostas mais recentes da programação da casa.Já tudo foi dito sobre a qualidade do programa de Eugénia Melo e Castro. Da qualidade dos duetos ao nível da apresentação de Nelson Motta e da própria Eugénia, de dinâmica do programa ao modo como soube projectar a sua homogeneidade temática. Um sucesso merecido, Atlântico foi uma aposta certa. E espera-se, tenderá a fazer um caminho em crescendo, ao nível da necessária aceitação pública.

Sendo um produto televisivo conseguido, grande parte do êxito de Atlântico deve-se ao facto de Ter introduzido uma ruptura no modo como a música tem sido tratada na televisão, e não apenas na RTP. Ou seja, cortou-se com a ideia de que a lógica televisiva e só a lógica televisiva deve dominar em matéria de programas musicais. O essencial aqui é a música ter qualidade. Sem isso, todos os méritos televisivos de Atlântico resultariam em meros adornos para um conteúdo oco. Porque é que a lógica musical é dominante? Porque se foram buscar alguns dos realmente melhores e criou-se um evento não só autêntico, mas único, do ponto de vista artístico. Além disso, Atlântico aproxima de facto Portugal e o Brasil. Mostra ainda, para bem do nosso ego nacional, como a música popular portuguesa aguenta hoje esse encontro com a melhor música popular do mundo. Não é coisa pouca. Renunciou-se assim à vacuidade do espectáculo televisivo em favor do que tem realmente sentido.

Atlântico venceu e com ele, espera-se, foi derrotada a ideia de que é preciso ser-se vazio e artificial para ganhar no pequeno ecrã.

 



Publicado por popgirl às 23:15
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
Capuchinho encarnado X Chapeuzinho vermelho !!!

…...pela estrada fora, eu vou bem sozinha, levar estes doces para a avozinha..........la la la la la la la la ..........

 
........e lá vou eu.........de MALAS, melhor dizendo........... quem me vir no aeroporto vai pensar que eu enlouqueci de vez...........malas e mais malas, e quadros, e coisas, e sei lá mais o quê.........uma van imensa para me levar para o  aeroporto em São Paulo, uma van imensa para me ir buscar no aeroporto em Lisboa, e............ adeus malas e pesos forever.............i hope !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
.......e lá se foi o meu ap em São Paulo................
 
Confesso que, depois de 29 anos com moradia fixa também no Brasil, parece-me quase lógica AGORA esta opção por Lisboa, numa hora que estão muitos portugueses a desesperar com a maldição do destino melancolico e deprimido que assola o nosso querido Portugal (desde sempre, diga-se de passagem.....) ,e a fazer as valises e ir viver para o Brasil..............
 
Eu não estou "nem aí" para a depressão !!! rsrsrsrs !!
 
A grande vantagem para mim..........são mil vantagens..............para dizer a verdade !!
 
-Voltarei ao Brasil como hóspede light, todas as vezes que tiver trabalho, shows, gravações, saudades, que serão muitassssssssss, claro !!
 
-Poderei passear à vontade no Brasil sem ter de me preocupar com coisas domésticas !!
 
-Nas férias e intervalos poderei escolher outros destinos nunca dantes navegados, sem aquela sensação que tenho de estar onde tenho uma casa minha, etc e tal.......
 
-Poderei ir visitar a Mariana em Bruxelas e desafia-la para fugir de lá comigo, pelo menos uma vez por mês !!!!!! EBAAAAAAAAA !!
 
-Poderei rir muito e dar beijinhos mil na minha mãe, todos os dias, sem ser pelo skype !!!!!!!!!!!!!!!!
 
-Poderei voltar a receber muito mais, nas minhas lindas casinhas, em Lisboa e no Alentejo, os meus amigos/ hóspedes queridos do Brasil, aos kilos, às toneladas, ebaaaaaaaaaa !!!
 
Ou seja, sem mencionar os detalhes, confesso que estou no ponto certo para viver muito bem o que me espera....  e descansar feliz na sombra das oliveiras e dos sobreiros.............. enquanto eu conseguir aguentar este descanso todo, entenda-se............
 
ps- por onde andará o lobo mau ??????????


Publicado por popgirl às 20:20
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Domingo, 2 de Agosto de 2009
Atlântico - Simone + Dulce Pontes !!!

E aqui fica o programa que juntou Dulce Pontes e Simone:



Publicado por popgirl às 03:14
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Atlântico - Eugénia Melo e Castro + Wagner Tiso e Camerata Tiso !!

O programa ATLÂNTICO foi um marco na história da televisão portuguesa. Idealizado e produzido por Eugénia Melo e Castro e dividido na apresentação com Nelson Motta, foi transmitido em Portugal pela RTP e no Brasil pela TV Cultura. Recentemente foi escolhido como um dos 50 melhores programas de sempre da televisão portuguesa numa votação pública levada a cabo pelo Diário de Notícias, a revista Time Out e as Produções Fictícias. Chega agora à rede virtual o primeiro programa na íntegra. Aqui fica a primeira parte, para ver as restantes é só clicarAQUI ou AQUI.

 

Este programa é o encontro entre Wagner Tiso + Camerata Tiso com Eugénia. Foi o 13º programa a ser exibido.

Ao todo foram 14 programas de 50 minutos cada um, com encontros musicais entre Artistas Portugueses e Brasileiros.

A série foi integralmente gravada em Lisboa durante o ano de 1998.

 




Terça-feira, 28 de Julho de 2009
ai, cai...

 ....esta tarde sem ti

e tantas outras cairão

sobre mim.

 

d'author desconhecido



Publicado por popgirl às 07:56
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Ai ai ai ai ai ai ai !!!!!!

Pode parar de chorar, eu chego já !! Engole já esta manha, menino !!

 



Publicado por popgirl às 23:56
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